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Dez candidatos com patrimônio acima de R$ 500 mil receberam Bolsa Família e outros auxílios

Levantamento feito com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou ao menos dez candidatos que declararam patrimônio superior a R$ 500 mil e, ao mesmo tempo, constam como beneficiários de programas sociais como Bolsa Família, Auxílio Brasil, Auxílio Emergencial e Gás dos Brasileiros. Juntos, eles receberam mais de R$ 321 mil em benefícios pagos pelo governo federal. Três deles t

Pelo menos 10 candidatos que declararam patrimônio acima de R$ 500 mil ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) constam nas listas de programas como Bolsa Família, auxílios Brasil e Emergencial e Gás do Povo, de acordo com levantamento do jornal O Estado de S. Paulo. Três deles têm bens milionários. Ao todo, o governo federal gastou com eles mais de R$ 321 mil em benefícios voltados a pessoas de baixa renda.

O candidato a deputado estadual de Goiás Sérgio Francisco (DC) informou ter R$ 1,2 milhão em bens, incluindo imóveis, terrenos e veículos. É o maior patrimônio de um político que disputa as eleições neste ano e recebe benefício social. De outubro de 2023 a junho de 2026, Sérgio recebeu R$ 24 mil do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial em dois períodos distintos — de abril a dezembro de 2020 e de outubro de 2023 a junho de 2026, dado mais recente disponível.

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Ao Estadão, o candidato disse que deu baixa no Bolsa Família e que ainda paga por dois lotes, declarados no valor de R$ 300 mil cada. "Eu sofri um acidente na época, não tinha o que comer e morava sozinho. Os lotes, eu pago as prestações. Passei por muitas dificuldades financeiras", afirmou.

Candidatos com patrimônio e Bolsa Família

A candidata a deputada federal por Goiás Talita Lemke (PDT), com patrimônio total de R$ 1,09 milhão, recebeu R$ 34,5 mil do Bolsa Família e dos auxílios Brasil e Emergencial de março de 2020 a junho de 2026. Ela declarou ser dona de uma propriedade rural de R$ 1 milhão e dois veículos que somam R$ 91 mil.

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"Somos pequenos produtores rurais. Essa propriedade que nós temos, onde moramos, é uma propriedade que recebemos de herança de meus pais. Esse valor que declarei é o valor dela. Porém, como produtores rurais, não temos renda fixa. Meu esposo, além de trabalhar aqui, trabalha de diarista nas propriedades vizinhas. Vivemos da terra em si, plantando e colhendo", afirmou Talita.

A candidata a deputada estadual de Roraima Mirian Moreira (PL) obteve R$ 46,1 mil desses programas do governo federal em três períodos diferentes desde janeiro de 2013. A agricultora informou ao TSE ter um terreno no valor de R$ 1 milhão. Já o postulante ao cargo de deputado estadual de Minas Gerais Reginaldo dos Anjos do Santo (Agir) declarou ter R$ 870 mil em bens. Ele recebeu R$ 18,9 mil do Bolsa Família em dezembro de 2018 e de fevereiro de 2024 a junho de 2026.

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A candidata a deputada estadual de Tocantins Adelaide Pereira Cardoso (PL) informou um patrimônio de R$ 700 mil. A empresária recebeu R$ 32,4 mil do Bolsa Família, dos auxílios Brasil e Emergencial e do Gás do Povo de dezembro de 2018 a junho de 2026.

A empresária Cristiane Nascimento Pereira (Podemos), que busca uma cadeira na Câmara dos Deputados por São Paulo, tem R$ 695 mil em bens, conforme declaração. Ela recebeu R$ 39,8 mil do Bolsa Família e dos auxílios Brasil e Emergencial em dois momentos distintos desde abril de 2020.

Candidatos justificam recebimento de benefícios

A candidata a deputada federal pelo Espírito Santo Bruna Soares (Republicanos) obteve R$ 40,6 mil do Bolsa Família e dos auxílios Brasil e Emergencial em períodos intermitentes desde setembro de 2018. Ela declarou patrimônio de R$ 600 mil, formado por duas casas em Anchieta, a 80 quilômetros de Vitória.

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Bruna respondeu que houve erro na inserção dos dados e que os atualizará. Também explicou que a compra de um imóvel ocorreu em conjunto com o marido, em março de 2024, com entrada de R$ 15 mil e mais 135 prestações, e que, por isso, a participação dela corresponderia à metade do valor.

"O preço total do imóvel, conforme expressamente estabelecido no contrato de compra e venda celebrado em 19 de março de 2024, é de R$ 300 mil. O bem foi adquirido conjuntamente por Bruna Soares e seu esposo, Maycon Lopes da Conceição Soares. Caso considerada a participação individual de cada comprador, os direitos atribuíveis à candidata correspondem a 50% do negócio, equivalentes a R$ 150 mil ainda sujeitos às obrigações e ao saldo devedor estabelecidos contratualmente", informou.

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A candidata do PSD à Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Jucelma Oliveira da Silva, declarou patrimônio de R$ 600 mil ao TSE. Ela recebeu R$ 252,18 do programa Gás do Povo neste ano. A candidata também recebeu Auxílio Emergencial, somando mais de R$ 10 mil em benefícios.

No Rio de Janeiro, o candidato a deputado estadual Ricardo Silva Santos (PT) declarou R$ 569,9 mil. Ele é jornaleiro. O candidato recebeu R$ 36,1 mil em auxílios federais desde abril de 2020.

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Em Goiás, Adão Alves da Silva (PSB) concorre ao mesmo cargo com patrimônio declarado de R$ 545 mil. O trabalhador da construção civil obteve R$ 38,2 mil do Bolsa Família desde abril de 2020.

Ministério apura casos

Segundo o governo federal, o Bolsa Família se destina a famílias em situação de pobreza, com renda per capita de até R$ 218 mensais. Já o Gás do Povo atende famílias com renda de até meio salário mínimo por pessoa. Além disso, os beneficiários precisam ter o cadastro atualizado no Cadastro Único. Entretanto, não existem normas quanto ao limite de patrimônio dos beneficiários.

Questionado, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome informou, em nota, que "a existência de patrimônio, isoladamente, não é critério automático para impedir o acesso ou manutenção do benefício. No entanto, informações patrimoniais podem ser consideradas, juntamente com outros dados disponíveis nas bases oficiais, na identificação de eventuais inconsistências cadastrais ou indícios de subdeclaração de renda".

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O ministério ressaltou que realiza fiscalizações frequentes por meio do cruzamento de dados de diversas fontes. Também esclareceu que beneficiários de programas sociais não são impedidos de concorrer a cargos eletivos, mas, quando tomam posse, os pagamentos são interrompidos. A pasta afirmou que apura os casos e que todos "estão sujeitos à interrupção do pagamento, bem como à devolução dos valores recebidos e ao impedimento de atendimento pelo PBF por 5 anos, caso sejam confirmadas eventuais irregularidades nos cadastros".

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