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Depois de federação, União Progressista perde 27% da bancada em 8 anos

A Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP), elegeu 87 deputados federais em 2026, uma redução de 26,9% em relação às 119 cadeiras conquistadas pelas siglas que deram origem à aliança em 2018. A queda ocorre na primeira eleição disputada pela federação e foi acompanhada pela derrota de lideranças tradicionais dos dois partidos, embora a aliança mantenha

A Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP), elegeu 87 deputados federais em 2026, uma redução de 26,9% em relação às 119 cadeiras conquistadas pelas siglas que deram origem à aliança em 2018.

A queda ocorre na primeira eleição disputada pela federação e foi acompanhada pela derrota de lideranças tradicionais dos dois partidos, embora a aliança mantenha a terceira maior bancada da Câmara dos Deputados a partir de fevereiro de 2027.

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O resultado representa uma perda de 32 representantes em oito anos. Em 2022, quando o União Brasil já havia sido formado pela fusão do Democratas (DEM) com o Partido Social Liberal (PSL), as duas legendas que posteriormente constituiriam a federação elegeram, juntas, 106 deputados.

União Brasil é um partido formado da fusão entre PSL e DEM | Foto: Reprodução/DEM

A redução foi de 10,9% entre 2018 e 2022 e de outros 17,9% na eleição deste ano. A federação foi aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março de 2026, permitindo que União Brasil e PP atuassem como uma única organização eleitoral e parlamentar, embora mantenham suas estruturas partidárias.

A retração da bancada está concentrada no União Brasil. Considerados os resultados do DEM e do PSL em 2018, o partido passou de 81 deputados eleitos para 46 em 2026, uma queda de 43,2%.

O resultado de oito anos atrás foi influenciado pelo desempenho excepcional do PSL, que elegeu 52 deputados federais e conquistou a segunda maior bancada daquela disputa. Naquele ano, Jair Bolsonaro venceu a eleição presidencial pelo partido. Em 2022, o PSL se fundiu ao DEM, quando Bolsonaro já estava filiado ao PL.

O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI) | Foto: Reprodução/ Redes sociais

O PP seguiu trajetória diferente. A legenda passou de 38 deputados eleitos em 2018 para 41 em 2026, crescimento de 7,9%. Em 2022, havia conquistado 47 cadeiras, número que representa uma redução de seis representantes na eleição deste ano.

Apesar das perdas, a União Progressista terá 87 deputados, o equivalente a aproximadamente 17% das 513 cadeiras da Câmara. O PL, com 121 eleitos, terá a maior bancada, seguido pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, com 88 representantes.

As federações partidárias exigem atuação conjunta das siglas por pelo menos quatro anos, tanto nas eleições quanto no Congresso. Diferentemente das coligações eleitorais, os partidos federados precisam manter essa união durante o período previsto na legislação.

Políticos do União Brasil e do PP anunciam apoio a Flávio, que disputa o 2º turno contra Lula | Matheus Santos/Revista Oeste

Caciques perdem eleições, mas aliança mantém força

A disputa de 4 de outubro também impôs derrotas a nomes históricos da federação. No Piauí, o senador Ciro Nogueira (PP), presidente nacional do partido e ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, não conseguiu se reeleger. Ele ficou atrás de Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD).

Em Santa Catarina, Esperidião Amin (PP), ex-governador e ex-prefeito de Florianópolis, também perdeu a disputa pela reeleição ao Senado. Aos 78 anos, ele encerrará seu mandato em janeiro, depois de oito anos na Casa.

A federação, contudo, também conquistou posições relevantes. Em Alagoas, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP) foi eleito senador. Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, conquistou uma cadeira de deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Apesar do imbróglio que envolveu o possível apoio à reeleição do senador Esperidião Amin (PP) em Santa Catarina, Flávio disse que os dois pré-candidatos apoiados por Bolsonaro seriam a deputada federal Caroline de Toni e o ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro | Foto: Foto Lula Marques/Agência Brasil

Durante o primeiro turno, União Brasil e PP adotaram uma posição de neutralidade na disputa presidencial. A decisão permitiu que diretórios estaduais apoiassem diferentes candidatos e preservou a margem de atuação das siglas, inclusive em relação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que mantém integrantes dos dois partidos em cargos.

A orientação mudou depois da votação de 4 de outubro. Em 6 de outubro, a direção da União Progressista decidiu apoiar Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. No dia seguinte, representantes das duas legendas participaram de um encontro com o candidato para oficializar o posicionamento.

“Vamos trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro”, afirmou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que participou das articulações ao lado de Ciro Nogueira e Antonio Rueda.

A senadora Tereza Cristina é ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro | Foto: Ton Molina/Agência Senado

Republicanos também declara apoio a Flávio

O Republicanos seguiu caminho semelhante. Em 7 de outubro, o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro, em um evento que contou com a presença do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

A decisão, porém, não foi acompanhada por todos os integrantes do partido. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), manteve sua aproximação com Lula e não participou do evento. Em Pernambuco, o presidente estadual da legenda, Silvio Costa Filho, também declarou apoio à reeleição do petista.

A disputa presidencial amplia a importância das bancadas partidárias para a formação de alianças e a governabilidade no Congresso. União Brasil, PP e Republicanos elegeram, juntos, 128 deputados federais, sete a mais do que os 121 conquistados pelo PL.

Se consideradas também as cadeiras do PL, as quatro siglas somarão 249 deputados federais. O número, contudo, ainda ficará abaixo dos 257 votos necessários para uma maioria absoluta na Câmara. Para aprovar propostas de emenda à Constituição, são exigidos pelo menos 308 votos favoráveis.

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