Economistas alertam para crise em 2027 e cobram ajuste fiscal do próximo governo
A trajetória da dívida pública, os juros elevados, o endividamento das famílias e a perda de fôlego do varejo podem levar o próximo governo a enfrentar, em 2027, problemas econômicos maiores que os encontrados por Michel Temer depois da recessão do período Dilma Rousseff. Essa foi a conclusão dos economistas Lucas Ferraz, Jason Vieira e Fábio Pina no Arena Oeste desta quinta-feira, 27, apresenta
A trajetória da dívida pública, os juros elevados, o endividamento das famílias e a perda de fôlego do varejo podem levar o próximo governo a enfrentar, em 2027, problemas econômicos maiores que os encontrados por Michel Temer depois da recessão do período Dilma Rousseff. Essa foi a conclusão dos economistas Lucas Ferraz, Jason Vieira e Fábio Pina no Arena Oeste desta quinta-feira, 27, apresentado pelo jornalista Adalberto Piotto.
Ferraz, ex-secretário do Ministério da Economia durante o governo de Jair Bolsonaro, disse que o crescimento atual do país ocorre sem avanços correspondentes de produtividade e do ambiente de negócios. Para o especialista, a expansão da atividade tem sido sustentada artificialmente pelo gasto público.
A economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, em relação aos três meses anteriores, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o mesmo período de 2025, o avanço foi de 1,8%. Para o ano, o mercado financeiro projeta alta de 1,95% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na última segunda-feira, 24.
“A gente vê uma economia que cresce, mas cresce à base de anabolizantes”, afirmou Ferraz. “A gente não vê crescimento da produtividade, a gente não vê melhoria efetiva do ambiente de negócios.”
O economista também chamou atenção para a trajetória da dívida pública. De acordo com os números citados durante o programa, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) passou de 71,7% do PIB, no fim de 2022, para 81,9%, em junho deste ano — aumento de 10,2 pontos porcentuais. O dado mais recente do Banco Central também mostra que a dívida chegou a R$ 10,8 trilhões. Para Ferraz, mais preocupante que o nível atual é a direção das contas públicas. “A trajetória dos gastos hoje é uma trajetória totalmente insustentável”, ressaltou.
Jason Vieira, economista-chefe da LEV DTVM, também criticou a política fiscal do governo petista. Ao comentar o assunto, classificou o arcabouço fiscal como uma “fantasia” por causa das exceções às regras de controle das despesas. Dados da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, ajudam a dimensionar o problema. Em relatório divulgado em janeiro, o órgão calculou que R$ 230,7 bilhões, equivalentes a 8,2% das despesas primárias previstas para 2026, ficaram fora dos limites do arcabouço fiscal. No projeto original do Orçamento, as exceções correspondiam a R$ 174,4 bilhões, ou 6,7% das despesas. Segundo a IFI, o aumento ocorreu principalmente em razão da retirada dos precatórios do limite de gastos. Vieira argumentou que excluir uma despesa do cálculo da regra fiscal não elimina os efeitos sobre a dívida pública. Para explicar, comparou a situação à de uma pessoa endividada que decide desconsiderar parte dos próprios gastos. “Vou continuar gastando nisso, mas tirei do cálculo da minha dívida”, exemplificou. “Saiu da sua dívida? Não, você continua endividado.”
O economista acrescentou que os gastos do governo dificultam o trabalho do Banco Central para controlar a inflação. Segundo Vieira, a autarquia mantém os juros altos para tentar frear o consumo e a alta dos preços, enquanto o governo injeta mais dinheiro na economia por meio das despesas. Uma medida acaba reduzindo o efeito da outra. “O Banco Central está remando de um lado, tentando segurar a inflação, e o governo está no mesmo barco remando ao contrário”, salientou.
