Crescimento de Flávio em Minas Gerais gera preocupação na cúpula do PT
Integrantes da cúpula do PT apresentaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva resultados de pesquisas internas sobre a disputa pela Presidência em Minas Gerais. Os números surpreenderam negativamente dirigentes da sigla e provocaram preocupação no núcleo do governo. Os dados integram os trackings usados pela legenda para acompanhar o comportamento do eleitorado ao longo da campanha, levantament
Integrantes da alta cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) levaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva resultados de pesquisas internas sobre a disputa pela Presidência em Minas Gerais. De acordo com informações obtidas por Oeste, os números surpreenderam negativamente dirigentes da legenda e provocaram preocupação no núcleo do governo.
Os dados compõem os trackings usados pelo PT para acompanhar o comportamento do eleitorado ao longo da campanha. Diferentemente das pesquisas divulgadas ao público, esse tipo de levantamento é contratado para orientar decisões internas, identificar mudanças no eleitorado e reorganizar a estratégia.
Pesquisas divulgadas em setembro ajudam a dimensionar essa preocupação. O Datafolha publicado no último domingo, 28, mostrou Lula e Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados em Minas. No primeiro turno, o presidente aparece com 39% das intenções de voto, contra 37% de Flávio. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais.
O movimento observado nas simulações de segundo turno chama mais atenção. No fim de agosto, Lula aparecia com 46% e Flávio, com 42%. Na primeira quinzena de setembro, a diferença caiu para 1 ponto: 46% a 45%. No levantamento mais recente, Flávio chegou a 46% e Lula recuou para 44%. A diferença permanece dentro da margem de erro, mas foi a primeira vez nessa série do Datafolha em que o candidato do PL apareceu numericamente à frente do presidente em Minas.
O próprio desempenho de Lula no governo também encontra resistência entre os mineiros. Segundo o Datafolha, 46% aprovam o trabalho do presidente, enquanto 51% desaprovam. Na avaliação da gestão petista, 35% classificam o governo como ótimo ou bom e 41%, como ruim ou péssimo.
Duas semanas antes, outro levantamento do instituto já havia apontado uma disputa apertada. Lula tinha 37% no primeiro turno e Flávio, 35%. Em uma eventual disputa entre os dois no segundo turno, o placar era de 46% a 45% para o presidente, também em empate técnico.
Governo busca reação em Minas Gerais
A preocupação com Minas Gerais levou o governo e a campanha a concentrar esforços no Estado, segundo a apuração de Oeste. A intenção é recuperar terreno em um dos maiores colégios eleitorais do país antes da votação.
O desempenho em Minas tem peso especial para as campanhas presidenciais. O Estado reúne 16,3 milhões de eleitores, o equivalente a 10,3% do eleitorado brasileiro, e é o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo.
Minas também carrega um histórico particular nas disputas pelo Planalto. Desde a redemocratização, todos os candidatos que venceram a eleição presidencial também foram os mais votados entre os mineiros. A sequência começou com Fernando Collor, em 1989, e permaneceu intacta até a vitória de Lula em 2022.
A última exceção ocorreu em 1950. Naquele ano, Getúlio Vargas perdeu a eleição em Minas para Eduardo Gomes, mas venceu a disputa nacional.
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