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7 de Setembro para ser lembrado e esquecido

Primeira pergunta: você acredita que a origem do 7 de Setembro afetou nossa história ou que ela ainda pode ser discutida? Aqui deixo claro o meu entendimento: o início da nossa independência começa em 1808, com a vinda da Família Real, que trouxe recursos humanos, culturais e financeiros (aproximadamente £ 22 milhões), até então inexistentes em território nacional, criando uma massa crítica que

Primeira pergunta: você acredita que a origem do 7 de Setembro afetou nossa história ou que ela ainda pode ser discutida? Aqui deixo claro o meu entendimento: o início da nossa independência começa em 1808, com a vinda da Família Real, que trouxe recursos humanos, culturais e financeiros (aproximadamente £ 22 milhões), até então inexistentes em território nacional, criando uma massa crítica que também não existia anteriormente.

A segunda etapa da independência é acelerada pela Revolução Liberal do Porto, em 1820, começa a se cristalizar com o Dia do Fico, em janeiro de 1822, e atinge sua ebulição em 7 de setembro, com o Grito do Ipiranga.

Entretanto, o processo só termina em 29 de agosto de 1825, com o Tratado do Rio de Janeiro, quando o Brasil assume uma dívida de £ 2 milhões, financiada em Londres, como parte do acordo de indenização a Portugal pelo reconhecimento de nossa independência.

Os efeitos mais relevantes da Independência foram: a soberania política, ainda que com fragilidade fiscal; a unificação territorial, diferente do que aconteceu com o restante da América espanhola; e a criação de um dos maiores mercados consumidores das Américas. Assim, na época, ganhamos relevância estratégica para receber investimentos externos.

Entre esses investimentos, talvez os mais fáceis de mensurar tenham sido as ferrovias britânicas, que chegaram a 10 mil km entre 1870 e 1890 (20 anos). Para compreender a dimensão, hoje, em 2026, 156 anos depois, o Brasil tem 30 mil km de ferrovias.

A independência do Brasil nasceu de um gesto monárquico de D. Pedro I, num processo centralizado e sem ruptura popular | Foto: Wikimedia Commons

O Barão de Mauá

Investimentos externos possibilitaram maior mobilidade social. O maior exemplo foi Irineu Evangelista de Sousa, nascido na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, ou simplesmente Barão de Mauá, que, aos 16 anos, trabalhava para o comerciante escocês Richard Carruthers, no Rio de Janeiro.

Aos 18 anos, viajou e se apaixonou pelo capitalismo britânico. Aos 24 anos, comprou a Ponta da Areia, em Niterói, e a tornou um dos maiores complexos industriais do Brasil. Em 1867, aos 53 anos, seus ativos chegavam a cerca de 115 mil contos de réis, enquanto o orçamento do Império do Brasil era de aproximadamente 97 mil contos de réis.

São apenas dois exemplos, mas a data deve ser lembrada porque 7 de Setembro não é apenas a data em que o Brasil rompeu com Portugal; é o dia em que deixamos de ser parte da história de outro povo para assumirmos o direito, o orgulho e a responsabilidade de escrever a nossa própria história.

Visconde de Mauá foi um opositor fervoroso da escravidão no Brasil | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A importância do 7 de Setembro

Concomitantemente, deixo aqui um recado amargo: talvez tenhamos esquecido esse começo brilhante. Afinal, o 7 de setembro nos deu a liberdade para construir uma grande nação, e o que fizemos nos dois séculos seguintes mostra que conquistar a independência foi mais fácil do que transformar essa liberdade em desenvolvimento, prosperidade e futuro.

Continuamos sendo o país do futuro que nunca chega, e o chamado à “brava gente brasileira! Longe vá, temor servil” nunca se concretizou.

Para a geração Paulo Freire, vou traduzir os dois versos do refrão mais famoso do nosso Hino da Independência, escrito por Evaristo da Veiga, com música de D. Pedro I.

“Brava gente brasileira! Longe vá, temor servil” pode ser traduzido de várias formas: “que o povo brasileiro jamais se curve pelo medo”; “que se afaste de nós o medo de sermos submissos”; “que o brasileiro jamais aceite viver de joelhos”; ou, de maneira mais solene, “que jamais o medo nos condene à submissão”.

Paulo Freire se tornou 'patrono da educação' durante o governo Dilma Rousseff | Foto: Divulgação/Instituto Paulo Freire

As eleições deste ano

Antes de chegar ao dia de hoje, pense nestes versos e lembre-se de 7 de setembro de 2021. Agora, pense no Brasil e nas eleições de 2026.

O que esperar de uma população que tem como origem um país ímpar no mundo, em vários aspectos bons e ruins, e que agora tem que decidir se vai honrar o Grito da Independência ou mudar nosso hino e deixar que o medo nos condene à submissão dos corruptos e ladrões?

Mas, antes que você decida, vou lembrar outros dois pares de versos deste belo hino: “Os grilhões que nos forjava / Da perfídia astuto ardil”... “Não temais ímpias falanges / Que apresentam face hostil”.

Traduzindo novamente: as correntes que tentavam nos impor eram fruto de uma traição planejada com astúcia. Segunda parte: não tenham medo dos grupos inimigos que se levantam contra nós e ameaçam nossa liberdade.

Viva o 7 de Setembro!

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