Crime organizado e desmatamento avançam na Amazônia ligados ao garimpo ilegal
A exploração ilegal de ouro por grupos criminosos na Amazônia tem espalhado violência em comunidades locais e indígenas.
A intensificação da presença e da atuação do crime organizado na Amazônia é um problema que vem se agravando. Grilagem, desmatamento e garimpo passaram a ser vistos por grupos criminosos como oportunidades de novos ganhos, às custas da floresta e de seus Povos, aproveitando a falta de fiscalização do Estado e as deficiências estruturais da segurança pública no país. Assim, cada vez mais os crimes ambientais se conectam a outras atividades criminosas, como o tráfico de drogas, armas e pessoas na região.
Neste contexto, o garimpo passou a ser uma das práticas mais visadas por grupos criminosos na Amazônia. Impulsionadas pelos altos preços do metal no mercado internacional, pela fiscalização falha dos estados e da União e pela informalidade predominante, facções passaram a se envolver nessa atividade, disputando territórios entre si e atacando as populações locais, especialmente os Povos Indígenas.
A Exame destaca uma análise do think tank International Institute for Strategic Studies (IISS) que mostra como a extração ilegal de ouro na Amazônia deixou de ser apenas um problema ambiental e passou a representar também uma ameaça à segurança, à saúde pública e até mesmo à soberania territorial do Brasil. Segundo o levantamento, há uma convergência entre garimpo, tráfico de pessoas e de drogas, trabalho forçado, exploração sexual, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de mercúrio e de armas, com a emergência de grupos de “narcogarimpo”.
O estudo aponta que cerca de 34% do ouro produzido no Brasil entre 2021 e 2022 teve origem irregular. Em 2022, cerca de 77% das áreas de garimpo apresentavam sinais de ilegalidade, inclusive em territórios protegidos, como Unidades de Conservação e Terras Indígenas. A intensificação da atividade também se refletiu em um aumento do desmatamento nas áreas sob influência do garimpo.
Os grupos criminosos envolvidos no garimpo não controlam necessariamente a extração do ouro, mas dominam a logística necessária para viabilizar essa atividade e o escoamento da produção. Além de facções criminosas de presídios brasileiros, grupos internacionais do crime organizado também atuam na Amazônia brasileira e disputam rotas, cadeias de abastecimento e mercados associados à mineração ilegal.
O fortalecimento da fiscalização ambiental na atual gestão do presidente Lula, a partir de 2023, e a implementação de medidas de rastreabilidade do ouro permitiram que o montante de ouro de origem irregular caísse, entre 2022 e 2025, para cerca de 8% do total. Isso depois do pico no final do governo do ex-presidente (e atual presidiário) Jair Bolsonaro.
No entanto, o estudo ressalta um obstáculo que pode dificultar o enfrentamento do garimpo ilegal: o poder político que os grupos de “narcogarimpo” estão construindo nos estados amazônicos. Isso já é sentido no Congresso com a aprovação de projetos que desmontam o licenciamento ambiental, enfraquecem a fiscalização e permitem atividades como a mineração em Territórios Indígenas.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/09/08/crime-organizado-e-desmatamento-na-amazonia-seguem-rastro-do-garimpo-ilegal/
Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello
