Base bolsonarista em Goiás resiste à aliança com MDB
A articulação política em Goiás para as eleições de 2026 enfrenta um ponto de inflexão, com a base bolsonarista do Partido Liberal (PL) demonstrando forte resistência a qualquer aliança com o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) do vice-governador Daniel Vilela. Diferentemente das especulações que apontam para um acordo costurado pelo governador Ronaldo Caiado (UB), a ala mais ideológica do PL e seus apoiadores sinalizam a preferência por uma candidatura própria ao governo do estado, um movimento que, segundo analistas, pavimenta o caminho para o ex-governador Marconi Perillo (PSDB).
O deputado Delegado Eduardo Prado (PL) falou, nas redes sociais, sobre a possível união dos partidos em Goiás.

O cenário de insatisfação interna no PL goiano é notório. Embora setores do partido, visando a preservação de espaços políticos e a candidatura do deputado federal Gustavo Gayer ao Senado, considerem a adesão à base caiadista, a maioria dos líderes e a militância bolsonarista rejeitam a ideia de compor com o MDB. O senador Wilder Morais, pré-candidato ao governo, é a principal voz dessa resistência, contando com o apoio de prefeitos e de grande parte da bancada de deputados estaduais do partido.
A pressão da base por um nome próprio reflete a busca por uma terceira via robusta que se oponha tanto ao grupo de Caiado/Daniel Vilela quanto ao ressurgimento do projeto tucano liderado por Perillo. A ausência de um candidato bolsonarista forte e unificado, no entanto, transforma a resistência em um fator de dispersão de votos, cujo único beneficiário é o ex-governador Marconi Perillo. A força do voto ideológico bolsonarista, já consolidada em Goiás, confere ao PL a segurança de que a candidatura própria de Wilder Morais tem potencial para garantir uma vaga no segundo turno, tornando desnecessário qualquer arranjo com o MDB.
O Efeito Perillo na Disputa
A manutenção da candidatura de Wilder Morais, ou o lançamento de qualquer outro nome bolsonarista, tem o efeito prático de fragmentar o campo de oposição ao MDB. Em um cenário de três candidaturas principais — Daniel Vilela (MDB/base Caiado), Wilder Morais (PL) e Marconi Perillo (PSDB) — a divisão do eleitorado de direita e centro-direita tende a ser mais prejudicial ao PL.
Perillo, com sua experiência e base política consolidada, seria o único beneficiário de uma eventual retirada da candidatura do PL, absorvendo o vácuo de oposição ao MDB. A base bolsonarista, ao não se alinhar com o MDB, cumpre seu papel de oposição, mas a falta de coesão e a insistência em um projeto isolado podem não ser suficientes para levá-los ao segundo turno.
A insistência em um projeto solo do PL, embora legítima do ponto de vista ideológico, pode ser vista como uma estratégia que, inadvertidamente, facilita o retorno do PSDB ao Palácio das Esmeraldas. A base bolsonarista, ao rejeitar a aliança com o MDB, precisa agora demonstrar a capacidade de construir uma candidatura que não apenas represente seus valores, mas que também seja eleitoralmente viável para evitar que o vácuo de poder beneficie um adversário histórico.
A Busca por um Nome de Consenso
Apesar das tentativas de articulação nacional, como as do senador Flávio Bolsonaro, para convencer Wilder a recuar e Caiado a desistir do projeto presidencial, o consenso não foi alcançado. O impasse não é apenas sobre quem será o candidato, mas sobre a direção ideológica que o PL de Goiás tomará.
A base bolsonarista, representada por figuras como o deputado estadual Eduardo Prado, que faz forte oposição ao Palácio das Esmeraldas, demonstra que a lealdade ao projeto ideológico é mais forte do que o pragmatismo político de curto prazo. Essa postura, embora elogiável pela coerência, é o fator que, no tabuleiro eleitoral, mais favorece a estratégia de Marconi Perillo, que observa a divisão de seus adversários com atenção.
A decisão final do PL, portanto, não definirá apenas o futuro do partido em Goiás, mas terá um impacto direto na dinâmica da disputa, consolidando Perillo como um forte concorrente em virtude da fragmentação da oposição.