Amiga de Lulinha pede ao STF arquivamento de investigação
A defesa da empresária Roberta Luchsinger protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que o ministro André Mendonça determine a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo arquivamento das investigações contra ela.
A defesa da empresária Roberta Luchsinger protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que o ministro André Mendonça determine a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo arquivamento das investigações contra ela.
Os advogados sustentam que não existem "elementos concretos que apontem para a prática de qualquer irregularidade" e afirmam que a apuração conduzida pela Polícia Federal (PF) extrapolou seu objeto ao avançar sobre a vida pessoal da empresária.
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Luchsinger esteve no foco de uma investigação da PF que apura a relação entre o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em dezembro, ela foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma etapa da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de desvios envolvendo aposentadorias do INSS.
Amiga de Lulinha não quer ser identificada assim
Na petição apresentada ao STF, os advogados Bruno Salles e Marco Antonio Chies Martins afirmam que a empresária já comprovou "a regularidade de sua atuação profissional e dos serviços prestados à empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, consistentes em estudos relativos à regulação do canabidiol no Brasil, pela qual recebeu remuneração regular, devidamente formalizada mediante a emissão das correspondentes notas fiscais".
A defesa também sustenta que a amizade entre Luchsinger e Lulinha "é estritamente pessoal e não guarda qualquer relação com os fatos investigados". Segundo os advogados, eles ainda não tiveram acesso à íntegra do material reunido pela PF e o caso tem sido marcado por "vazamentos seletivos" para a imprensa.
"Some-se a isso o fato de a investigação em relação à peticionária já ter esgotado seu objeto e o que se observa é a abertura sucessiva de novas linhas investigatórias que, à míngua de qualquer lastro probatório, avançam sobre a vida pessoal de Roberta e suas relações privadas, configurando pescaria probatória", diz outro trecho da petição.
Os defensores argumentam ainda que não se pode descartar uma motivação política para a continuidade da investigação em razão da amizade pública da empresária com o filho do presidente, que disputará a reeleição.
"A peticionária não pode, contudo, ser arrastada para essa odiosa campanha difamatória apenas por sua amizade pública com o filho do presidente da República", afirmam. "Sua trajetória vem sendo rasgada e sua própria personalidade vem sendo deformada como mera 'amiga' de alguém. Alguém cujo impacto político poderá ser determinante para o processo eleitoral."
No curso da investigação, a PF informou ter identificado transferências que somam R$ 1,5 milhão de uma empresa ligada ao Careca do INSS para uma companhia de Luchsinger. Em uma mensagem apreendida pelos investigadores, o lobista orienta um operador a transferir R$ 300 mil para uma empresa registrada em nome da empresária.
Questionado sobre o destinatário final dos recursos, respondeu que o dinheiro seria destinado ao "filho do rapaz".
A partir desse diálogo, a PF passou a investigar se a expressão fazia referência a Fábio Luís Lula da Silva e se o filho do presidente atuaria como um "sócio oculto" do lobista. Tanto Luchsinger quanto os demais investigados negam essa hipótese.
Segundo a Polícia Federal, os pagamentos à empresa da empresária teriam sido justificados por serviços que não teriam sido efetivamente prestados. A defesa rejeita essa conclusão e afirma que os trabalhos foram realizados e devidamente comprovados por documentação apresentada aos investigadores.
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