Pina, assessor econômico da FecomercioSP, também alertou para o impacto dos juros sobre as contas públicas. Durante o programa, o especialista estimou que o pagamento de juros equivale a cerca de 8% de tudo o que o país produz em um ano. A IFI projeta um porcentual próximo: 8,6% do PIB em 2026. A dívida pública, por sua vez, deve alcançar 82,5% do PIB. “Como é que vamos estabilizar a dívida?”, perguntou. “Como é que vai reduzir juros dessa forma?”
Famílias endividadas e varejo sob pressão
O avanço da inadimplência também ocupou parte da discussão. Vieira citou, por exemplo, 83,5 milhões de brasileiros com contas em atraso, número registrado pela Serasa em maio. O levantamento mais recente, referente a julho, mostra que esse contingente aumentou para 83,9 milhões de pessoas, o equivalente a 51% da população adulta do país — o maior número da série histórica.
Para as empresas, o cenário se complica com o custo do crédito. Ferraz observou que, embora a taxa básica de juros esteja em 14% ao ano, companhias endividadas podem captar recursos a taxas próximas de 30%. “Essas empresas são todas endividadas, um endividamento em bola de neve, uma taxa de juros muito alta”, afirmou Ferraz. “E o consumidor retraído, evidentemente também em função da taxa de juros.”
Pina disse que a FecomercioSP já identifica sinais de enfraquecimento do consumo. Conforme o especialista, o elevado número de consumidores inadimplentes vem acompanhado de dificuldades nas empresas. Há ainda outro sinal, que aparece nos estoques: comerciantes que antes relatavam mercadorias abaixo do nível considerado adequado passaram a indicar estoques acima desse patamar, o que, para o economista, revela uma expectativa de vendas menores. “Esse consumo tem sinais que não vai permanecer”, considerou.
Os economistas citaram também dois casos recentes de empresas que dependem do consumo das famílias. O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial em 17 de agosto, com R$ 17,3 bilhões em dívidas. Um dia antes, a varejista havia divulgado prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre e informado o fechamento de 298 lojas. A companhia apontou juros elevados, restrição ao crédito, aumento das despesas financeiras e pressão sobre o consumo entre os fatores que agravaram a situação.
O segundo caso é ainda mais recente. O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, entrou em recuperação judicial em 24 de agosto, três dias antes do Arena Oeste, com R$ 265,2 milhões em dívidas. Desse total, 66,9% correspondem a valores devidos a seis bancos. O grupo atribuiu suas dificuldades a uma combinação dos efeitos da pandemia, mudança dos hábitos de consumo com o avanço dos aplicativos de entrega e aumento dos juros.
A inflação massacra os pobres
Os convidados ressaltaram que a desaceleração da inflação não significa que os preços voltaram aos níveis anteriores. Em julho, o IPCA, índice oficial de inflação do país, subiu 0,07%, depois de avançar 0,16% em junho. Apesar do ritmo menor, os preços ainda acumulavam alta de 4,44% em 12 meses, segundo o IBGE. Nos serviços, o aumento no mesmo período chegava a 5,85%.
Vieira explicou que a inflação oficial é uma média e, por isso, não retrata da mesma maneira o custo de vida de todas as famílias. Quem ganha menos destina uma parcela maior da renda a despesas essenciais, como alimentação e energia. Assim, aumentos mais fortes nesses itens pesam proporcionalmente mais no orçamento dos mais pobres. “Para o cara que ganha pouco, a inflação está comendo a renda”, afirmou.
Economistas criticam aumento de impostos
Ferraz criticou a criação e a elevação de tributos como resposta ao desequilíbrio das contas públicas. Para o economista, o governo deveria concentrar o ajuste na redução das despesas. “O PT está desesperadamente buscando algum tipo de equilíbrio fiscal pela pior via possível, que é a via do aumento de impostos”, disse.
O economista acredita que o governo deveria reduzir gastos, em vez de buscar mais dinheiro por meio de novos tributos ou do aumento dos já existentes. Como exemplo, citou a cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”, adotada em 2024. Para Ferraz, medidas desse tipo aumentam a carga sobre consumidores e empresas sem enfrentar a origem do desequilíbrio das contas públicas: o crescimento das despesas.
