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Dia do Administrador: Brasil precisa ser administrado, defende profissional da área

Neste 9 de setembro, data em que se celebra o Dia do Administrador, um profissional formado na área afirma que o país precisa ser administrado com urgência. Segundo ele, administrar vai além de cuidar de uma empresa, elaborar orçamentos, organizar o fluxo de caixa ou controlar despesas: significa identificar a causa de um problema, definir quem é responsável pelo processo, apontar a solução e o pr

9 de setembro é o Dia do Administrador. Falo dessa profissão com carinho especial, porque sou administrador.

Aprendi que administrar não significa simplesmente cuidar de uma empresa, fazer orçamento, organizar um fluxo de caixa ou controlar despesas.

Administrar é muito mais. É olhar para um problema e perguntar: qual é a causa? Quem é o responsável pelo processo? Qual é a solução? Qual é o prazo? E o que faremos para que o problema não volte a acontecer?

E aqui está justamente uma das maiores carências do Brasil. Nosso país precisa urgentemente ser administrado.

E não estou falando apenas de dinheiro. Precisamos administrar uma enorme crise fiscal, política, jurídica, institucional, ética e moral.

Olhemos ao redor.

Temos o escândalo dos descontos indevidos do INSS, que atingiu justamente aposentados e pensionistas.

Temos investigações e questionamentos envolvendo pessoas próximas ao poder, inclusive episódios relacionados a Lulinha, que precisam ser esclarecidos com provas, transparência e respeito ao devido processo legal. Não podemos esquecer o irmão do presidente Lula: Frei Chico, que não é nem frei nem Chico.

Temos o caso do Banco Master, com bilhões de reais envolvidos, mensagens, contratos milionários, autoridades citadas e uma investigação que acabou chegando ao coração das instituições brasileiras.

Temos um déficit fiscal crônico, uma dívida gigantesca e crescente e um Estado que frequentemente parece acreditar que, quando falta dinheiro, a primeira solução deste governo é encontrar alguém para pagar mais impostos.

Mas agora temos algo ainda mais delicado: precisamos administrar a crise do Supremo Tribunal Federal. E administrar essa crise não significa atacar o STF. Muito menos destruí-lo.

Significa exatamente o contrário: preservar a instituição, enfrentando os problemas que podem comprometer sua credibilidade.

Quando surgem questionamentos envolvendo ministros da Suprema Corte, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República, empresários investigados e possíveis conflitos entre autoridades, a pior solução é fingir que nada está acontecendo. A segunda pior é transformar tudo em uma guerra de torcidas.

De um lado, estão os que condenam antes da investigação. Do outro, os que absolvem antes da investigação. Nenhuma dessas atitudes administra uma crise.

O que administra uma crise é transparência. Investigação. Contraditório. Provas. Limites institucionais. E a mesma lei para todos.

Porque uma Suprema Corte precisa ter poder suficiente para proteger a Constituição, mas também precisa dispor de mecanismos capazes de preservar sua própria legitimidade quando surgem dúvidas sobre a atuação de seus integrantes.

E é justamente aqui que chegamos a outro problema brasileiro: onde está a liderança política capaz de ajudar a administrar esta crise?

Temos um Senado presidido por Davi Alcolumbre. Temos uma Câmara presidida por Hugo Motta. Eles não precisam trabalhar como oposição. Também não deveriam trabalhar como governo. Precisamos de algo muito mais importante: que atuem como presidentes das Casas do Congresso Nacional.

Que tenham liderança, equilíbrio e imparcialidade suficientes para compreender a gravidade do momento.

O Congresso não existe para assistir à crise pela televisão. Não existe para calcular apenas conveniências eleitorais, acordos partidários ou estratégias de sobrevivência política. Existe também para ajudar a República a encontrar equilíbrio quando seus Poderes entram em tensão.

O Senado possui responsabilidades constitucionais que não podem ser substituídas por entrevistas ou vídeos nas redes sociais.

A Câmara também tem responsabilidades institucionais que vão muito além da próxima eleição.

Presidir uma Casa legislativa significa saber que, em determinados momentos da história, é preciso escolher entre administrar o problema ou apenas administrar a própria permanência no poder.

E, enquanto isso, temos narrativas.

Narrativa para explicar déficit. Narrativa para explicar escândalo envolvendo parentes. Narrativa para justificar uma investigação. Narrativa para tentar impedir outra. Narrativa para explicar aquilo que não deu certo.

Só que existe uma regra elementar da administração: narrativa não aparece no balanço. Resultado, sim.

Imaginem uma empresa endividada, que gasta sistematicamente mais do que arrecada, enfrenta conflitos entre seus diretores, convive com suspeitas envolvendo sua governança e vê seus clientes perderem a confiança.

Nenhum administrador sério convocaria uma reunião para discutir como melhorar a narrativa. Começaria a resolver os problemas.

É disso que o Brasil precisa.

Planejamento. Prioridades. Metas. Responsabilidade. Transparência. Segurança jurídica. Equilíbrio entre os Poderes. E consequências para quem erra.

Mas existe uma diferença fundamental: uma empresa tem presidente e conselho. Uma República tem cidadãos.

E, em outubro, teremos novamente a oportunidade de escolher quem administrará parte importante deste país e, principalmente, quem fiscalizará essa administração.

Por isso, não podemos escolher apenas pela emoção, pelo vídeo bonito, pelo número de seguidores ou pela guerra das redes sociais.

Precisamos perguntar aos candidatos: qual é o seu plano? Como vai equilibrar as contas públicas? Como pretende recuperar a segurança jurídica? Como enfrentará a corrupção? Como pretende defender a independência e os limites entre os Poderes? Que papel entende que o Senado deve ter? Que Congresso pretende construir? E, sobretudo: que Brasil pretende entregar daqui a quatro anos?

Porque administrar é decidir. Administrar é assumir responsabilidades. Administrar é prestar contas.

E administrar também significa ter coragem para corrigir a rota quando ela está errada.

Eu sou administrador.

E aprendi, durante minha vida profissional, uma regra que também vale para países: problema ignorado não desaparece. Problema adiado fica mais caro.

O Brasil tem problemas enormes.

Mas também possui recursos, instituições, empresários, trabalhadores e milhões de brasileiros capazes de reconstruir a confiança e colocar este país novamente no caminho certo.

Não precisamos perder a esperança. Precisamos trocar a resignação pela participação.

Trocar torcida por cobrança. Narrativa por resultado. Conveniência por responsabilidade. E medo por coragem cívica.

Porque um bom administrador não recebe a realidade que gostaria de ter. Recebe a realidade que existe e trabalha para transformá-la.

O Brasil tem problemas demais para continuar sendo administrado por narrativas.

Está na hora de administrá-lo com coragem, competência, equilíbrio e responsabilidade.

Porque o patrimônio mais importante que temos para administrar não é o orçamento deste ano. É o país que deixaremos aos nossos filhos e netos.

Um país não entra em crise porque tem problemas. Entra em crise quando perde a coragem de enfrentá-los.

O Brasil precisa de menos gente administrando narrativas, interesses e permanências no poder e de mais gente administrando soluções.

E pode ter certeza: ainda dá tempo.

Leia também: "Chicaneiros de toga", reportagem publicada na Edição 340 da Revista Oeste

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