EUA, China e Rússia podem discutir fim da guerra sem a Ucrânia
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, apresentou uma proposta para discutir o futuro da guerra na Ucrânia com os líderes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. A iniciativa, revelada pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal no domingo 18, prevê uma reunião em novembro, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), marcada para os dias 18 e 19, em
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, apresentou uma proposta para discutir o futuro da guerra na Ucrânia com os líderes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. A iniciativa, revelada pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal no domingo 18, prevê uma reunião em novembro, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), marcada para os dias 18 e 19, em Shenzhen, no sul da China.
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A existência desta possibilidade foi reconhecida pelo governo norte-americano, nesta segunda-feira, 19. Em visita ao Uzbequistão, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o tema foi discutido, embora não tenha conhecimento de qualquer definição. Trump permanece, segundo Rubio, disposto a avaliar iniciativas que possam contribuir para uma solução diplomática do conflito, iniciado em fevereiro de 2022.
Rubio admitiu, contudo, que os esforços de Washington ainda não produziram os resultados esperados. Ele ressaltou que a administração norte-americana continuará procurando alternativas para interromper as hostilidades.
A proposta teria sido apresentada por Putin em 9 de outubro, durante uma conversa telefônica com Trump. Conforme uma fonte ligada anteriormente aos serviços de inteligência russos, ouvida pelo jornal, os presidentes também trataram de um entendimento comercial envolvendo a compra de diesel russo pelos EUA e a facilitação de sua comercialização.
Apesar dos contatos, a Casa Branca ainda não assumiu compromisso com a realização da cúpula. Uma autoridade norte-americana informou que Trump poderia considerar o convite em razão de seu interesse em encerrar a guerra.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou que o assunto permanece em discussão, mas esclareceu que não existe consenso sobre a realização do encontro nem sobre os temas que seriam abordados.
Um dos aspectos mais controversos da iniciativa é a ausência prevista do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. A possibilidade de os dirigentes das três potências discutirem o conflito sem a representação de Kiev poderia provocar resistência entre governos europeus.
O cenário também surge em meio ao agravamento das divergências públicas entre Trump e Zelensky. No sábado 17, o presidente ucraniano criticou a decisão norte-americana de suspender sanções contra Moscou e tarifas sobre produtos russos pouco antes de sua entrada em vigor. Na avaliação de Zelensky, a medida poderia estimular a continuidade dos ataques russos.
Trump reagiu no domingo, por meio da rede Truth Social, ao questionar a disposição do governante ucraniano de negociar o encerramento da guerra. O norte-americano também defendeu o fim das ofensivas de Kiev contra refinarias de diesel na Rússia e sugeriu uma mudança na Presidência ucraniana.
Outro ponto de atrito envolve o compartilhamento de informações militares. Zelensky declarou à NBC News que os EUA haviam interrompido durante três dias o fornecimento de dados de inteligência em um período de ataques com mísseis balísticos contra a Ucrânia.
Rubio rejeitou a acusação nesta segunda-feira. O secretário de Estado afirmou que não ocorreu qualquer suspensão e questionou a origem das informações apresentadas pelo presidente ucraniano.
Para Pequim, a eventual reunião representaria uma oportunidade de ampliar sua influência nas negociações internacionais. Yun Sun, diretora do programa sobre a China no Stimson Center, instituto de pesquisas sediado em Washington, afirmou que o governo chinês pretende ocupar uma posição central nas relações entre as grandes potências, inclusive como possível intermediário entre Washington e Moscou.
Dificuldades para China sediar reunião entre Estados Unidos e Rússia
A iniciativa, entretanto, apresenta dificuldades para Xi Jinping. Segundo fontes consultadas pelo jornal, autoridades chinesas receiam que um encontro dedicado à Ucrânia retire o protagonismo da China na programação da Apec.
Há ainda o componente europeu. Pequim procura preservar sua aproximação com Putin sem comprometer os vínculos econômicos que mantém com países da Europa. Uma negociação trilateral sobre a guerra, sem representantes ucranianos, poderia aumentar as tensões com esses parceiros.
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Procurado sobre a possibilidade da cúpula, um representante do Ministério das Relações Exteriores chinês declarou nesta segunda-feira que não dispunha de informações para divulgar.
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