Alckmin homenageia estudantes mortos pela ditadura de Getúlio Vargas, elogiado por Lula
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) homenageou, neste domingo, 11, durante ato de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Avenida Paulista, quatro jovens mortos em 1932, durante a ditadura de Getúlio Vargas. “São Paulo não quer ditadura”, disse Alckmin, ao criticar o bolsonarismo. “Nosso ídolo não é o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Nossos ídolos são os estudantes que m
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) homenageou, neste domingo, 11, durante ato de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Avenida Paulista, quatro jovens mortos em 1932, durante a ditadura de Getúlio Vargas.
“São Paulo não quer ditadura”, disse Alckmin, ao criticar o bolsonarismo. “Nosso ídolo não é o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Nossos ídolos são os estudantes que morreram na ditadura: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.”
Os quatro jovens morreram depois de um confronto com partidários do varguismo em 23 de maio de 1932, no centro de São Paulo. Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo de Camargo Andrade ficaram conhecidos pelas iniciais dos sobrenomes: MMDC. A sigla tornou-se símbolo da Revolução Constitucionalista, movimento armado iniciado em 9 de julho daquele ano contra o Governo Provisório.
Na época, Vargas governava o Brasil sem uma Constituição em vigor. Desde que assumira o poder, em 1930, havia dissolvido o Congresso Nacional, afastado governadores e concentrado poderes no Executivo. Os constitucionalistas paulistas exigiam uma nova Constituição, eleições e o fim da intervenção federal no Estado.
O confronto ocorreu durante manifestações contra Vargas. Integrantes do movimento oposicionista atacaram instalações de grupos favoráveis ao governo federal, e os ocupantes de uma dessas sedes reagiram a tiros.
Lula admira Getúlio Vargas
Em 8 de abril de 2014, durante uma entrevista coletiva a nove jornalistas de veículos como Revista Fórum, Viomundo, Tijolaço e Diário do Centro do Mundo, realizada na sede do Instituto Lula, em São Paulo, o presidente elogiou o ditador. “O Getúlio, que me faz ter mais admiração, é o Getúlio de 1950, 1954”, afirmou Lula, em referência ao período democrático de Vargas, que retornou ao poder pelo voto popular em 1951.
Lula voltou a elogiar Vargas em julho de 2026, durante um encontro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Na ocasião, destacou a criação do salário mínimo e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ao associar o ex-presidente à ampliação dos direitos dos trabalhadores.
Essa admiração também se traduziu em uma homenagem oficial. Em 15 de setembro de 2010, Lula sancionou a Lei nº 12.326, aprovada pelo Congresso Nacional, que determinou a inscrição de Getúlio Dornelles Vargas no Livro dos Heróis da Pátria, mantido no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília.
O projeto havia sido apresentado em 2004 pelo então deputado federal Severiano Alves (PDT-BA). Ao sancionar a legislação, Lula oficializou o reconhecimento de Vargas como herói nacional, embora o ex-presidente tenha governado o Brasil durante períodos de repressão política e suspensão de garantias constitucionais.
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