Atividade econômica avança 0,1% em maio, mas ritmo desacelera
A economia brasileira registrou crescimento de 0,1% em maio, acima das expectativas do mercado financeiro, que previa estabilidade. No entanto, o ritmo de expansão perdeu força em relação ao mês anterior, segundo o Índice de Atividade Econômica, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB).
A atividade econômica do Brasil registrou uma leve aceleração em maio deste ano, acima das estimativas do mercado financeiro, mas desacelerou na comparação com o mês anterior. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 17, pelo Banco Central (BC).
Segundo a autoridade monetária, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma espécie de “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB) do país, teve uma oscilação positiva de 0,1% em maio.
O indicador veio ligeiramente acima da média das projeções do mercado financeiro, que eram de crescimento nulo (variação de 0%).
No entanto, o resultado confirma a desaceleração da economia brasileira, já verificada em outros levantamentos. Em abril, o IBC-Br havia registrado alta de 0,4% (dado revisado).
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De acordo com os dados do BC, a agropecuária recuou 1% em maio, na comparação com abril, pressionando o índice. A indústria, por sua vez, registrou alta de 0,4%. Os serviços tiveram um avanço tímido de 0,1%.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o IBC-Br avançou 0,8%. No acumulado de 12 meses até maio, a alta foi de 1,4%.
De acordo com a edição mais recente do Relatório Focus, do BC, que reúne estimativas do mercado sobre diversos indicadores da economia brasileira, o PIB do país deve fechar 2026 em alta de 1,99%. Para 2027, a projeção é um crescimento de 1,65%.
Análise
Segundo Matheus Pizzani, economista do PicPay, o comportamento do índice foi semelhante ao observado nas pesquisas setoriais divulgadas pelo IBGE.
“A tendência natural de desaceleração ganhou um catalisador importante em 2026 na figura do choque de oferta resultante do conflito no Oriente Médio, que corroeu o nível de renda disponível das famílias, concentrando suas respectivas cestas de consumo em itens essenciais, como os alimentos”, avalia.
Para o economista, o cenário observado até aqui no segundo trimestre “deve ditar a tônica do ritmo de expansão da atividade no decorrer dos próximos períodos, com ganho de tração apenas gradual após o crescimento mais tímido entre abril e junho”.
“Fatores exógenos, como eventuais choques de oferta resultantes da instabilidade geopolítica global ou em função de condições climáticas adversas, bem como a implementação de medidas fiscais de dinamização da demanda agregada no curto prazo, seguem como riscos de cauda com probabilidade incerta de materialização, fazendo com que a participação relativa dos elementos estruturais da economia sejam centrais do ponto de vista das projeções”, completa Pizzani.
IBC-Br
Apontado como a “prévia” do PIB do Brasil, o IBC-Br traz estimativas de crescimento para a agropecuária, a indústria e os serviços. O cálculo é feito com ajuste sazonal, o que permite comparar períodos diferentes.
O índice é uma das ferramentas utilizadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país, a Selic.
O PIB, por sua vez, é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos pelo país.
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