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Bolsonaro e Figueiredo testemunham contra tarifa dos EUA

Flávio Bolsonaro e Paulo Figueiredo testemunharão na terça-feira, 7 de julho de 2026, perante o USTR em Washington, argumentando que a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros beneficia o presidente Lula, que segundo eles é o único interessado no tarifaço, tendo criado as condições para a investigação e obstruído negociações.

Na terça-feira, 7 de julho de 2026, Flávio Bolsonaro e Paulo Figueiredo testemunharão perante o USTR em Washington — e o farão apresentando, em registros distintos, a mesma tese: a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros não pune o governo responsável pela conduta investigada; premia-o. Lula é o único ator que deseja o tarifaço. Foi ele quem criou as condições para a investigação, obstruiu negociações sérias, fez lobby em favor do PCC e do Comando Vermelho para que não fossem designados organizações terroristas — e que agora está pronto para transformar qualquer retaliação econômica americana numa narrativa de soberania ameaçada por traidores internos, impulsionando sua campanha às vésperas do pleito. Uma tarifa ampla seria, nas circunstâncias atuais, um presente ao incumbente disfarçado de sanção.

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O argumento de Figueiredo ao USTR é juridicamente preciso e estrategicamente eficaz: os EUA já possuem os instrumentos corretos, já os usaram, e os abandonaram sem contrapartida. As sanções Magnitsky contra Alexandre de Moraes foram o instrumento certo — atingiram o responsável e ninguém mais. Foram levantadas em dezembro de 2025 numa troca em que o Brasil, segundo a própria fonte da presidência brasileira ouvida pela Reuters, não ofereceu absolutamente nada. A única concessão atribuída ao governo — o projeto de anistia — era iniciativa da oposição, foi vetada por Lula, derrubada pelo Congresso, e suspensa por Moraes no dia seguinte à promulgação. Os EUA abriram mão do instrumento eficaz em troca de uma promessa que foi desfeita em 24 horas pelo homem que a promessa deveria ter constrangido.

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O que Flávio e Figueiredo estão pedindo a Washington é que volte ao que funcionava — e que desta vez vá mais fundo. Restabelecer as sanções contra Moraes é o passo mínimo. O passo necessário é estendê-las a Gilmar Mendes, o decano do STF e arquiteto intelectual do desmonte da Lava Jato, o qual afirmou publicamente que Lula e outros “só estão aqui porque o STF enfrentou a Lava Jato” — assumindo, com isso, a responsabilidade pela garantia de impunidade aos artífices do maior episódio de corrupção sistêmica da história recente do Brasil. Gilmar não é um personagem periférico do estado de exceção brasileiro, mas um de seus pilares estruturais, o jurista que forneceu a cobertura doutrinária para as sucessivas capitulações institucionais que tornaram possível o que Moraes pratica hoje com tamanha desenvoltura.

Os instrumentos existem: a Magnitsky, a revogação de vistos e outras sanções pertinentes. Eles são cirúrgicos, reversíveis e constitucionalmente sólidos — o oposto de uma tarifa que pune exportadores brasileiros, consumidores americanos e os próprios cidadãos vitimados pela censura investigada. Washington não precisa escolher entre agir e não agir; precisa escolher entre agir bem e agir mal. Na terça-feira, dois brasileiros vão a Washington tentar convencer o governo americano a fazer a escolha certa.

Leia também: "Flávio, sobre Lula: 'É o único que quer o tarifaço' dos EUA"

O post A tarifa certa no alvo errado apareceu primeiro em Revista Oeste.

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