De olho nas eleições, Lula amplia agenda de benefícios sociais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou sua agenda social, com benefícios que incluem distribuição de renda, expansão do crédito e desonerações tributárias.
De olho nas eleições de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou sua agenda social, apelidada de "pacote de bondades". Os benefícios sociais incluem desde distribuição de renda a expansão do crédito e desonerações tributárias.
Em 2022, no entanto, quando disputou o cargo com o então presidente Jair Bolsonaro, o petista criticou medidas do adversário classificadas por ele como populistas. As ações incluíam uma ampliação do Auxílio Brasil e criação de benefícios para caminhoneiros e taxistas.
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Naquele ano, Lula e dirigentes do PT acusaram o governo Bolsonaro de utilizar a máquina pública para influenciar o eleitorado. O partido também criticou o impacto fiscal das medidas anunciadas às vésperas da eleição. Dirigentes petistas afirmavam que o pacote representava uma manobra com alto impacto fiscal e potencial para desequilibrar a disputa presidencial.
Pacote de bondades de Lula custam caro
Às vésperas de mais uma eleição presidencial, porém, agora é Lula que aposta em medidas com forte apelo popular e impacto fiscal e econômico. O governo federal anunciou R$ 187,2 bilhões em benefícios diretos aos eleitores neste ano. Estão fora do limite de alta de gastos R$ 176,7 bilhões. Esse valor equivale a 94% do total.
As medidas que reduzem a receita e escapam do limite de gastos impactam a meta de superavit primário. Outra parte das iniciativas, porém, no valor total de R$ 118,7 bilhões, fica fora até mesmo da meta de superavit primário que o arcabouço fiscal estabelece. O valor equivale a 63% do total das ações.
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Os dados são de um estudo do economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Instituto de Estudo e Pesquisa. “É uma desmoralização total", afirma o economista. "O volume de exceções é tão grande que a meta perde o sentido. E a gente acaba ficando com um país de deficit crônico elevado.”
As medidas populistas do governo federal
Entre as medidas está a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendas mensais de até R$ 5 mil. A mudança foi aprovada pelo Congresso em 2025 e entrou em vigor em 2026.
Na área social, o governo substituiu o Auxílio Gás pelo programa Gás do Povo. A iniciativa prevê atendimento a 15 milhões de famílias. A primeira etapa contou com cerca de R$ 1 bilhão em recursos do Ministério de Minas e Energia. No lançamento do programa, em setembro de 2025, Lula afirmou que a medida combate a "pobreza energética".
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O governo Lula também criou o Luz do Povo para reduzir a tarifa de energia de famílias de baixa renda. O benefício utiliza recursos da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo financiado por encargos cobrados nas contas de luz.
A gestão federal também ampliou o crédito subsidiado. O pacote inclui financiamentos para motoristas de aplicativo comprarem veículos, linhas de crédito para caminhoneiros e o Fies Empreendedor, com empréstimos de até R$ 180 mil para recém-formados.
Em abril, o governo incluiu a Faixa 4 no programa Minha Casa, Minha Vida. A medida ampliou o atendimento para famílias com renda de até R$ 13 mil. O governo também ampliou o Desenrola com novas modalidades voltadas a pequenos empreendedores e consumidores adimplentes.
O conjunto de medidas inclui ainda a aceleração de obras do Novo PAC e o aumento das despesas com propaganda institucional. No primeiro semestre, o governo empenhou R$ 520 milhões em publicidade, valor superior ao dobro do registrado no mesmo período do ano eleitoral de 2022.
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