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BR-319 impulsiona ocupação de áreas florestais no sul do Amazonas

Mesmo sem ter sido concluída, a obra da BR-319 já impulsiona a ocupação de áreas florestais no sul do Amazonas, por meio de vias clandestinas, e o avanço da agropecuária na região.

Como alertado por especialistas e ambientalistas, o asfaltamento do “trecho do meio” da rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, nem começou, mas já impulsiona a ocupação de áreas florestais no sul do Amazonas. Imagens de satélite do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostram a proliferação de pequenas vias clandestinas Floresta Amazônica adentro. Entre 2020 e 2025, a extensão da malha de estradas irregulares cresceu 70%, passando de 3,9 mil para 6,6 mil quilômetros. 

“Houve um crescimento que inclui vias inseridas próximas às áreas urbanas e aos acessos a propriedades agropecuárias, além da abertura e da expansão de ramais não oficiais. O crescimento da rede viária aumenta a acessibilidade a áreas que antes permaneciam mais isoladas, inclusive grandes extensões de floresta que ainda estão preservadas”, explicou Stefany Pinheiro, pesquisadora do Imazon, n’O Globo. 

O avanço de estradas clandestinas floresta adentro facilita a entrada de atividades como a exploração de madeira e a pecuária, o que aumenta ainda mais a pressão sobre a vegetação nativa, inclusive em Áreas Protegidas e Territórios Indígenas. Esse é um dos argumentos mais fortes dos críticos da pavimentação da BR-319, que sustentam que a obra deverá intensificar o desmatamento em uma das poucas áreas com grandes trechos de floresta intacta no sul da Amazônia.

No entanto, sob pressão de atores políticos e econômicos locais, o governo federal encampou a obra. Aos críticos, o presidente Lula prometeu que a pavimentação será feita com “o maior cuidado ambiental já feito em qualquer país do mundo”, a despeito de imagens de satélite já indicarem um impacto negativo da obra sobre o meio ambiente na região. Segundo o MapBiomas, a área ocupada pela agropecuária passou de 81,3 mil para 118 mil hectares no raio de 5 km da via, entre 2020 e 2025.

A obra ainda aguarda a emissão da licença ambiental pelo IBAMA. Mesmo assim, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou o “semiasfaltamento”, com a publicação de quatro editais para contratação de melhorias no asfalto da rodovia. O governo alega que os editais são para “manutenção” da via, não para asfaltamento.

Na semana passada, o DNIT anunciou a contratação da construtora Meirelles Mascarenhas para a pavimentação de 36,5 km da BR-319 no município de Manicoré (AM). O trecho corresponde ao Lote 3 da obra, com contrato no valor de R$ 182,4 milhões. Outros dois lotes já foram contratados: o Lote 1, vencido pela construtora Etam por R$ 362 milhões, a despeito de acusações de corrupção contra a empresa; e o Lote 2, vencido pela LCM Construção e Comércio por R$ 402,4 milhões, informam Amazonas Atual e Atlas Público.

O BNC Amazonas também destacou o crescimento das vias clandestinas nos arredores da BR-319.

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Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/09/21/br-319-facilita-avanco-do-desmatamento-na-amazonia/

Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello

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