Câmara do Paraguai repudia declarações de Lula sobre Guerra da Tríplice Aliança
A Câmara dos Deputados do Paraguai emitiu nesta quarta-feira (29) uma nota oficial repudiando as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança. O comunicado foi divulgado pelo presidente da Casa, Raúl Latorre, nas redes sociais.
A Câmara dos Deputados do Paraguai divulgou, nesta quarta-feira, 29, uma nota oficial em repúdio às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra da Tríplice Aliança. O comunicado foi publicado pelo presidente da Casa, Raúl Latorre, nas redes sociais.
Na publicação, Latorre defendeu a memória das vítimas do conflito. “As falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva distorcem e minimizam a dimensão histórica da guerra, desconsiderando a complexidade das origens do conflito e o profundo sofrimento humano suportado pelo povo paraguaio”, diz o texto.
Os deputados paraguaios pediram que o Ministério das Relações Exteriores intensifique as negociações diplomáticas para a devolução do Canhão Cristão e de outros troféus de guerra pertencentes ao patrimônio histórico do Paraguai.
A crise provocada por Lula
A reação do Parlamento ocorreu dias depois de Lula afirmar que deseja as Forças Armadas brasileiras "fortes". Ao citar a Guerra da Tríplice Aliança, o presidente declarou que o país precisa estar preparado.
"A gente não pode se esquecer de que, um belo dia, o Paraguai resolveu invadir o Brasil", disse o presidente. "Invadiu Corumbá. Ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai. Ao mesmo tempo, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos."
As declarações provocaram reação no Paraguai. Na segunda-feira 27, Latorre afirmou que a Guerra da Tríplice Aliança “teve seus inícios com a intervenção militar do Brasil no Uruguai".
Guerra marcou a história da América do Sul
A Guerra da Tríplice Aliança ocorreu entre 1864 e 1870 e pôs o Paraguai contra a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. O conflito terminou com a derrota paraguaia e deixou consequências demográficas, econômicas, institucionais e territoriais para o país.
As declarações de Lula agravaram o atrito diplomático entre Brasília e Assunção, em meio às negociações entre Brasil e Paraguai para redefinir as regras de pagamento e de comercialização da energia produzida pela usina hidrelétrica de Itaipu.
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