Pina também demonstrou preocupação com o aumento de impostos para algumas empresas depois da reforma tributária. Ele citou negócios que hoje pagam duas contribuições federais, PIS e Cofins, equivalentes a 3,65% do faturamento em determinadas situações. A partir de 2027, essas cobranças serão extintas e substituídas pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Segundo Pina, parte das empresas poderá acabar pagando mais com a mudança. Ele mencionou sobretudo negócios enquadrados no chamado lucro presumido, modelo bastante utilizado por pequenas e médias empresas. Nesse sistema, em vez de calcular alguns impostos a partir do lucro efetivamente registrado pela companhia, a Receita Federal considera que uma parcela previamente determinada do faturamento corresponde ao lucro e realiza a cobrança a partir dessa estimativa. Durante o programa, Pina disse que empresas que hoje recolhem 3,65% de PIS e Cofins poderão enfrentar uma cobrança de pelo menos 8,8% com a CBS. A comparação apresentada pelo economista é uma estimativa e não significa que todas as empresas terão esse aumento. “Vai ter um aumento de 5 pontos porcentuais em empresa de lucro presumido”, afirmou.
Pina também demonstrou preocupação com o chamado split payment, sistema previsto na reforma tributária que mudará a forma como parte dos impostos é recolhida. Hoje, quando uma empresa vende um produto por R$ 100, por exemplo, recebe os R$ 100 e mantém o dinheiro no caixa até chegar o momento de pagar os tributos devidos. Durante esse intervalo, os recursos podem ser usados para despesas do negócio, como pagamento de fornecedores, salários ou reposição de estoque. Com o split payment, a lógica será diferente. No momento em que o pagamento da compra for processado, o sistema poderá separar automaticamente a parcela correspondente à CBS e ao IBS, os novos tributos criados pela reforma. A empresa receberá apenas o valor que lhe pertence; a parte referente aos impostos será encaminhada diretamente ao Fisco. Se, em uma operação hipotética de R$ 100, R$ 20 correspondessem aos tributos que precisam ser separados, por exemplo, esses R$ 20 não passariam pelo caixa da empresa. O comerciante receberia os R$ 80 restantes. O exemplo serve para explicar o funcionamento do mecanismo e não representa a alíquota efetiva dos novos tributos.
É nesse ponto que está a preocupação manifestada por Pina. Atualmente, entre o recebimento de uma venda e o vencimento dos impostos, parte das empresas utiliza temporariamente esse dinheiro para financiar as próprias operações. Com a separação automática, esses recursos deixam de ficar disponíveis durante esse intervalo. “O meu vem primeiro”, disse Pina, ao descrever a mudança do ponto de vista do governo. Para o especialista, a antecipação do recolhimento pode reduzir o dinheiro disponível no dia a dia das empresas e aumentar a necessidade de recorrer a empréstimos para bancar despesas correntes.
A implantação desse sistema, contudo, será gradual. A legislação determina que a separação dos tributos ocorra no momento em que o pagamento da operação for efetivamente concluído e prevê regras específicas para compras parceladas. Na primeira etapa, o uso do sistema poderá ser facultativo e restrito a determinadas operações entre empresas. O split payment não estará em funcionamento de forma geral já no início de 2027.
Entenda por que os juros não caem
Os economistas também discutiram se o governo poderia aceitar uma inflação maior para facilitar a redução dos juros. Atualmente, a meta oficial é de 3%: o Banco Central procura conduzir a inflação para esse patamar, embora exista uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.
Para os especialistas, alterar a meta em um momento de inflação ainda pressionada poderia transmitir a mensagem de que o país decidiu tolerar aumentos maiores de preços, prejudicar a confiança na capacidade de controle da inflação e acabar pressionando os juros cobrados no mercado.
Os economistas ressaltaram que uma redução da Selic não significa, necessariamente, que os empréstimos ficarão mais baratos para famílias e empresas. A Selic é a taxa básica definida pelo Banco Central e serve de referência para o restante da economia, mas não é a taxa que o consumidor encontra ao financiar um carro, parcelar uma compra ou contratar crédito no banco.
