Erdogan presenteia líderes da Otan com revólveres durante cúpula na Turquia
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, presenteou cada líder ocidental presente na cúpula da Otan com um revólver e seis munições. A iniciativa busca destacar o crescimento da indústria de defesa do país em meio às tensões no Oriente Médio.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, foi direto em seu recado aos líderes ocidentais que participaram da cúpula da Otan no país nesta semana. Em um mundo cada vez mais perigoso, ele presenteou cada um deles com um revólver e seis munições, relata a AFP.
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Com a iniciativa, pode-se dizer que ele "acertou dois alvos com um tiro só". Isto porque seu objetivo era destacar o crescimento da indústria de defesa do país. Mas o ato acabou mostrando também as pretensões de ascensão da Turquia neste cenário de tensão militar no Oriente Médio.
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O gesto de Erdogan causou perplexidade em alguns líderes, que, inclusive, tiveram que passar por um constrangimento. Em função de leis sobre armas em seus países, foram obrigados a deixar o presente para trás. Outros preferiram dar ao ato um caráter cultural e histórico, ao doar os armamentos a museus.
"Percebi que meu presente de xarope de bordo acabou parecendo bastante modesto em comparação", disse o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, a jornalistas, acrescentando que a arma agora está sob custódia da polícia. "Gostaria de tranquilizar os canadenses: mantenho as armas bem longe de mim."
A imprensa turca identificou os revólveres como o Gümüşay .357 Magnum, um revólver clássico de seis tiros produzido pela fabricante estatal de armamentos MKE.
Na rede X, o novo primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar comentou, sem deixar claro o destino do presente: "Um presente incomum do presidente @RTErdogan na cúpula da Otan: um revólver Magnum com munição, gravado com o meu nome", escreveu, publicando uma foto da caixa de apresentação contendo o revólver e seis cartuchos.
Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, agradeceu a Erdogan pelo presente. Um porta-voz informou que o armamento será desativado e doado a um museu militar.
A embalagem do presente incluía uma nota isentando o revólver dos controles de exportação, conforme contou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, a jornalistas. O documento demonstrava que o governo turco havia providenciado a autorização para a saída legal da arma do país.
Mesmo assim, Starmer foi um dos que deixaram o revólver na Turquia para que fosse inutilizado, já que sua importação para o Reino Unido seria ilegal.
O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro dos Países Baixos, Rob Jetten, também não ficaram com o equipamento. De Wever entregou seu revólver à polícia do aeroporto ao desembarcar. Merz e Jetten deixaram as armas nas embaixadas de seus países em Ancara, onde também serão desativadas.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, aceitou a "gentileza" de Erdogan. A arma e os acessórios foram registrados como presente oficial no Palazzo Chigi, sede do governo. Na Grécia, segundo autoridades, o armamento será doado ao Museu da Guerra.
Outro governante que doará o presente a um museu é o presidente da Croácia, Zoran Milanović. Ele afirmou que só descobriu, depois de retornar da cúpula, que Erdogan havia lhe dado uma arma. "Eu nem a levei. Atiro com armas diferentes", disse Milanović, em referência ao seu estilo político.
Turquia desenvolve armamentos
Nos Estados Unidos, a Casa Branca não comentou o presente oferecido por Erdogan aos líderes. Segundo a imprensa turca, o objetivo do presente era destacar a indústria de defesa do país. O setor, nas últimas décadas, deixou de ser fortemente dependente de importações para se tornar um produtor cada vez mais autossuficiente de sistemas militares avançados, entre eles drones e navios de guerra. A Turquia também está desenvolvendo seu próprio caça de nova geração.
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A Turquia é um país em que a cultura das armas é profundamente enraizada. Por isso, o presente praticamente não gerou reações entre seus 86 milhões de habitantes. A fundação Umut Vakfi, que faz campanha pelo controle de armas, afirma que os episódios de violência armada atingiram níveis alarmantes, com mais de 2.700 ocorrências registradas no ano passado.
Segundo a agência estatal turca Anadolu, os participantes da cúpula também receberam um presente bem mais convencional: um exemplar da biografia de Erdogan, intitulada A política da coragem: Erdogan e a ascensão da Turquia.
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