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Automatização no Missão e no TSE explica ‘filiação’ de Flávio

O senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrentou o travamento da sua candidatura à Presidência a dois dias do fim do prazo oficial por causa de um circuito de automatização dupla. O sistema do partido Missão enviou a ficha do parlamentar de forma automática para a Justiça Eleitoral, e o banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) efetivou o registro de maneira mecânica. + Entenda o que é Polí

O senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrentou o travamento da sua candidatura à Presidência a dois dias do fim do prazo oficial por causa de um circuito de automatização dupla. O sistema do partido Missão enviou a ficha do parlamentar de forma automática para a Justiça Eleitoral, e o banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) efetivou o registro de maneira mecânica.

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A confirmação dada pela própria legenda de Renan Santos à reportagem de Oeste mostrou que a transferência de partido não dependeu de ação manual de seus dirigentes. A automação nas duas pontas liberou o cadastro e acionou o cancelamento automático da filiação do parlamentar ao PL, como explicam as regras do próprio TSE.

A trava do PT e a brecha no site do Missão

A fragilidade do Missão decorre da ausência de filtros na sua plataforma digital. A reportagem de Oeste testou o formulário do partido e constatou que a página aceita a inscrição de qualquer eleitor e repassa a ficha sem checar a identidade do usuário.

A facilidade do sistema do Missão contrasta com a trava de segurança adotada por outros partidos. Ao tentar cadastrar os dados de Flávio Bolsonaro no site do PT, por exemplo, a página bloqueia o processo imediatamente e exibe a mensagem: "Essa pessoa foi candidata por outro partido ou é uma liderança política de reconhecida expressão. O pedido de filiação deve ser solicitado através da Secretaria Estadual de Organização e confirmado pela Comissão Executiva Estadual".

https://twitter.com/FlavioBolsonaro/status/2087950378373373995

Dirigentes do Missão deram declarações divergentes sobre o episódio. Rafael Rizzo, da comunicação da sigla, disse na rede social X que "alguém usou o e-mail do senador para clicar no link de confirmação". Renan Santos seguiu a tese e afirmou que "nós temos como COMPROVAR que alguém acessando o e-mail do Flávio apertou o botão de confirmação da filiação".

Ao testar a filiação com outros dados, contudo, o e-mail automático disparado pela própria legenda de Renan Santos afirma que a ficha de inscrição é revisada pela equipe: "Nas próximas horas, seu cadastro será revisado por nossa equipe. Assim que a revisão for concluída, seus dados serão inseridos no registro oficial de filiados do Partido Missão no TSE". Não há nenhum botão para confirmação em parte alguma no corpo da mensagem.

Cadastro com 'Rua dos Bandidos' e o alerta do TSE

Um relatório interno da equipe de tecnologia do Missão, obtido por Oeste, revela que um terceiro fez o cadastro em 2 de agosto com uso do e-mail do parlamentar, mas preencheu o CPF falso "123.456.789-09" e o endereço "Rua Dos Bandidos, nº 666, Bairro Miliciano". Sem a conclusão do pagamento de uma taxa via Pix, a plataforma converteu a ficha para o plano gratuito em 12 de agosto e transmitiu os dados ao TSE por rotina do software.

https://twitter.com/RenanSantosMBL/status/2087958257478299847

A assessoria do TSE afirmou à reportagem que o cadastro na plataforma é de inteira responsabilidade dos partidos, alegando que o tribunal não tem a capacidade de alterar os dados enviados, neste caso, pelo Missão.

PL fala em sabotagem

O gabinete do senador nega qualquer pedido de inscrição e classifica o episódio como "sabotagem para prejudicar o registro da chapa". Os advogados de Flávio Bolsonaro acionaram o TSE e a PF para anular a transferência e reverter o desligamento do PL. A reversão foi confirmada nesta quinta-feira, 13

Nos próximos dias, a investigação deve focar o rastreamento do endereço de IP registrado no servidor no momento do preenchimento do formulário falso. Como o envio ao TSE ocorreu por rotina automática do sistema do Missão, a identificação do autor da fraude depende da perícia digital sobre quem inseriu os dados falsos em 2 de agosto.

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