Avanço de houthis sobre costa do Iêmen amplia tensão no Oriente Médio
Nos últimos dias, os houthis ampliaram seu domínio sobre a costa ocidental do Iêmen e avançaram para posições estratégicas no Estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais rotas marítimas do mundo. Na última sexta-feira, 11, o grupo apoiado pelo Irã anunciou a conquista de seis distritos que estavam sob controle de forças apoiadas pelos sauditas. A ofensiva, a mais significativa do grupo em anos,
Os houthis ampliaram nos últimos dias seu domínio sobre a costa ocidental do Iêmen, em uma ofensiva que levou o grupo apoiado pelo Irã a posições estratégicas no Estreito de Bab el-Mandeb, uma das principais rotas marítimas do mundo. Na última sexta-feira, 11, o grupo anunciou a conquista de seis distritos anteriormente controlados por forças apoiadas pelos sauditas.
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O avanço, o mais significativo do grupo em anos, incluiu a tomada de Mokha, Dhubab e da Ilha de Perim. Enquanto o mundo dá atenção ao conflito entre Irã e Estados Unidos e às ações de Israel, em Gaza e no Líbano, além dos combates entre Rússia e Ucrânia, no Iêmen, a guerra se intensificou. A nova escalada entre os houthis e forças apoiadas pelos sauditas teve início em meados de julho.
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Nos últimos dias, os sauditas voltaram a bombardear posições houthis no Iêmen, enquanto os terroristas atacam território saudita com mísseis e drones. Na terça-feira 8, ataques houthis contra instalações sauditas deixaram 73 feridos; no dia seguinte, os eles disseram ter sofrido 54 ataques aéreos sauditas em 12 horas.
A movimentação dos houthis aumenta a capacidade de o grupo pressionar a Arábia Saudita e ameaçar o tráfego pelo Mar Vermelho, que ganhou importância ainda maior diante das restrições à navegação no Estreito de Ormuz.
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O presidente do Conselho de Liderança Presidencial, Rashad al-Alimi, que comanda o governo iemenita reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita, prometeu reagir ao avanço houthi e recuperar as áreas perdidas.
Os houthis declaram que a navegação internacional permanece segura, mas mantém um bloqueio contra embarcações sauditas. Seu porta-voz militar, Yahya Saree, declarou que a medida continuará enquanto persistirem o que chamou de agressão e bloqueio contra o Iêmen. Forças ligadas ao governo iemenita reconhecido internacionalmente preparam uma contraofensiva para recuperar as áreas perdidas.
Na prática, o objetivo dos houthis é evidente: o Estreito de Bab el-Mandeb, na outra extremidade da Península Arábica. O estreito fica entre o Iêmen e o Chifre da África que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra outra das principais rotas marítimas de comércio no mundo.
EUA ajudam Arábia Saudita na luta contra os houthis
O conflito iemenita, neste novo cenário, deixou de ser novamente apenas um problema interno e tornou-se uma segunda frente da guerra regional e uma ameaça direta a outra artéria mundial de petróleo e comércio.
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A escalada levou os EUA a reforçar a assistência à Arábia Saudita. Mais de cem militares norte-americanos estariam fornecendo inteligência, dados geoespaciais e auxílio na identificação de alvos para a campanha contra os houthis.
O risco é de que uma guerra prolongada nesta nova frente aumente ainda mais a tensão na região. Ela ainda prevalece no Estreito de Ormuz, passagem fundamental para o comércio de petróleo.
Dois navios foram atingidos no estreito, segundo a United Kingdom Maritime Trade Operations. Pessoas que estavam em uma embarcação próxima relataram ter visto quatro projéteis não identificados acertarem os navios perto da costa de Omã. Um deles pegou fogo.
Início da guerra
A guerra teve início como um conflito civil iemenita. O movimento houthi, considerado terrorista pelos EUA e por Israel, entre outros, oficialmente Ansar Allah, nasceu no norte do Iêmen e travava rebeliões contra o governo central desde os anos 2000.
O Iêmen era governado por Ali Abdullah Saleh, ditador do país havia mais de três décadas. Ele se tornou presidente do Iêmen do Norte em 1978 e, quando Norte e Sul se unificaram em 1990, passou a presidir o Iêmen unificado. Quando chegaram os protestos de 2011, iniciados na Tunísia, ele já estava no poder havia cerca de 33 anos.
Depois da Primavera Árabe e da queda de Ali Abdullah Saleh, a transição política causou insatisfação na população. Motivo: quando a situação de Saleh se tornou insustentável, o Conselho de Cooperação do Golfo — com protagonismo saudita — negociou um acordo de transição entre o governo e a oposição política organizada.
O acordo, assinado por Saleh em 23 de novembro de 2011, estabeleceu o presidente Abd Rabbu Mansour Hadi, que era o vice de Saleh, como candidato de consenso para conduzir a transição. O próprio mecanismo do acordo o designava expressamente como esse candidato.
A eleição de 21 de fevereiro de 2012 foi peculiar: Hadi era o único candidato. Na prática, funcionava mais como um referendo para legitimar a transição, mas manter o regime no poder.
Em 2014, os houthis aproveitaram a brecha causada pela insatisfação da população e tomaram Sanaa, a capital, e avançaram pelo país. No começo de 2015, Hadi acabou fugindo. Em seu lugar, entrou al-Alimi, com apoio saudita.
Em março de 2015, a Arábia Saudita entrou formalmente na guerra. Riad formou uma coalizão e interveio militarmente para tentar restaurar o governo de Hadi e impedir que os houthis consolidassem o controle do Iêmen.
Para os sauditas havia ainda uma questão estratégica fundamental: aceitar um movimento armado apoiado pelo Irã (que nega apoio aos houthis), dominando o país vizinho, significava permitir que um aliado de seu principal rival regional se estabelecesse justamente na sua fronteira sul.
A guerra foi devastadora, mas em 2022 ocorreu uma trégua. Embora ela não tenha produzido um tratado de paz definitivo, o confronto direto entre Arábia Saudita e houthis caiu drasticamente e essa relativa calma durou cerca de quatro anos. Até o último mês de julho.
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