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Banco Mundial retira empréstimo dado a empresa ligada a desmatamento no Brasil

Suspensão ocorre após grupos ambientalistas e de defesa dos direitos indígenas pressionarem o banco a reconhecer as preocupações ambientais.

Infelizmente, os bancos de desenvolvimento mundiais continuam financiando a expansão de grandes operações agropecuárias que afetam o clima. Mas às vezes a mobilização de organizações da sociedade civil consegue reverter esse movimento, evitando que recursos que poderiam ser destinados a ações de mitigação e adaptação climática ou a outros fins mais benéficos ao planeta acabem nas mãos erradas.

Ativistas climáticos e ambientais informaram que o braço de empréstimos privados do Banco Mundial retirou o financiamento à Agronorte, empresa brasileira que atua em diferentes etapas da cadeia agropecuária, desde a comercialização de grãos até a fabricação de rações e a logística. Uma coalizão de grupos ambientalistas afirmou que a Corporação Financeira Internacional (IFC, sigla em inglês) não dará prosseguimento a um empréstimo de US$ 20 milhões (R$ 100 milhões) ao grupo, após ativistas e o Povo Apinajé pedirem que a instituição suspenda o financiamento.

Em maio, mais de 100 grupos de defesa de direitos e grupos indígenas, organizados pela coalizão Stop Financing Factory Farming, enviaram uma carta à IFC — a maior instituição financeira de desenvolvimento do mundo, focada em investimentos do setor privado em países de baixa renda. Os grupos pediram o cancelamento do empréstimo anunciado em março, informou a Repórter Brasil em abril.

A IFC não respondeu às perguntas da Inside Climate News, mas removeu o empréstimo da Agronorte de seu portal de divulgação. A unidade da empresa que seria beneficiada pelo financiamento, em Tocantinópolis (TO), processa soja para ração animal e fica a mais de 1.600 quilômetros ao sul do Território Apinajé. No entanto, os grupos argumentam que ela aumentaria a pressão pela produção do grão em sua região.

Os grupos chamaram a atenção da IFC para o fundador e principal acionista da Agronorte, Gilmar Gonçalves Carvalho. O empresário está enfrentando um processo federal no Brasil, no qual é acusado, juntamente com seus sócios, de desmatar ilegalmente quase 2 mil hectares de floresta na divisa com Terras Indígenas.

“Há muitos anos lutamos contra o dono da Agronorte”, disse um líder do Povo Apinajé em um comunicado divulgado pela coalizão que preferiu se identificar por questões de segurança. Defensores do meio ambiente estão entre os ativistas mais perseguidos no mundo, inclusive no Brasil. O país é o 2º mais perigoso do mundo para ativistas, atrás apenas da Colômbia, destaca o relatório anual da Global Witness.

Os grupos salientaram que a própria IFC reconheceu que a Agronorte não possui sistemas implementados para garantir que a soja que processa não seja cultivada em terras desmatadas ilegalmente. “Financiar uma empresa envolvida em conflitos fundiários e acusada de desmatamento ilegal não está alinhado com as políticas da IFC, nem com os objetivos do Acordo de Paris ou da Estrutura Global para a Biodiversidade”, escreveram, acrescentando que o cultivo de grãos em larga escala e em monocultura pouco contribui para a missão do banco de erradicar a fome, visto que a maior parte da produção da Agronorte se destina à exportação de ração animal.

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Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/10/22/banco-mundial-retira-emprestimo-dado-a-empresa-ligada-a-desmatamento-no-brasil/

Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello

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