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Eleições 2026: presidenciáveis divergem sobre propostas para o clima

Candidatos à Presidência nas eleições de 2026 citam preocupação com os efeitos da mudança do clima, mas divergem sobre as propostas para o tema. A maioria não aborda a urgência do problema nem o fim dos combustíveis fósseis.

Apesar da intensificação dos eventos extremos nos últimos anos, a crise climática ainda é um tema secundário no debate entre os candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano. Os impactos do clima extremo até recebem alguma atenção nos programas de governo dos presidenciáveis, mas a abordagem do tema e as propostas de ação divergem profundamente — o que também reflete a diferença de entendimento dos presidenciáveis sobre a gravidade do problema.

A partir da análise recente do Observatório do Clima (OC), o Valor fez um panorama de como a questão climática é tratada nas campanhas dos principais candidatos à Presidência. O programa do presidente Lula (PT), candidato à reeleição, é o que mais destaca o tema, reconhecendo a urgência da crise climática e propondo ações específicas para alcançar o desmatamento líquido zero até 2030 e avançar na substituição dos combustíveis fósseis.

Já o programa de Flávio Bolsonaro (PL) ignora solenemente as mudanças climáticas, focando em questões de prevenção e resposta a eventos extremos, sob a perspectiva da segurança hídrica e da Defesa Civil. Sobre o desmatamento, a meta do filho do ex-presidente (e atual presidiário) Jair Bolsonaro é bem menos ambiciosa que a do atual governo: a proposta é zerar o desmatamento ilegal até 2029, mas sem abordar o desmatamento legal. Contudo, considerando o passivo ambiental do (des)governo do pai, a promessa de Flávio é duvidosa.

“Há 22 menções nominais a Jair Bolsonaro ou ao governo Bolsonaro e 10 menções indiretas no plano de governo de Flávio Bolsonaro”, assinalou Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do OC. “O governo de Jair Bolsonaro foi responsável por uma implosão da política ambiental. Aí é difícil levar essas propostas em consideração.”

Já o programa do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), tenta um meio-termo. Por um lado, reconhece que as mudanças climáticas provocam eventos extremos e propõe medidas de adaptação, além de reforçar o compromisso de zerar o desmatamento ilegal até o final da década. Por outro lado, não fala sobre combustíveis fósseis ou medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no Brasil.

Temas relacionados ao clima também são citados nos programas de Augusto Cury (AVANTE), Romeu Zema (NOVO) e Renan Santos (Missão), mas todos de forma incompleta ou indireta. No caso de Cury, o programa menciona energias renováveis (com destaque para hidrogênio verde), mercado de carbono e adaptação, mas sem detalhes. Já o ex-governador de Minas Gerais aborda temas como o mercado de carbono, a bioeconomia e o combate à grilagem, novamente sem detalhes. Por fim, o plano de Renan cita fiscalização ambiental, energias renováveis e baixo carbono — e, bingo!, sem detalhes.

A DW também abordou o levantamento do OC e destacou outro ponto que deve influenciar bastante os rumos da política ambiental brasileira a partir de 2027, independentemente de quem ganhe a Presidência: a disputa pelo Congresso Nacional. Com dois terços das cadeiras do Senado e todos os 513 assentos da Câmara em disputa, a próxima legislatura do Congresso pode ser decisiva para avanços em projetos de proteção ambiental ou de ação climática — ou, repetindo o que se viu na atual legislatura, para fortes retrocessos nesses temas. Ou até mesmo agravando os malfeitos do Congresso atual, já que deputados e senadores costumam não ter limites quando se trata da destruição do meio ambiente e do clima (leia aqui e aqui).

📰 Leia a reportagem completa
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/10/01/eleicoes-2026-presidenciaveis-divergem-sobre-propostas-para-clima/

Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello

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