Os juros dessas operações dependem de outros fatores. Se bancos e investidores acreditarem que a inflação continuará elevada ou que o governo terá dificuldades para controlar a dívida, poderão cobrar taxas maiores para emprestar dinheiro por períodos mais longos. Assim, o Banco Central pode reduzir a Selic e, ainda assim, determinados empréstimos continuarem caros ou até ficarem mais caros. “Quem é que se financia em Selic?”, questionou Vieira. “As pessoas se financiam nas Casas Bahia, é no banco.”
Vieira acrescentou que o próprio governo ajuda a manter os juros elevados quando precisa tomar dinheiro emprestado para financiar as despesas. Para conseguir esses recursos, o Tesouro vende títulos da dívida pública e paga juros a quem os compra. Segundo o economista, quanto maior a necessidade de financiamento do governo, maior pode ser a taxa exigida pelos investidores para emprestar dinheiro ao país. Isso também afeta empresas e consumidores, porque os títulos públicos passam a disputar com empréstimos e outros investimentos o dinheiro disponível no mercado. Para atrair esses recursos, bancos e empresas também precisam oferecer condições mais vantajosas ou cobrar juros maiores de quem toma crédito.
A produtividade é um problema
Ferraz apontou a baixa produtividade como um dos principais obstáculos para o crescimento do país nas próximas décadas. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que, entre 1982 e 2024, a quantidade de riqueza produzida por trabalhador avançou, em média, apenas 0,6% ao ano no Brasil. No mesmo período, a renda por habitante cresceu 1% ao ano. Parte dessa diferença tornou-se possível porque o país contava com uma proporção crescente de pessoas em idade de trabalhar.
Esse fenômeno, conhecido como bônus demográfico, contribuiu, em média, com 0,4% ao ano para o aumento da renda por habitante entre 1982 e 2024. Esse impulso, no entanto, está se esgotando com o envelhecimento da população. Sem a mesma ajuda demográfica, o crescimento da renda dependerá cada vez mais de cada trabalhador conseguir produzir mais no mesmo período. Dados mais recentes mostram o tamanho do desafio: em 2025, a produtividade do trabalho no país avançou apenas 0,4%, segundo a FGV.
“Se a gente não aumentar a nossa produtividade, o que vai acontecer daqui para frente é que o país vai ficar mais pobre”, afirmou Ferraz.
Os convidados também criticaram programas de crédito barato destinados a estimular a compra de veículos. Pina lembrou, por exemplo, uma política adotada durante o governo Dilma. Por meio do BNDES, caminhões chegaram a ser financiados com juros de 2,5% ao ano em parte de 2012 e 2013. Somente em 2012, o banco liberou R$ 18,7 bilhões para a compra desses veículos. O economista comparou aquela política aos incentivos adotados atualmente pelo governo Lula. Criado em maio, o Move Brasil disponibilizou até R$ 30 bilhões para taxistas e motoristas de aplicativo financiarem carros novos com juros abaixo dos praticados normalmente pelos bancos. As taxas estão em 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. Até 18 de agosto, R$ 3,55 bilhões haviam sido liberados.
Para Pina, facilitar a compra de veículos pode aumentar as vendas no curto prazo, mas não resolve o problema da baixa produtividade. Ao recordar o estímulo aos caminhões no governo Dilma, o economista disse que chegou um momento em que havia veículos disponíveis sem crescimento correspondente da quantidade de carga a transportar. “Não há, no Brasil, minimamente chance de a gente continuar consumindo o que a gente consome sem aumentar a produtividade”, constatou.
