Ex-embaixador britânico nos EUA é detido sob suspeita de má conduta em cargo público
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O ex-embaixador britânico nos EUA Peter Mandelson foi detido nesta segunda-feira (23/2), em Londres, sob suspeita de má conduta em cargo público.
A Polícia Metropolitana informou que um homem de 72 anos foi preso em um endereço em Camden, norte de Londres, e levado a uma delegacia para interrogatório.
A prisão ocorreu após mandados de busca e apreensão em dois endereços em Wiltshire e Camden, acrescentou um comunicado da polícia.
A polícia iniciou uma investigação no início deste mês sobre alegações de que Mandelson teria compartilhado informações governamentais sensíveis ao mercado com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein enquanto era ministro.
O ex-embaixador não comentou publicamente nas últimas semanas sobre as menções a seu nome nos arquivos do caso Epstein. Mas, segundo apuração da BBC, ele tem afirmado que não agiu de forma criminosa e que não foi motivado por ganho financeiro.
Na tarde de segunda-feira, ele foi visto sendo levado de sua casa em Londres por policiais à paisana, que o colocaram na parte de trás de um carro descaracterizado.
A BBC apurou que a prisão foi feita por policiais da divisão central especializada em crimes da Polícia Metropolitana.
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As alegações contra Mandelson vieram à tona depois que o Departamento de Justiça dos EUA divulgou um conjunto de documentos no mês passado, incluindo e-mails trocados entre ele e Epstein.
Um e-mail de 2009 parece mostrar que o ex-embaixador repassou ao então primeiro-ministro Gordon Brown uma avaliação de um assessor sobre medidas políticas, incluindo um “plano de venda de ativos”.
Ele também parece ter discutido um imposto sobre bônus bancários e confirmado um pacote de resgate iminente para o euro um dia antes de seu anúncio, em 2010.
Mandelson tornou-se embaixador britânico nos EUA em fevereiro de 2025, mas foi demitido em setembro depois que o gabinete do primeiro-ministro, Keir Starmer, informou novas informações sobre seu relacionamento com Epstein surgiram.
O governo disse que pretende divulgar os primeiros documentos relacionados à nomeação de Mandelson para embaixador no início de março.
A BBC News apurou que o governo continuará conversando com a polícia sobre quais documentos podem ser divulgados, após ter sido sugerido anteriormente que uma prisão poderia ter implicações nesse processo.
O governo ainda quer publicar os documentos, que espera que corroborem com a alegação do primeiro-ministro Sir Keir Starmer de que Mandelson mentiu durante seu processo de verificação para nomeação.
Darren Jones, secretário-chefe do primeiro-ministro, disse aos parlamentares na segunda-feira que os registros detalhando as perguntas de acompanhamento feitas pelo gabinete do primeiro-ministro durante o processo inicial de verificação de antecedentes para a nomeação não seriam incluídos no primeiro lote de material publicado, devido ao “interesse neste documento” por parte da Polícia Metropolitana.
A líder conservadora Kemi Badenoch afirmou que a prisão Mandelson foi “o episódio mais marcante” do mandato de Keir Starmer.
Badenoch, que disse que o primeiro-ministro era “fraco”, acrescentou: “Ver o homem que ele nomeou para o cargo mais alto do nosso serviço diplomático sendo preso pela polícia é uma imagem que, acredito, ficará marcada em nossa memória por muitos e muitos anos”.
Mandelson foi notificado por políticos dos EUA para responder a perguntas como parte de uma investigação do Congresso sobre Epstein.
Ele começou a trabalhar para o Partido Trabalhista na década de 1980, desempenhando um papel fundamental no movimento “New Labour” e na vitória esmagadora de Tony Blair nas eleições de 1997.