Amorim escala tensão com os EUA na Câmara
O assessor especial da Presidência da Repúblic para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, elevou o tom contra os Estados Unidos durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (Credn) da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 12. O assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “bizarra” a condução da indicação de Daniel Perez para a embaixada n
O assessor especial da Presidência da Repúblic para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, elevou o tom contra os Estados Unidos durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (Credn) da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 12.
O assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “bizarra” a condução da indicação de Daniel Perez para a embaixada norte-americana no Brasil. Ele também acusou Washington de agir de forma contrária às regras internacionais e associou o avanço do processo, “às pressas”, à proximidade das eleições brasileiras.
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Amorim contestou especialmente o fato de o nome de Daniel Perez ter sido anunciado publicamente e avançado no processo de confirmação pelo Senado norte-americano antes de o Brasil conceder o agrément — manifestação pela qual o país que receberá um chefe de missão diplomática comunica sua concordância com a indicação.
“O que aconteceu bizarramente nesse caso é que os Estados Unidos não seguiram de maneira nenhuma as convenções internacionais. Primeiro, eles deram publicidade antes da concessão do agrément e, talvez mais grave, eles prosseguiram com o processo dentro do Senado americano sem ter o agrément brasileiro”, disse. “Este é um comportamento totalmente contrário às regras internacionais.”
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Ao abordar o momento escolhido por Washington para movimentar a indicação, o assessor de Lula foi além da crítica aos procedimentos diplomáticos e levantou dúvidas sobre as razões para o avanço do processo justamente neste ano.
“E é curioso porque eu acho que essas coisas não podem ser vistas em abstrato. Isso não aconteceu por acaso”, prosseguiu. “Os Estados Unidos ficaram mais de um ano e meio sem embaixador aqui, quer dizer, logo que saiu o governo Biden, a embaixadora saiu, e ficou um ano e meio. Pareceu que o Brasil não tinha importância, ficava aqui o encarregado de negócios. De repente, na proximidade das eleições, às pressas, sem nosso consentimento, quis acreditar um outro embaixador.”
Impasse em torno do novo embaixador
Daniel Perez foi escolhido por Donald Trump para assumir a representação diplomática dos Estados Unidos no Brasil. Filho de imigrantes cubanos, o republicano preside a Câmara dos Deputados da Flórida.
A indicação já recebeu parecer favorável em comissão do Senado norte-americano, mas ainda depende da aprovação do plenário. Para assumir efetivamente o posto em Brasília, Perez também precisa receber o agrément brasileiro.
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No início de agosto, o Departamento de Estado anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, relacionando a medida à ausência de uma resposta do Brasil sobre o indicado de Trump. Segundo a posição divulgada pelo governo norte-americano, a restrição poderá ser revertida caso Brasília conceda a autorização.
O posto está sem um embaixador dos Estados Unidos desde janeiro de 2025, quando terminou a missão de Elizabeth Bagley. Desde então, a representação diplomática norte-americana no Brasil é conduzida pela encarregada de negócios Natasha Franceschi.
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