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Crime organizado expande atuação para a economia formal, diz Alfredo Gaspar

As organizações criminosas brasileiras ampliaram sua atuação para além do tráfico de drogas e do controle armado de territórios, passando a operar na economia formal com empresas, operadores financeiros e estruturas de lavagem de dinheiro. A avaliação é do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL-AL), que considera essa transformação econômica das facções uma das principais vulnerabilidades

As organizações criminosas brasileiras deixaram de atuar apenas no tráfico de drogas e no domínio armado de territórios e passaram a ocupar espaços na economia formal, com empresas, operadores financeiros e estruturas sofisticadas para movimentar e lavar bilhões de reais. O diagnóstico é do candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar (PL-AL), que apontou justamente a transformação econômica das facções como uma das principais vulnerabilidades do Estado brasileiro no enfrentamento ao crime organizado.

“O crime organizado não vive mais apenas na boca de fumo”, afirmou Gaspar em entrevista exclusiva a Oeste. “Ele tem empresas, operadores financeiros, tecnologia e estruturas sofisticadas de lavagem de dinheiro. O crime organizado cresceu porque o Estado foi deixando espaços vazios.”

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Na avaliação de Gaspar, não há uma única falha responsável pelo avanço dessas organizações. O problema começa nas fronteiras por onde circulam drogas e armas, passa pelo sistema penitenciário — que permitiu a chefes de facções continuarem comandando suas estruturas mesmo presos — e chega à legislação penal. 

“Tudo isso está interligado”, afirmou. “Temos fronteiras por onde passam drogas e armas, um sistema penitenciário que durante muito tempo permitiu que lideranças criminosas continuassem comandando organizações de dentro das cadeias, uma legislação que precisa ser mais rigorosa e, talvez o ponto mais preocupante, organizações criminosas que aprenderam a lavar bilhões de reais e entrar na economia formal.”

Para Gaspar, essa mudança também exige uma resposta diferente do poder público: “Por isso, o enfrentamento precisa acontecer em todas as frentes”. “Vamos declarar guerra a essas organizações criminosas. O Estado precisa voltar a ser mais forte que o crime.”

“Primeiro, fechar a porta do cofre”

O uso de tecnologia e inteligência também aparece entre as propostas de Gaspar para outra área que marcou sua atuação recente no Congresso: a proteção de aposentados e pensionistas. O deputado afirmou que um eventual governo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende reforçar os mecanismos para impedir que descontos sejam realizados sem autorização efetiva dos beneficiários.

Gaspar apresentou um relatório de quase 5 mil páginas, com mais de 200 pedidos de indiciamentos e investigações na CPMI do INSS; o parecer foi rejeitado em articulação da base governista no Congresso | Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Indagado sobre qual seria a primeira medida para evitar a repetição das fraudes investigadas pela comissão, Gaspar foi direto: “Primeiro, fechar a porta do cofre”.

“Depois de tudo que nós descobrimos, é inadmissível que alguém consiga tirar um centavo da aposentadoria de uma pessoa sem uma autorização verdadeira, segura e comprovada. Precisamos responsabilizar quem abriu as portas para o roubo. Porque uma fraude desse tamanho não acontece sozinha.”

Para o candidato a vice, a proteção desses recursos deverá ser tratada como uma das prioridades da administração: “O aposentado trabalhou a vida inteira. O dinheiro dele é sagrado. Quem meter a mão precisa responder.”

Bolsa Família será mantido

Cartão do Bolsa Família | Foto: Reprodução/Agência Brasil

Em outra frente do programa de governo, Gaspar ressaltou que a chapa não pretende extinguir o Bolsa Família. O benefício será preservado, segundo ele, mas deverá funcionar em conjunto com políticas destinadas a ampliar a renda e criar condições para que famílias deixem de depender do programa. O plano chama essa abordagem de “proteção à autonomia”.

“O presidente Flávio já deixou claro que o Bolsa Família será mantido. Ninguém vai retirar proteção de quem precisa. O que queremos é acrescentar uma porta de saída para a pobreza. O benefício precisa proteger a família no momento de vulnerabilidade, mas o Estado também precisa oferecer qualificação, oportunidade de emprego e condições para que aquela pessoa possa aumentar sua renda.”

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Segundo o deputado, a intenção não é estabelecer simplesmente uma meta de redução do número de beneficiários.

“Não queremos simplesmente diminuir o número de pessoas no Bolsa Família”, afirmou. “Queremos diminuir o número de brasileiros que precisam do Bolsa Família porque conseguiram emprego, renda e autonomia.”

A entrevista completa com Alfredo Gaspar está na Edição 337 da Revista Oeste. Assine e tenha acesso à íntegra.

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