Casas Bahia solicita recuperação judicial com passivo de R$ 17,3 bilhões
O Grupo Casas Bahia protocolou, na noite deste domingo (16), pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A companhia comunicou a decisão à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por meio de fato relevante, informando que o passivo total é de R$ 17,3 bilhões.
O Grupo Casas Bahia protocolou, no fim da noite deste domingo, 16, um pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A decisão foi comunicada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em fato relevante. A varejista informa que tem um passivo total de R$ 17,3 bilhões.
A empresa entrou com pedido de recuperação judicial depois de registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no 2º trimestre. O valor é 18 vezes maior que a perda de R$ 555 milhões apurada no mesmo período do ano anterior.
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Eventos não recorrentes de R$ 9,1 bilhões inflaram o rombo financeiro. O impacto inclui baixa de ágio, impostos diferidos e contingências com o fechamento de 298 lojas e a demissão de 3 mil funcionários.
O Conselho de Administração aprovou a decisão, e o acionista controlador a ratificou. O grupo convocará uma Assembleia Geral Extraordinária para deliberar sobre a ratificação do pedido.
Recuperação judicial da Casas Bahia: motivo
Em comunicado, a empresa atribui a deterioração das condições financeiras ao ambiente macroeconômico desafiador, marcado por "patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro". A companhia também citou a "não concretização de alternativas de liquidez" que vinham sendo estruturadas.
A Casas Bahia tentou captar recursos com investidores internacionais, mas o principal interessado desistiu da operação. A empresa acumula balanços trimestrais no vermelho desde 2024. A companhia registrou prejuízo em 20 dos 30 trimestres depois de o Grupo Pão de Açúcar deixar o seu controle, em 2019.
Do total de R$ 17,3 bilhões em dívidas, a maior parte, cerca de R$ 16,4 bilhões, refere-se a credores quirografários (sem garantias). São pouco mais de 19,4 mil credores. O passivo inclui ainda R$ 754 milhões em dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões relacionados a microempresas e empresas de pequeno porte.
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Na petição, a empresa pede que a Justiça conceda uma liminar para impedir a cobrança antecipada das dívidas e proibir a retenção de mercadorias pelas transportadoras.
Além da própria Casas Bahia, o pedido engloba nove empresas do grupo, incluindo ASAP Log, Cnova Comércio Eletrônico, Casas Bahia Tecnologia e Indústria de Móveis Bartira.
Renúncias na diretoria
No mesmo dia, o diretor vice-presidente Jurídico e Tributário, Fábio Spina, entregou sua renúncia ao Conselho de Administração. Os conselheiros Jackson Medeiros de Farias Schneider e Rogério Paulo Calderón Peres também renunciaram aos cargos. A nova diretora Sirley Lima passa a liderar as áreas jurídica, tributária, de compliance e de controles internos.
Durante o processo de recuperação, a companhia pretende manter suas operações em todos os canais. A prioridade será o atendimento aos clientes e consumidores. Com isso, a empresa busca evitar interrupções relevantes nas suas atividades.
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