Risco de recessão e estagflação
Na parte final do programa, os economistas concentraram as preocupações em 2027. A IFI estima que a dívida pública passe de cerca de 82,7% do PIB em 2026 para 86,2% no ano seguinte. A dificuldade também aparece no Orçamento. Para 2027, a meta oficial prevê que o governo arrecade, antes do pagamento dos juros, o equivalente a 0,5% do PIB a mais do que gasta. A IFI, contudo, projeta o contrário: as despesas devem superar as receitas em 0,6% do PIB. A diferença entre o resultado esperado pelo governo e o calculado pela instituição supera R$ 94 bilhões. De acordo com a IFI, seria necessário um resultado positivo equivalente a 2,1% do PIB para impedir que a dívida continue crescendo nas condições projetadas — mais de quatro vezes a meta estabelecida para 2027.
Foi diante desse quadro que os convidados levantaram riscos para a economia em 2027. O primeiro deles é uma recessão, situação em que a atividade econômica encolhe de forma disseminada por um período, com redução da produção, das vendas e dos investimentos e possíveis reflexos sobre o emprego.
A inflação é outro ponto de preocupação. O mercado projeta alta de 4,25% dos preços em 2027, acima da meta de 3% perseguida pelo Banco Central. A IFI estima inflação de 4%. Os juros também permaneceriam elevados: tanto o mercado quanto a IFI projetam Selic de 12% ao ano no fim de 2027. Os convidadosobservaram que uma piora desse quadro poderia levar a um problema mais grave: a estagflação. O termo é usado quando a economia praticamente não cresce (ou chega a encolher) ao mesmo tempo que os preços continuam subindo fortemente. Para as famílias, isso significa uma combinação particularmente ruim: menos oportunidades de emprego e renda enquanto o custo de vida continua aumentando. Para 2027, as projeções indicam crescimento entre 1,5% e 1,8% e inflação entre 4% e 4,25%. “Recessão, quase não tenho dúvida”, afirmou Vieira. “A gente pode ter o pior dos dois mundos.”
Os economistas também mencionaram o risco de dominância fiscal. Essa expressão descreve uma situação extrema, em que a dívida e os gastos do governo ficam tão elevados que o Banco Central perde a capacidade de controlar a inflação apenas por meio dos juros. Isso ocorre porque juros maiores também encarecem a dívida pública e aumentam as despesas do governo, de maneira a agravar justamente o problema que alimenta a desconfiança sobre as contas do país.
Apesar dos riscos, os convidados avaliaram que o próximo governo não precisaria resolver todo o desequilíbrio das contas públicas logo no primeiro ano. O primeiro passo, segundo os especialistas, seria apresentar um plano que mostrasse de maneira convincente como o crescimento da dívida seria interrompido ao longo dos anos.
Entre as alternativas discutidas está a adoção de uma meta para a dívida pública. Em vez de exigir que o governo elimine imediatamente o déficit — situação em que gasta mais do que arrecada —, a regra estabeleceria um caminho para impedir que a dívida continue aumentando indefinidamente em relação ao tamanho da economia.
Os convidados argumentaram que a reação poderia começar antes mesmo de o ajuste estar concluído. Se empresas e investidores acreditarem que o governo cumprirá o plano, a percepção de risco pode diminuir, o que facilitaria investimentos e reduziria a pressão sobre os juros. “Não preciso ter o superávit de R$ 200 bilhões já no ano que vem”, afirmou Pina. “Sei que está ruim agora, mas vocês estão me prometendo algo bom. E acredito na promessa.”
Ferraz resumiu a estratégia em duas frentes. A primeira seria recuperar a confiança na condução da economia; a segunda, corrigir as contas públicas ao longo do tempo. “São duas dimensões da agenda: reverter as expectativas do mercado e resolver o problema fiscal ao longo do tempo”, observou.
No longo prazo, os convidados disseram que seria necessário enfrentar o problema da baixa produtividade. Com as contas públicas sob controle e juros menos pressionados, o país teria melhores condições para aumentar os investimentos e fazer a economia crescer pela expansão da produção, em vez de depender continuamente de mais gastos públicos e crédito.
+ Entenda de Economia em Oeste
O post Economistas alertam para crise em 2027 e cobram ajuste fiscal do próximo governo apareceu primeiro em Revista Oeste.



