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Argentina lamenta rebaixamento das relações diplomáticas com o Brasil

O governo argentino divulgou nota oficial nesta terça-feira, 5, em resposta à decisão do governo brasileiro de rebaixar as relações diplomáticas entre os dois países. A chancelaria argentina lamentou a medida, que incluiu a dispensa do embaixador Guillermo Daniel Raimondi e a redução do contato ao encarregado de negócios em Brasília, e atribuiu a decisão a motivações políticas e ideológicas.

O governo da Argentina comentou, nesta terça-feira, 5, a decisão do governo Lula de rebaixar as relações diplomáticas com o país. Em nota oficial, a Chancelaria argentina lamentou a medida anunciada pelo Itamaraty, que dispensou o embaixador Guillermo Daniel Raimondi e informou que passará a manter interlocução apenas com o encarregado de negócios da representação argentina em Brasília.

No comunicado, o governo do presidente Javier Milei atribuiu a decisão brasileira a motivações políticas. "A República Argentina toma nota da decisão adotada unilateralmente pelo Governo da República Federativa do Brasil e lamenta a sua decisão de continuar isolando-se do resto da região por questões puramente ideológicas", afirmou.

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A nota sustenta que divergências políticas entre autoridades dos dois países não deveriam resultar em sanções diplomáticas. Segundo a Chancelaria, "nestes últimos anos, produziram-se numerosos episódios de expressões e apoios políticos cruzados entre dirigentes de ambos os países".

https://twitter.com/Cancilleria_Ar/status/2084818888693330293

"Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Esse critério é o que a Argentina sustenta hoje", declarou o governo argentino.

O comunicado termina com uma defesa da condução da política externa do país. "A República Argentina reafirma que as relações entre os Estados devem responder aos interesses permanentes dos seus povos e não ficar subordinadas às necessidades políticas e/ou pessoais dos governantes de turno."

A nota conclui que a política externa argentina continuará orientada "exclusivamente pela defesa do interesse nacional, da soberania e do mandato conferido pelo povo argentino".

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Brasil retirou embaixador da Argentina

A decisão do Itamaraty ocorre em meio ao agravamento da crise entre Brasília e Buenos Aires. Durante o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), em São Paulo, Javier Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "ladrão" e "presidiário". Na mesma ocasião, referiu-se ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como "lixo careca".

Dias depois, durante a convenção nacional do PSB, Lula respondeu às declarações. O presidente brasileiro chamou Milei de "coisa", classificou as críticas como "papagaiada", convocou o embaixador Guillermo Daniel Raimondi para prestar esclarecimentos e determinou o retorno do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Glinternick Bitelli, a Brasília.

No último domingo, 2, em entrevista à emissora argentina LN+, Milei voltou a criticar o presidente brasileiro. "O que é agressivo é quando alguém rouba, é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", afirmou. Em seguida, acrescentou: "Ele é um vigarista e um ladrão, é um condenado".

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