Eleições 2026: Congresso será mais hostil ao meio ambiente e clima
Análise do Observatório do Clima mostra que sete em cada dez parlamentares da próxima legislatura se posicionam contra a agenda socioambiental.
Os números comprovam: o Congresso saído das urnas no domingo (4/10) piorou para a agenda ambiental e climática no país. É o que mostra uma análise do Observatório do Clima (OC), que aponta que 68,9% dos parlamentares que comporão a 58ª Legislatura (2027-2031) possuem baixa convergência ambiental.
A avaliação baseia-se no Índice de Convergência Ambiental (ICAt), indicador criado pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), que varia de 0 a 100 conforme o grau de alinhamento à defesa do clima e do meio ambiente por parte de deputados e senadores. Quanto maior o ICAt, maior o alinhamento a essas pautas.
O OC verificou que, no Senado, o quadro é pior: 64 dos 81 senadores (79%) da próxima legislatura estão nas faixas “Baixa” ou “Muito Baixa” de convergência ambiental. Na legislatura passada (2023-2027), eram 58 senadores (71,6%). Apenas 17 senadores (21%) estão nas faixas “Boa” ou “Muito Boa” de convergência.
A piora decorre do crescimento de partidos de extrema-direita na Casa, destaca o Observatório do Clima. Historicamente, essas legendas apresentam convergência ambiental muito baixa — o PL, de Flávio Bolsonaro, passou de 15 para 28 cadeiras (34,6%) — e baixa performance ambiental entre os novos senadores.
Na Câmara, o cenário também não é nada favorável: 345 dos 513 deputados (67,3%) estão nas faixas de convergência “Baixa” ou “Muito Baixa”. Na legislatura anterior, eram 63%. O grupo nas faixas “Boa” ou “Muito Boa” caiu de 181 para 168 deputados. Também nesta Casa, o PL ampliou sua bancada, de 98 para 121 deputados (23,6%).
Segundo Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, a piora trazida pelas urnas, especialmente no Senado, pode colocar em risco parte importante da proteção ambiental do país e facilitar a aprovação de retrocessos como o enfraquecimento da atuação dos órgãos ambientais, a redução ou extinção de Áreas Protegidas, a diminuição da proteção às florestas e aos biomas brasileiros e a anistia a grileiros. Para ela, o potencial para liderar pautas socioambientais vem de alguns parlamentares da Câmara, já que há deputados progressistas alinhados à agenda que conquistaram votações expressivas.
“Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço daqueles que atuam em clima e meio ambiente e de muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática. Somando a um governo negacionista de Flávio Bolsonaro, isso significará o caos ambiental”, reforçou Suely.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/10/07/eleicoes-2026-congresso-sera-mais-hostil-ao-meio-ambiente-e-clima/
Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello
