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Associação de jornalismo critica quebra de sigilo de fonte no Maranhão

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou, nesta quarta-feira, 12, a operação que revelou a identidade de uma fonte do jornalista Luís Pablo, no Maranhão. A manifestação ocorreu depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou buscas contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do estado.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) criticou nesta quarta-feira, 12, a operação que revelou a identidade de uma fonte do jornalista Luís Pablo, no Maranhão. A entidade publicou uma nota depois de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar buscas contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Estado.

Cutrim aparece na decisão como fonte de reportagens publicadas por Luís Pablo sobre Flávio Dino, também ministro do STF. A Polícia Federal pediu as medidas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) deu parecer favorável.

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A Abraji afirmou que a decisão representa uma violação do sigilo de fonte. “O sigilo da fonte é uma garantia constitucional”, declarou a entidade. A associação também afirmou que autoridades podem contestar conteúdos jornalísticos por meios legais.

“Qualquer pessoa, incluindo autoridades, pode recorrer a meios legais para questionar um conteúdo jornalístico que entenda estar incorreto”, diz a nota.

Entidade cita garantia constitucional do jornalismo

A Constituição Federal assegura o acesso à informação e determina o resguardo do sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional. A regra está no artigo 5º, inciso XIV.

No caso investigado por Moraes, a PF aponta Cutrim como uma das pessoas que forneciam informações ao jornalista. Segundo a investigação, o ex-secretário teria consultado sistemas restritos para obter dados posteriormente utilizados nas reportagens. A apuração também envolve Diogo Diniz Lima, apontado como outro informante.

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As reportagens de Luís Pablo tratavam, entre outros assuntos, do uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares de Dino. O próprio jornalista já havia sido alvo de busca e apreensão em março, em uma investigação relacionada às publicações.

A Abraji afirmou que a investigação de possíveis crimes deve ocorrer sem atingir a proteção constitucional destinada aos jornalistas. “Se existe necessidade de apurar algum crime, que isso seja feito sem violar ou relativizar uma garantia constitucional dos jornalistas”, declarou.

Leia mais: "O homem da lei", artigo de Augusto Nunes publicado na Edição 334 da Revista Oeste

A entidade também disse que a atuação estatal não pode gerar dúvidas sobre a proteção de direitos. “A atuação de órgãos de Estado não pode deixar dúvidas, nem utilizar a lei para ameaçar direitos constitucionais”, afirmou.

A manifestação ocorre no mesmo dia em que outras entidades do setor também criticaram a operação.

Leia a nota da Abraji na íntegra

"A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) manifesta profunda preocupação e condena a quebra de sigilo de fonte de um jornalista no Maranhão, que publicou uma reportagem sobre o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino, e resultou em uma ação de busca e apreensão nesta terça-feira (11/08/2026).

A Abraji reforça que o sigilo da fonte é uma garantia constitucional. Qualquer pessoa, incluindo autoridades, pode recorrer a meios legais para questionar um conteúdo jornalístico que entenda estar incorreto. Apreender equipamento jornalístico e quebrar a fonte do profissional colocam em risco o exercício da profissão no país. Se existe necessidade de apurar algum crime, que isso seja feito sem violar ou relativizar uma garantia constitucional dos jornalistas mas que também é crucial para a própria solidez da democracia.

A atuação de órgãos de Estado não pode deixar dúvidas, nem utilizar a lei para ameaçar direitos constitucionais, sob pena de prejudicar o Estado Democrático de Direito.

Diretoria da Abraji, 12 de agosto de 2026."

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