EDIÇÃO DO DIA · 05 de julho de 2026 --:--:-- COLUMBUS 24ºC
DÓLAR R$ 5,17 ▼ -1,09% EURO R$ 5,93 ▼ -0,53%
AO VIVO

BRASIL ESTADO

ÚLTIMAS NOTICIAS

Congressistas pedem fontes de energia não renováveis no Redata

Manifesto lançado por frentes parlamentares nesta 3ª feira (12.mai) pede que projeto contemple fontes não intermitentes

Congressistas e integrantes dos setores energético, tecnológico e de infraestrutura cobram que o projeto de lei que institui o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) contemple alguns tipos de fontes de energia não renováveis ,como gás natural e geração nuclear.

O texto que tramita no Congresso cria incentivos fiscais para empresas que instalarem ou ampliarem operações de data centers no Brasil e atenderem a uma série de critérios que incluem uso de energia limpa, produção para o mercado interno e investimento em pesquisa. 

Lançado nesta 3ª feira (12.mai.2026) por 10 frentes parlamentares e 26 entidades do setor produtivo, o “Manifesto pela aprovação do Redata e pelo futuro digital do Brasil” pede que o texto estenda benefícios a data centers que utilizem fontes de energia não sujeitas à intermitência –ou seja, que proporcionem fornecimento ininterrupto. Para atender a essa demanda, o projeto teria que permitir fontes não renováveis. Leia a íntegra do documento (PDF – 727 kB).

O texto atual que já passou na Câmara e aguarda análise do Senado diz que os incentivos serão concedidos somente a operações que atendam à totalidade da sua demanda de energia elétrica com “suprimento ou autoprodução proveniente de geração a partir de fontes limpas ou renováveis”

Ocorre que fontes como a eólica e a solar, duas das mais usadas no segmento de data centers ao redor do mundo, são intermitentes, ou seja, dependem de variáveis ambientais e não asseguram fornecimento constante ao longo do dia. É comum que esse tipo de empreendimento inclua sistemas secundários com outros tipos de abastecimento para situações de emergência ou interrupção de fornecimento. 

Os data centers precisam funcionar ininterruptamente porque armazenam e processam dados de sites, redes sociais e sistemas de inteligência artificial. Por isso, os signatários do manifesto alertam para a necessidade de assegurar disponibilidade de “energia firme, contínua e confiável”. Segundo o documento, incluir outros tipos de energia no Redata reduzirá eventuais riscos operacionais, aumentará a confiabilidade do sistema e proporcionará maior segurança aos investidores.

O manifesto não cita especificamente nenhuma fonte de energia. A expectativa é que isso seja negociado no ato da regulamentação do projeto, mas Tatiana Ribeiro, diretora do MBC (Movimento Brasil Competitivo) que está à frente do processo, fala em incluir no projeto a possibilidade de abastecimento por gás natural, fonte com emissões de carbono bem inferiores às das tradicionais. A ideia é que seja usada como sistemas de contingência em caso de intermitência. Outra proposta dos signatários do manifesto é o biometano, uma fonte de energia firme e renovável. 

Segundo a executiva, já está em andamento uma negociação no Senado para que a mudança seja incluída no texto. Integrantes da iniciativa também negociam com o governo para manter a liberação caso o projeto passe na Casa Alta. 

Presidente da Frente Parlamentar Mista pelo Brasil Competitivo e um dos líderes do manifesto, o deputado Júlio Lopes (PP-RJ) apresentou uma emenda para incluir gás natural, biometano e energia nuclear entre as fontes aptas ao suprimento de energia para os data centers beneficiários. Leia a íntegra (PDF – 126 kB). Ao Poder360, Lopes disse que as regras sobre energização ainda não são consenso entre os congressistas que atuam pelo avanço da proposta. 

O MANIFESTO

O documento foi divulgado para aumentar a pressão pela deliberação e aprovação do texto, que está desde fevereiro parado e sem acordo no Senado. A avaliação dos integrantes da iniciativa é de que o Brasil está perdendo investimentos no setor por causa da demora na análise da proposta. Empresas da área de tecnologia acompanham com interesse a tramitação do projeto e já discutem com suas matrizes como trazer investimentos ao Brasil.  

Inicialmente, o Redata havia sido instituído pela MP (medida provisória) 1.318/2025, editada pelo governo em setembro de 2025. Para ganhar validade definitiva, o texto teria que ser aprovado pelo Congresso até 25 de fevereiro, mas acabou caducando

Antes de o texto caducar, o deputado José Guimarães (PT-CE), então líder do governo na Câmara, apresentou o PL 278/2026 para substituir a medida provisória. O objetivo era evitar que investimentos feitos durante a vigência do texto fossem prejudicados. O texto foi aprovado pelos deputados na madrugada de 25 de fevereiro e agora aguarda análise dos senadores, mas está travado na Casa Alta. 

O QUE DIZ O REDATA

O PL estabelece a suspensão do pagamento de tributos federais na aquisição, no mercado interno ou por importação, de equipamentos e componentes de tecnologia usados em data centers. Leia a íntegra do projeto (PDF – 138 kB). 

Entre os tributos contemplados estão o Imposto de Importação, o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, inclusive nas operações de importação. Na prática, esses incentivos reduzem significativamente o custo inicial de implantação dos data centers, que hoje representa uma das principais barreiras à instalação dessas infraestruturas no país. 

Segundo o projeto, a suspensão dos tributos será convertida em alíquota zero após o cumprimento de uma série de condições estabelecidas no regime. Uma vez atendidas exigências de investimento em P&D, sustentabilidade, energia limpa e disponibilização de capacidade ao mercado interno, os equipamentos adquiridos passam a ter isenção definitiva desses impostos, tornando o Brasil mais competitivo em relação a outros países que disputam esses investimentos.

📰 Leia a reportagem completa
Este conteúdo é originalmente de poder 360. Para a reportagem completa com todos os detalhes, acesse:
https://www.poder360.com.br/poder-congresso/congressistas-pedem-fontes-de-energia-nao-renovaveis-no-redata/

Fonte: poder 360 · Por Poder360 ·

Leia também

VER TODAS ›