Ao defender Moraes e alfinetar Flávio, Alcolumbre eleva tensão com a oposição
A reação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), à cobrança da oposição pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), elevou a tensão na Casa. Senadores ouvidos reservadamente por Oeste demonstraram incômodo com a atuação do parlamentar. Na sessão plenária de quarta-feira 2, Alcolumbre saiu em defesa de Moraes, e mandou indiretas ao candidato
A reação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), à cobrança da oposição pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), elevou a tensão na Casa. Senadores ouvidos reservadamente por Oeste demonstraram incômodo com a atuação do parlamentar.
Na sessão plenária de quarta-feira 2, Alcolumbre saiu em defesa de Moraes, e mandou indiretas ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ):
“Terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes.”
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Nos bastidores, a manifestação foi interpretada por oposicionistas como um sinal de proximidade política de Alcolumbre com Moraes.
“A resposta do Alcolumbre mostrou uma ligação umbilical, cada vez maior, com Alexandre de Moraes e com o próprio governo”, disse um senador, de forma reservada. “A abertura do processo de impeachment é a libertação de todos esses.”
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Outro integrante da oposição também criticou o posicionamento do presidente do Senado diante de “toda essa podridão que está acontecendo”. “É necessário que todos os esclarecimentos sejam feitos e que a investigação seja profunda em relação a qualquer autoridade pública.”
O cálculo em torno da 6x1
O mal-estar também alcança a condução da PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1. A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quarta-feira e está pronta para avançar ao plenário.
A expectativa inicial de integrantes da base de Lula era votar a proposta já durante o esforço concentrado desta semana. Alcolumbre, porém, não pautou o texto, e a votação deve ficar para depois do primeiro turno das eleições.
Entre os senadores de oposição, há duas leituras diferentes sobre o adiamento, embora ambos enxerguem forte componente eleitoral na tramitação.
“Eu acho isso uma politicagem da mais barata”, disse um parlamentar, de forma reservada.
Já outro senador analisou que nem mesmo o governo teria interesse, neste momento, em concluir a votação: “Se quisesse tratorar, tinha tratorado”.
Na avaliação dele, fazer a PEC avançar na CCJ já permitiria a Lula explorar eleitoralmente a proposta sem assumir imediatamente o impacto da medida sobre empresas e empregadores.
“O governo, quando quer, tem maioria e atropela. Por que não atropelou e pautou ontem mesmo? Não é porque não tinha voto”, afirmou.
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