Alcolumbre elogia Lula em agenda no Amapá após meses de atritos
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, elogiou o presidente Lula nesta segunda-feira, 17, durante agenda em Oiapoque, no Amapá. O gesto ocorre após meses de tensão entre os dois.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), elogiou o presidente Lula, nesta segunda-feira, 17. O gesto ocorre depois de meses de tensão entre os dois.
Durante agenda em Oiapoque (AP), Alcolumbre afirmou que o petista “enfrentou tudo e todos” para avançar com a exploração de petróleo na Margem Equatorial.
“Muito obrigado pela defesa que o senhor fez, ao longo dos últimos três anos e meio, enfrentando tudo e todos para defender que este projeto chegasse aqui hoje”, disse Alcolumbre.
O senador também afirmou que a Petrobras “tem que ser o orgulho de todos os brasileiros”.
A declaração ocorreu durante visita ao navio-sonda da estatal que realiza pesquisas na região. Foi a primeira agenda pública conjunta de Lula e Alcolumbre desde a retomada do diálogo entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado.
Alcolumbre e Lula ficaram meses sem conversar
Lula e Alcolumbre passaram quase três meses sem conversar. O afastamento ocorreu em virtude de uma sequência de atritos entre o Palácio do Planalto e o Senado.
Um dos principais episódios foi a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Alcolumbre comandou o processo no Senado que terminou em derrota para o governo.
A aproximação começou em 4 de agosto. Lula e Alcolumbre participaram de um jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes.
Na quarta-feira 12, Lula recebeu o presidente do Senado no Palácio da Alvorada. A conversa durou cerca de duas horas.
Após a reunião, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, disse que o diálogo havia sido retomado. Ele classificou a reconciliação como um “passo gigantesco” para a agenda do governo no Senado.
Alcolumbre adotou um tom mais cauteloso naquele momento. Disse que a conversa tratou da “relação institucional do futuro” e evitou falar em “paz e amor”.
Cinco dias depois, o senador elogiou Lula publicamente no Amapá.
A retomada do diálogo não significou apoio automático à agenda do governo no Congresso.
Até a semana passada, duas medidas defendidas pelo Planalto ainda aguardavam despacho inicial de Alcolumbre no Senado: as propostas de emenda à Constituição (PECs) sobre o fim da escala 6×1 e sobre Segurança Pública.
Alcolumbre fala em soberania
O presidente do Senado também falou sobre soberania durante o evento. Alcolumbre criticou países que, segundo ele, tentam interferir nas decisões brasileiras.
“Não só por parte de brasileiros que não compreendem a importância da soberania energética, sobretudo aqueles outros países que, infelizmente, insistem em querer tutelar o futuro do Brasil e dos brasileiros”, afirmou.
Alcolumbre também colocou o Congresso ao lado do governo na defesa da exploração dos recursos brasileiros.
“Sob a sua liderança e a trincheira de defesa do Congresso, dizemos de uma vez por todas: deixem que nós, brasileiros, que lutamos pela defesa do Brasil, decidamos o que queremos para o Brasil”, declarou.
A manifestação ocorreu em meio ao anúncio da Petrobas de identificação de hidrocarbonetos no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.
A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural. Ainda não há confirmação de que a reserva possa ser explorada comercialmente.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que uma eventual produção na região pode começar em até sete anos.
A exploração da Margem Equatorial é defendida há anos por Alcolumbre. O senador tem o Amapá como base eleitoral.
Depois do anúncio da Petrobras, ele afirmou que foram “anos de luta” para permitir a pesquisa das riquezas da região. Segundo Alcolumbre, uma eventual exploração pode gerar emprego e renda.
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