Estadão aponta fracasso da esquerda em conquistar a geração Z
A eleição de Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, com 1,9 milhão de votos para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), é um sinal do afastamento de parte da geração Z dos governos de esquerda, avalia O Estado de S. Paulo. Em editorial publicado nesta segunda-feira, 12, o jornal relaciona o desempenho da vereadora de Praia Grande à frustração dos jovens com as perspectivas econômicas, à
A eleição de Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, com 1,9 milhão de votos para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), é um sinal do afastamento de parte da geração Z dos governos de esquerda, avalia O Estado de S. Paulo.
Em editorial publicado nesta segunda-feira, 12, o jornal relaciona o desempenho da vereadora de Praia Grande à frustração dos jovens com as perspectivas econômicas, à dificuldade de construir patrimônio e à falta de identificação com as pautas defendidas pelo lulopetismo.
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Com a votação, Eduarda obteve o maior número de votos para deputado estadual no Brasil em 2026 e a segunda maior votação da história desse tipo de eleição em São Paulo. Nascida em julho de 2003, ela passou quase 17 de seus 23 anos sob governos do PT, considerando os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência.
Ao Estadão, a parlamentar afirmou que os governos de esquerda “tiveram sua chance” com sua geração e “falharam”. Segundo o editorial, a declaração expressa a insatisfação de jovens que cresceram sob a influência das políticas petistas e não enxergam perspectivas de ascensão social.
Falta de perspectivas econômicas afasta jovens do PT
O editorial destaca uma declaração de Eduarda sobre as dificuldades enfrentadas pela geração Z para alcançar objetivos tradicionalmente associados à vida adulta.
“A minha geração, a geração Z, não tem o sonho da casa própria, não tem o sonho do carro próprio", afirmou a deputada eleita. "Essa conquista tornou-se uma realidade muito distante. As pessoas não têm o sonho de ter filhos porque é inviável. Isso é triste.”
O jornal ressalta que os elementos citados por Eduarda não se tratam de desejos extravagantes. "Ter uma casa, um carro e filhos, até uma geração passada, era o horizonte elementar de uma vida de classe média, uma aspiração natural, ainda que à custa de muito trabalho", diz o texto. A dificuldade de concretizar esses objetivos ajuda a explicar o crescimento de lideranças jovens identificadas com a direita.
"A esquerda e, em particular, o lulopetismo tiveram tempo de sobra para oferecer um futuro mais auspicioso a esses jovens", prossegue o editorial, ao criticar as prioridades econômicas dos governos petistas.
Durante os mais de 13 anos em que o PT esteve no poder entre janeiro de 2003 e maio de 2016, além do atual mandato de Lula, o governo preferiu "estimular o consumo por meio da oferta de crédito fácil e expandir a gastança irresponsável do Estado a promover o aumento da produtividade, a melhora da qualidade da educação pública e o equilíbrio fiscal".
Na avaliação do Estadão, essa estratégia deixou de enfrentar obstáculos estruturais à mobilidade social. "Em suma, negligenciaram a construção das condições estruturais que permitissem a ascensão socioeconômica de milhões de jovens brasileiros."
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O jornal também questiona o argumento do PT de que a ampliação do acesso ao ensino superior teria melhorado as oportunidades da juventude. O editorial aponta o endividamento de estudantes vinculados ao Fundo de Financiamento Estudantil e a insuficiência de empregos compatíveis com a formação universitária.
“De que vale um diploma sem empregos à altura e subsídios sem crescimento sustentado que leve os cidadãos, naturalmente, a prosperarem por conta própria?”, questiona o Estadão.
Agenda identitária afasta esquerda da população
Além dos fatores econômicos, o Estadão atribui parte do afastamento dos jovens à dificuldade da esquerda de compreender as demandas dessa parcela da população. Segundo o editorial, representantes desse espectro político teriam presumido que contariam naturalmente com o apoio da juventude, sem dar a devida atenção a suas preocupações.
O jornal argumenta que temas como emprego, renda, segurança e formação de uma família perderam espaço para pautas identitárias que, na avaliação do texto, dividem a sociedade e afastam quem não compartilha dessas ideias.
Nesse contexto, o editorial menciona a posição de Eduarda, que se define como “a maior inimiga das feministas”. A declaração, diz o Estadão, faz sentido diante da realidade de que "o jovem que não comunga da agenda identitária não é visto pela esquerda como um sujeito de direitos a ser conquistado pela força dos argumentos, mas como um inimigo a ser calado, por vezes pela força bruta".
O texto acrescenta que a discordância é tratada pela maior parte da esquerda como desvio moral. "Nesse sentido, não surpreende que tantos jovens tenham ido buscar guarida para sua liberdade de expressão em outras paragens do espectro político-ideológico", conclui o jornal.
Leia também: "Piás bons de voto", reportagem de Vanessa Araújo, Rachel Díaz e Tauany Cattan publicada na Edição 344 da Revista Oeste
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