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Crianças nos EUA entram cada vez mais cedo no mundo dos investimentos

Em um diner em Nova York, uma menina de 7 anos discutia seus objetivos de poupança, como roupas, brinquedos e até uma mansão. O episódio reflete uma tendência crescente nos Estados Unidos: famílias e crianças estão se aproximando do universo dos investimentos, com plataformas financeiras disputando esse novo público.

Em uma manhã de junho, no tradicional Kellogg’s Diner, em Nova York, alguém com apenas 7 anos já discutia investimentos. Savannah McConneaughey estava entre três crianças reunidas para falar sobre dinheiro e revelou seus objetivos de poupança: roupas novas, sapatos, brinquedos e, depois de uma pausa para pensar, “talvez uma mansão”.

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A cena, relatada pelo The New York Times, simboliza uma mudança nos Estados Unidos: crianças e famílias estão cada vez mais próximas do universo dos investimentos. Plataformas financeiras passaram a disputar esse novo público e oferecem aplicativos simplificados para ensinar jovens a guardar e aplicar dinheiro.

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A Acorns Early, versão infantil da plataforma Acorns, criou até um conselho formado por crianças para avaliar seus produtos. A empresa faz parte de uma corrida que envolve gigantes como Robinhood, Schwab, Vanguard e Fidelity, que buscam atrair futuros investidores desde cedo.

Esse movimento ganhou força com as chamadas contas Trump, criadas para menores de idade com vantagens fiscais. O modelo permite que familiares, empresas ou outras pessoas façam depósitos em nome da criança. O governo norte-americano anunciou um aporte inicial de US$ 1 mil para milhões de bebês nascidos durante a administração do presidente Donald Trump.

Segundo o programa, esse valor poderia crescer para US$ 243 mil até os 55 anos, mas a projeção depende de retornos constantes do mercado financeiro, algo que não pode ser garantido.

O projeto também recebeu apoio privado. Grandes empresários e empresas anunciaram bilhões de dólares em contribuições adicionais ou programas para complementar os depósitos governamentais.

As contas, porém, têm restrições: o dinheiro deve ser investido em fundos que acompanham índices amplos do mercado americano, como o S&P 500, há limite anual de contribuições e retiradas antecipadas podem gerar penalidades tributárias.

Especialistas afirmam que começar cedo é uma das maiores vantagens dos investimentos por causa do efeito dos juros compostos. Mallory Baska, especialista em educação financeira, diz que a prioridade dos pais deve ser equilibrar o investimento nos filhos com a própria segurança financeira.

Ela, por exemplo, abriu uma conta Trump para o filho mais novo, mas continua priorizando os planos 529, voltados para educação e com benefícios fiscais.

Outras plataformas defendem o aprendizado financeiro pela prática. Na Acorns Early, crianças podem investir dinheiro de mesadas ou pequenas tarefas para entender como valores pequenos podem crescer ao longo do tempo.

Desde 2020, mais de 1,2 milhão de pais abriram contas pela plataforma, com contribuições médias de US$ 89 por mês.

Programa de investimentos para crianças nos EUA

Mas o programa também enfrenta críticas. Ismael Cid-Martinez, do Economic Policy Institute, afirma que a iniciativa beneficia principalmente famílias que já têm capacidade de poupar. Para famílias pobres, o depósito inicial de US$ 1.000 teria impacto limitado e poderia ampliar desigualdades.

A economista Teresa Ghilarducci segue a mesma linha. Segundo ela, ajudar pais a acumular riqueza para o futuro não resolve o problema de famílias que enfrentam dificuldades financeiras no presente.

Apesar das críticas, o programa despertou interesse. Mais de 6 milhões de crianças já foram cadastradas nas contas Trump, embora o número represente menos de 10% dos elegíveis.

O impacto de longo prazo ainda é incerto, mas a iniciativa colocou em evidência uma ideia central: quanto mais cedo uma pessoa começa a investir, maior pode ser o efeito do tempo sobre seu patrimônio.

O post EUA: crianças e até bebês entram no mundo dos investimentos apareceu primeiro em Revista Oeste.

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