EUA ameaçam deixar IEA se agência mantiver posições sobre crise climática
Governo Trump insiste em “reforma” para defender os interesses da indústria de combustíveis fósseis e acabar com metas climáticas “irrealistas”.
O governo de Donald Trump segue em sua cruzada quixotesca contra a ação climática global. Nesta semana, a Casa Branca intensificou a pressão sobre a Agência Internacional de Energia (IEA) para acabar com a consideração de questões climáticas na análise e projeção de cenários energéticos futuros. Segundo o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, se a IEA não abandonar essa posição, os EUA podem deixar a entidade.
“Ou reformamos a IEA ou saímos dela. Minha forte preferência é que a reformemos”, disse Wright em um evento organizado pelo Wall Street Journal em Nova York, segundo a Reuters. O representante do governo Trump reforçou que a Casa Branca quer que a IEA “se concentre em sua missão principal, e não em cenários que sejam mais populares politicamente [seja lá o que isso quer dizer]”.
Desde que retornou ao governo dos EUA, em janeiro de 2025, o “agente laranja” vem liderando uma cruzada anticiência climática, com desmonte de órgãos domésticos de pesquisa e monitoramento e o esvaziamento de iniciativas internacionais. Além de abandonar o Acordo de Paris e a Convenção-Quadro da ONU sobre o Clima.
Responsáveis por cerca de 25% do financiamento da IEA, os EUA enxergam na agência outra maneira de inviabilizar análises e pesquisas sobre os impactos do clima no setor energético e sobre os benefícios das fontes renováveis de energia. O que favorece diretamente os interesses da indústria de combustíveis fósseis, que apoiou fortemente Trump na campanha de sua eleição.
Essa pressão tem sido fortemente sentida na IEA. Em fevereiro passado, a agência fez apenas uma menção tímida às mudanças climáticas em um relatório publicado após a reunião bienal dos ministros de energia dos países que integram a entidade. Isso contrasta com a atenção que o clima recebia em documentos anteriores da IEA, inclusive com declarações de apoio à ação climática e à transição energética.
Enquanto isso, o governador da Califórnia (e um dos cotados para a sucessão de Trump pela oposição democrata em 2028), Gavin Newsom, aproveitou a Semana do Clima de Nova York para lustrar suas credenciais verdes e oferecer um contraponto ao negacionismo da Casa Branca. Em um encontro com líderes políticos e empresários na 4ª feira (23/9), Newsom reforçou que a insistência de Trump em combustíveis fósseis é uma “estupidez” que coloca a economia dos EUA em risco. A AP deu mais detalhes.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/09/25/eua-ameacam-deixar-iea-se-agencia-mantiver-posicoes-sobre-crise-climatica/
Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello
