Brasil volta a ser devedor externo depois de 19 anos
O Brasil voltou à condição de devedor externo depois de 19 anos. Em junho, a dívida externa chegou a US$ 407,1 bilhões, acima das reservas internacionais, de US$ 402 bilhões, segundo dados do Banco Central. Com a diferença de US$ 5,1 bilhões, o país deixou de ser credor externo líquido. O resultado decorre do crescimento mais rápido da dívida em relação às reservas, mas ainda não representa um
O Brasil voltou à condição de devedor externo depois de 19 anos. Em junho, a dívida externa chegou a US$ 407,1 bilhões, acima das reservas internacionais, de US$ 402 bilhões, segundo dados do Banco Central.
Com a diferença de US$ 5,1 bilhões, o país deixou de ser credor externo líquido. O resultado decorre do crescimento mais rápido da dívida em relação às reservas, mas ainda não representa um sinal de alerta para economistas e agências de classificação de risco.
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Déficit externo pressiona as contas
O principal ponto de atenção é a saída de dólares para cobrir o déficit em transações correntes, que inclui despesas com serviços, investimentos e pagamentos a credores estrangeiros. Em 2024, o saldo negativo chegou a US$ 67,4 bilhões, mais que o dobro dos US$ 27 bilhões registrados em 2023.
O investimento direto estrangeiro tem financiado esse déficit, sem exigir uma redução equivalente das reservas ou um aumento proporcional da dívida. Essa margem, contudo, diminuiu: em 2025, os investimentos superaram o déficit em US$ 17,6 bilhões. Dois anos antes, a diferença passava de US$ 38 bilhões; em 2024, ficou abaixo de US$ 9 bilhões.
Durante o governo Lula, a dívida externa cresceu 27,4%, enquanto as reservas avançaram 15,8%. Intervenções do Banco Central e a valorização do real limitaram o crescimento das reservas.
Reservas ainda cobrem vencimentos
Apesar da mudança de posição, a dívida externa líquida representa menos de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, as reservas cobrem mais de três vezes os vencimentos da dívida de curto prazo.
O Tesouro Nacional considera confortável essa cobertura e pretende ampliar gradualmente a participação da dívida em moeda estrangeira na dívida pública federal. A meta é elevar esse porcentual de menos de 4% para 7%, conforme as condições do mercado.
O órgão também avalia emissões de títulos em euros e acompanha as condições para uma primeira emissão em yuans, autorizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
O Tesouro considera ainda que o setor público brasileiro mantém posição credora externa quando se compara a dívida pública às reservas internacionais. Por esse critério, a diferença equivale a 6% do PIB. O indicador é mais favorável que o do México, enquanto Colômbia, Uruguai e Chile têm dívidas superiores às reservas.
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