Bancos restringem benefícios de cartões premium e elevam custos
Após uma onda de lançamentos de cartões de alta renda, grandes bancos como Santander, Bradesco e BB estão reduzindo benefícios e aumentando anuidades, movimento que tende a se espalhar pelo mercado.
Depois de uma onda de lançamentos de cartões voltados ao público de alta renda, grandes bancos começaram a restringir benefícios e aumentar os custos para os clientes.
Instituições como Santander, Bradesco, Banco do Brasil e BRB revisaram regras de acesso às salas VIP em aeroportos e elevaram o valor das anuidades, em um movimento que, segundo especialistas, deve se espalhar pelo mercado.
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A mudança ocorre depois de anos de forte expansão dos cartões premium. Para Jeff Patzlaff, planejador financeiro certificado (CFP), a estratégia agressiva adotada pelos bancos acabou superlotando as salas VIP, reduzindo a exclusividade do serviço.
Além disso, a valorização do dólar elevou os custos de manutenção desses espaços, tornando o benefício cada vez mais caro para as instituições financeiras.
Mudanças dos bancos
O Santander passou a exigir gastos acumulados entre R$ 15 mil e R$ 30 mil nos últimos três meses para liberar o acesso às salas VIP em parte de seus cartões premium. Segundo o banco, a medida busca preservar a qualidade da experiência e garantir a sustentabilidade do benefício no longo prazo.
O Bradesco também revisou sua política. Desde março, clientes do cartão Aeternum deixaram de ter acesso às salas pelo programa LoungeKey, mantendo apenas os benefícios oferecidos pelo Visa Airport Companion e pelos Bradesco Lounges espalhados em aeroportos brasileiros.
As mudanças também chegaram às anuidades. O Banco do Brasil reajustou o valor do cartão BB Altus de R$ 1,8 mil para R$ 4 mil por ano, um aumento de cerca de 122%. Já o BRB elevou a anuidade do cartão Dux de R$ 1.680 para R$ 4,8 mil, alta de 185,7%, além de endurecer as exigências para isenção da tarifa e para o acesso às salas VIP.
Avaliações de especialistas
Especialistas recomendam que os clientes façam uma análise do custo-benefício antes de manter esses produtos. Segundo Patzlaff, gastar mais apenas para atingir as metas exigidas pelos bancos pode representar um prejuízo maior do que pagar a própria anuidade.
Para Leonardo Cassol, diretor das plataformas Melhores Cartões e Melhores Destinos, a tendência é que outras instituições adotem medidas semelhantes. Segundo ele, muitos clientes mantêm os chamados "cartões de gaveta", usados apenas para acumular benefícios, sem movimentação financeira suficiente para justificar os custos do produto.
Na avaliação de Boanerges Ramos Freire, sócio da Boanerges & Cia Consultoria, restringir o acesso às salas VIP pode melhorar a experiência dos usuários, mas os bancos precisam agir com cautela para não desagradar clientes do topo da pirâmide de renda.
Segundo ele, mudanças que reduzam a percepção de valor podem levar não apenas ao cancelamento do cartão, mas também à perda de investimentos e de outros produtos mantidos pelo cliente na instituição.
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Fonte: Revista Oeste · Por Rachel Díaz


