Defesa de negociação com EUA e crítica ao uso eleitoral do tarifaço
O governo brasileiro foi incentivado a priorizar negociações com os Estados Unidos para reduzir os impactos das tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump. A ampliação das exceções às tarifas indica que ainda há espaço para diálogo entre os dois países.
O jornal O Estado de S.Paulo defendeu, em editorial publicado neste sábado, 18, que o governo brasileiro priorize a negociação com os Estados Unidos para reduzir os impactos do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump. Para o periódico, a ampliação das exceções às tarifas demonstra que ainda há espaço para diálogo entre os dois países.
Segundo o editorial, a retirada de centenas de linhas tarifárias da lista de sobretaxas ocorreu porque empresas brasileiras, compradores norte-americanos e entidades setoriais convenceram o governo dos EUA de que algumas tarifas prejudicariam cadeias produtivas e encareceriam alimentos.
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Na avaliação do Estadão, embora a política tarifária de Trump continue sendo "protecionista, arbitrária ou politizada", o recuo parcial indica que a administração norte-americana responde a pressões econômicas internas e mantém margem para negociações.
O editorial afirma que os efeitos do tarifaço sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tendem a ser limitados. Apesar disso, ressalta que empresas dependentes do mercado dos EUA e regiões industriais do Sul e do Sudeste podem sofrer perdas significativas. O jornal também argumenta que substituir rapidamente os compradores norte-americanos seria uma tarefa difícil.
Tarifaço: negociação acima da disputa política
Por isso, o Estadão afirma que medidas como crédito, garantias e apoio à abertura de novos mercados podem amenizar os impactos para as empresas afetadas. No entanto, sustenta que essas ações devem ser temporárias. O principal objetivo do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, portanto, deveria ser reduzir as tarifas por meio da negociação.
Além disso, o jornal também critica o que considera um risco de exploração política da disputa comercial. O editorial também afirma que "cabe ao chefe de Estado brasileiro proteger empresas e empregos, mesmo que uma acomodação produza menos dividendos de campanha do que a indignação".
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Na avaliação do Estadão, o Brasil poderia negociar temas como etanol, patentes, tarifas industriais, economia digital e minerais críticos. Parte dessas medidas seria positiva para o País independentemente da pressão exercida pelos EUA.
O jornal também cita exemplos de outros países que buscaram acordos com Washington, como União Europeia e Reino Unido. E lembra que o Brasil, por outro lado, não possui capacidade econômica para sustentar uma escalada comercial semelhante à da China. O texto defende que a Lei da Reciprocidade permaneça disponível, mas afirma que sua aplicação "por impulso teria valor retórico e utilidade econômica incerta".
Ao concluir o editorial, o Estadão diz que o governo deve transformar os interesses do setor privado em uma estratégia nacional de negociação. Para o jornal, "uma coisa é a narrativa política interna, e outra coisa é o interesse nacional", e ainda existe espaço para reduzir o tarifaço por meio do diálogo.
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