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Abasteça o carro antes de 26 de outubro

O governo Lula está te enganando e criou um verdadeiro cavalo de Troia para toda a sociedade brasileira: empresas do setor de combustíveis, transportadoras, consumidores e, em última instância, todos os brasileiros. Vamos compreender o que está acontecendo com os preços dos combustíveis, com a Petrobras, com as contas públicas e, por fim, com as suas contas do dia a dia. Para isso, utilizarei ex

O governo Lula está te enganando e criou um verdadeiro cavalo de Troia para toda a sociedade brasileira: empresas do setor de combustíveis, transportadoras, consumidores e, em última instância, todos os brasileiros. Vamos compreender o que está acontecendo com os preços dos combustíveis, com a Petrobras, com as contas públicas e, por fim, com as suas contas do dia a dia. Para isso, utilizarei exclusivamente dados primários da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), do Banco Central e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para a comparação internacional dos preços dos combustíveis, utilizarei os dados da plataforma GlobalPetrolPrices.

Segundo a metodologia do IBGE, uma variação de 1% no preço dos combustíveis pode provocar um impacto direto estimado de 0,06 ponto porcentual no IPCA. Quando acrescentamos os efeitos indiretos sobre os custos de transporte, produção e distribuição, estimados em mais 0,02 ponto porcentual, o impacto total pode chegar a 0,08 ponto porcentual, tanto em caso de aumento quanto de redução dos preços. Esse efeito ganha ainda mais relevância diante de uma inflação que permanece elevada. Nos últimos 12 meses, o IPCA acumulou 4,58%, superando a meta oficial de 3% ao ano e ultrapassando, inclusive, o limite superior de tolerância de 4,5%.

Você pode até pensar que os combustíveis estão entre os grandes vilões da inflação. Entretanto, segundo a ANP, em São Paulo, o litro do etanol custa, em média, R$ 3,91; o da gasolina comum, R$ 6,34; e o do diesel, R$ 6,55. O que muitos consumidores desconhecem é que o governo federal está desonerando a gasolina em R$ 0,89 por litro e o etanol em R$ 0,19, além de conceder uma subvenção adicional de R$ 1,40 por litro de diesel importado. Em uma conta simplificada, sem esses benefícios, os preços poderiam ser até 4,86% maiores para o etanol, 14,04% para a gasolina e 21,37% para o diesel. A questão é que essa diferença não desaparece: parte dela representa impostos que deixam de ser arrecadados e parte é financiada pelo orçamento público.

Combustíveis mais baratos ajudam a economia, certo? Nem sempre! O governo está reduzindo artificialmente os preços por meio de subsídios e desonerações que, desde o início do programa, já somam aproximadamente R$ 46,2 bilhões em custos fiscais anunciados. Parte desse valor beneficia empresas do setor, mas a conta fica para os contribuintes, tenham carro ou não.

+ Entenda como funciona a economia brasileira no guia de Oeste

Naturalmente, diante da guerra no Golfo Pérsico, diversos países estão adotando subsídios para conter a alta dos combustíveis. Entretanto, quando comparamos os preços brasileiros com a média mundial, encontramos diferenças expressivas: a gasolina custa aproximadamente 20% menos no Brasil, enquanto o diesel apresenta uma diferença de cerca de 15%.

"Bondade" com prazo de validade

Mas a “bondade” do governo tem prazo de validade. As atuais desonerações da gasolina e do etanol estão previstas para terminar em 9 de novembro, apenas 15 dias depois do segundo turno das eleições. Não sabemos se haverá um aumento imediato dos preços, muito menos de 15%, mas uma coisa é certa: o fim dos benefícios poderá trazer uma nova pressão sobre o bolso dos brasileiros.

Vamos organizar os fatos. Primeiro, se os combustíveis subirem, em média, 17,5%, o impacto estimado sobre a inflação poderá chegar a 1,4 ponto porcentual, considerando os efeitos diretos e indiretos. Isso em um país que já acumula uma inflação de 4,58% nos últimos 12 meses. Segundo, parte dessas despesas não estava prevista no orçamento original e poderá pressionar ainda mais a dívida pública. Por fim, as empresas do setor estão entre as beneficiadas, recebendo recursos dos cofres públicos enquanto a conta é financiada pelos contribuintes brasileiros.

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Depois de compreender todo esse cenário e os riscos que poderão surgir a partir de 9 de novembro, resta uma pergunta: quem você quer que assuma o governo em janeiro de 2027, quem criou a bomba relógio, ou quem terá condições de desarmar essa bomba-relógio e suas consequências?

Leia também: "Desespero eleitoral", reportagem de capa da Edição 342 da Revista Oeste, por Yasmin Alencar

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