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CPI do Metanol propõe tornar adulteração de bebidas crime hediondo

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Metanol da Câmara Municipal de São Paulo encerrou seus trabalhos em 1º de setembro com uma série de propostas para endurecer o combate à adulteração de bebidas alcoólicas. O relatório final recomenda transformar a prática em crime hediondo, medida que depende de alteração na legislação federal. O documento também propõe a criação de um sistema nacional

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Metanol da Câmara Municipal de São Paulo encerrou os trabalhos com propostas para endurecer o combate à adulteração de bebidas alcoólicas. Entre as principais recomendações do relatório final está a transformação em crime hediondo da adulteração de bebidas. A proposta depende de mudança na legislação federal. O colegiado encerrou as atividades em 1º de setembro.

O relatório também recomenda a criação de um sistema nacional de rastreabilidade de bebidas. A ferramenta deverá permitir o acompanhamento dos produtos ao longo da cadeia de comercialização.

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O documento ainda propõe a apresentação obrigatória de notas fiscais de compra e venda e medidas de logística reversa, incluindo a inutilização de garrafas de bebidas destiladas depois do consumo.

CPI investigou cadeia clandestina

A CPI teve início em outubro de 2025 para investigar a procedência e a qualidade de bebidas comercializadas na capital paulista. Durante os 11 meses de trabalho, os vereadores ouviram vítimas, familiares, comerciantes, representantes do setor de bebidas e especialistas.

Segundo as conclusões apresentadas pelo colegiado, a investigação apontou uma cadeia clandestina de falsificação, reenvasamento e distribuição de bebidas. As ações de fiscalização da Polícia Civil também resultaram em apreensões de materiais utilizados na falsificação.

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Dados divulgados pela Câmara paulistana, com base em informações da Secretaria de Estado da Saúde, apontam que São Paulo registrou 54 casos de contaminação por metanol em bebidas alcoólicas e 12 mortes até maio de 2026. A Polícia Civil informou ainda 46 prisões em 2026, além da apreensão de 140 mil vasilhames, 22 mil garrafas e 481,5 mil itens usados na falsificação, como rótulos e lacres.

Nota fiscal entra no radar

O relatório também recomenda medidas para responsabilizar integrantes da cadeia de comercialização que adquirirem bebidas sem comprovação de procedência. A proposta mira estabelecimentos como bares, restaurantes, adegas, distribuidoras e depósitos.

Durante as oitivas, o vereador Adrilles Jorge (União Brasil) defendeu maior rigor contra comerciantes que compram bebidas sem nota fiscal. Para o parlamentar, a prática dificulta o controle sobre a origem dos produtos e cria brechas para a entrada de mercadorias clandestinas no mercado formal.

Vereador Adrilles Jorge (União Brasil) durante sessão da Câmara| Foto: Divulgação/ Câmara de São Paulo

A CPI também recomendou maior integração entre os órgãos de fiscalização, segurança pública, defesa do consumidor e autoridades tributárias. O objetivo é facilitar o cruzamento de informações e denúncias sobre bebidas adulteradas.

O colegiado aprovou de maneira unânime a versão final do relatório. O documento tem 58 páginas e será encaminhado ao Ministério Público de São Paulo, Procon, Vigilância Sanitária e às secretarias municipal e estadual da Saúde. A Polícia Civil também receberá o relatório e as notas taquigráficas para subsidiar investigações em andamento.

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