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Arqueólogos descobrem único banho público islâmico conhecido em Portugal

Durante a reforma de uma antiga residência em Loulé, sul de Portugal, trabalhadores encontraram um hammam, casa de banhos pública do período islâmico. O achado é o único do tipo já identificado no país.

Durante uma reforma em uma antiga residência localizada no sul de Portugal, trabalhadores se depararam com um achado que mudou o entendimento sobre o passado de Loulé. Sob a estrutura do imóvel, arqueólogos identificaram um hammam, casa de banhos pública do período islâmico, que se tornou a única de seu tipo conhecida em território português.

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A revelação ocorreu depois da aquisição do prédio pela Câmara Municipal de Loulé em 2006. Embora houvesse suspeitas de que a região abrigasse vestígios históricos relevantes, a presença de um hammam bem preservado surpreendeu a equipe envolvida nas escavações.

"Foi realmente uma grande sorte, um tesouro que nós tínhamos enterrado aqui debaixo de Loulé", afirmou o arqueólogo Rui de Almeida, que participou das investigações, conforme relatado pelo Globo Repórter.

A importância histórica e cultural do hammam

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As escavações, realizadas ao longo de vários anos, permitiram confirmar que a estrutura descoberta era uma casa de banhos pública do período de Al-Andalus, época em que parte da Península Ibérica esteve sob domínio muçulmano. Os hammams, além de servirem à higiene, funcionavam como espaços de interação social nas cidades daquela era.

O achado trouxe novo destaque ao patrimônio cultural de Loulé. Em 2022, o local foi convertido em museu e, em 2023, recebeu o reconhecimento de Monumento Nacional. Rui de Almeida explicou à Globo que o sítio arqueológico se tornou a principal atração aberta ao público em Portugal e projetou a cidade no cenário do turismo cultural.

Herança moura em Loulé e no sul de Portugal





Loulé, que conta com cerca de 15 mil habitantes, mantém outros vestígios da presença islâmica. Entre eles, um castelo do século VIII e um mercado municipal inspirado na arquitetura moura. O nome da cidade tem origem no termo árabe Al-Ulyã, que significa "a superior", em referência à posição geográfica elevada da região.

Há, ainda, a continuidade da influência moura em elementos culturais portugueses. Em Faro, um ateliê confecciona azulejos hispano-mouriscos por mãe e filho, seguindo métodos tradicionais. A palavra "azulejo" deriva do árabe al-zulayj, que significa "pedra polida", evidenciando raízes históricas do período de domínio mouro na Península Ibérica.

Leia também: "Uma potência chamada soja", reportagem de Uiliam Grizafis publicada na Edição 332 da Revista Oeste

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