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Estudo: mudanças climáticas aquecem oceanos da Europa em até 6°C

Pesquisa da World Weather Attribution (WWA) analisou quatro regiões costeiras europeias e constatou que, em todas, o aquecimento dos oceanos é superior à média global. No Mediterrâneo, o aumento é o dobro, e o fenômeno é atribuído às mudanças climáticas.

Os recordes históricos de temperatura na superfície do mar no litoral da Europa em julho passado seriam praticamente impossíveis sem as mudanças climáticas. A conclusão é de um novo estudo de atribuição divulgado na 4ª feira (19/8) pela rede global de cientistas climáticos World Weather Attribution (WWA). Em algumas áreas do Mediterrâneo, os termômetros registraram máximas até 6°C acima do normal.

Segundo a análise, as mudanças climáticas foram responsáveis por cerca de dois terços da temperatura excessiva observada no último mês. As águas aqueceram cerca de 2oC no Mediterrâneo, 1,4oC no Golfo de Biscaia e na Península Ibérica, e 1,3oC ao redor da Irlanda e no Canal da Mancha. Nessas regiões, as altas temperaturas seriam praticamente impossíveis sem o aquecimento global. Já no Mar Celta, que vai do sul da Irlanda à Bretanha francesa, o calor atingiu níveis que costumam ocorrer apenas uma vez a cada 100 anos.

“Em todas as quatro regiões, esses eventos teriam sido muito raros em um clima pré-industrial, apesar de terem se tornado comuns atualmente”, afirmou Claire Bergin, da Universidade de Maynooth (Irlanda), uma das autoras do estudo, à Folha.

Ela ressaltou a gravidade no Mediterrâneo. “As regiões do Mediterrâneo estão se aquecendo ainda mais rapidamente, com um aumento de aproximadamente 2,9oC no leste e de 3,4oC no oeste. Os valores representam mais do que o dobro da taxa de aquecimento global e mais do que o triplo da taxa de aquecimento dos oceanos”, assinalou Bergin.

O estudo revelou uma expansão massiva das ondas de calor marinhas neste ano, que até agora atingiram 90% da região do Golfo de Biscaia e da costa ibérica, e 80% do Mediterrâneo Ocidental. Em um cenário de não-aquecimento, esses números diminuiriam pela metade. Já no Mediterrâneo Oriental e no Mar Celta, onde a área exposta a ondas de calor foi de 70% e 80%, respectivamente, um mundo sem mudanças climáticas reduziria essa abrangência para 9% e 30%, respectivamente.

O Guardian destaca que o aquecimento marinho pode levar à morte de espécies formadoras de habitat, como corais e macroalgas, perturbando ecossistemas e causando, em larga escala, mortalidade de peixes e aves marinhas. Ele também eleva perigosamente as temperaturas noturnas em regiões costeiras, já que os oceanos esfriam mais lentamente do que a terra.

Outro efeito ocorre nas chuvas. Embora a Europa esteja vivendo um dos períodos mais secos de sua história recente, as águas oceânicas mais quentes do que o normal tendem a tornar as precipitações mais intensas.

“Quando temos temperaturas da superfície do mar muito elevadas, isso fornece energia adicional às tempestades, permitindo que elas durem muito mais tempo”, explicou Catherine Gregory, da Universidade de Berna (Suíça) e coautora do estudo, à Bloomberg.

O estudo também foi destacado por AFP, Bloomberg Línea e Reuters.

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Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/08/19/oceanos-na-europa-estao-ate-6c-mais-quentes-devido-as-mudancas-climaticas/

Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello

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