EDIÇÃO DO DIA · 05 de setembro de 2026 --:--:-- COLUMBUS 26ºC
AO VIVO

BRASIL ESTADO

EUA retomam mediação do conflito na Ucrânia

O governo de Donald Trump ampliou, em menos de duas semanas, os contatos de alto nível com Moscou em busca de uma saída para a guerra na Ucrânia. Neste sábado, 5, os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner chegaram a Moscou levando uma nova proposta de paz apresentada pelo presidente. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste Os dois foram recebidos no aeroporto de Vnukovo pelo enviado presiden

O governo de Donald Trump ampliou, em menos de duas semanas, os contatos de alto nível com Moscou em busca de uma saída para a guerra na Ucrânia. Neste sábado, 5, os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner chegaram a Moscou levando uma nova proposta de paz apresentada pelo presidente.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Os dois foram recebidos no aeroporto de Vnukovo pelo enviado presidencial russo Kirill Dmitriev, que já havia participado de encontros anteriores da dupla com o presidente russo, Vladimir Putin. Foi mais uma etapa deste plano. Em 25 de agosto, o diretor da CIA, John Ratcliffe, esteve secretamente em Moscou.

Reproduzir

Trump resolveu voltar a mediar o conflito, depois de sete meses. No início deste ano, algumas reuniões em Genebra e em Abu Dhabi foram infrutíferas. O território continuou sendo o principal impasse: Moscou exigia concessões territoriais, enquanto Kiev rejeitava entregar áreas que ainda controlava.

Agora, a situação mudou. Putin está mais pressionado. A Ucrânia está aumentando o custo da guerra dentro do território russo. Nos dias 26 de agosto e 1º de setembro, ataques ucranianos atingiram, respectivamente, a refinaria Lukoil-Nizhegorodnefteorgsintez, em Kstovo, e a refinaria da Novatek em Ust-Luga, no oblast de Leningrado.

O primeiro ataque levou à suspensão das operações da unidade; o segundo danificou dutos e instalações de processamento. Na quinta-feira 3 e na sexta-feira, novos ataques atingiram dois depósitos de petróleo em Adler, no sul da Rússia, além de instalações petroquímicas e da indústria de defesa.

A campanha de drones contra a infraestrutura energética russa vem afetando a produção de combustíveis. A produção de diesel caiu cerca de 10% em abril e outros 10% em maio, segundo análise da Reuters, enquanto ataques contra refinarias contribuíram para a redução da oferta doméstica e para a adoção de restrições às exportações de combustíveis.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky também está com problemas. Os russos também intensificaram os ataques aéreos contra a Ucrânia nas últimas semanas. Além disso, luta por sua própria sobrevivência política no cenário interno. A demissão do Ministro da Defesa, Mikhailo Fedorov, em 15 de julho último, provocou protestos.

O argumento utilizado por Zelensky, para a demissão, foi o conflito entre Fedorov e o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Syrskyi, especialmente sobre mobilização, reformas e coordenação entre o Ministério da Defesa e o comando militar. Fedorov rebateu a justificativa e acusou Syrskyi de ter sabotado reformas e de ser responsável por problemas na estrutura militar.

No dia seguinte, começaram os protestos em defesa de Fedorov, que se tornou uma figura de oposição interna cada vez mais relevante. Já fora do governo, Fedorov defendeu publicamente a realização de eleições mesmo durante a guerra. Essa posição passou a representar um desafio político direto a Zelensky.

EUA tentam diminuir tensão entre Otan e Rússia na guerra da Ucrânia

Em sua visita, Ratcliffe conversou com Sergey Naryshkin, chefe do Serviço de Inteligência Estrangeiro da Rússia (SVR), e Alexander Bortnikov, diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB). De acordo com informações publicadas posteriormente, entre os assuntos tratados esteve a possibilidade de uma reunião entre Trump, Putin e Zelensky.

Leia mais: "Rússia prepara ataques em larga escala contra energia da Ucrânia"

O diretor da CIA, porém, não se encontrou pessoalmente com Putin. O presidente russo teria sido informado posteriormente sobre o conteúdo das conversas. Ratcliffe procurou acalmar os ânimos, em meio à tensão crescente entre Moscou e a Otan, que tem realizado exercícios militares no Ártico e no Báltico, o que o governo russo considera uma ameaça.

Sobre a visita deste sábado, Trump afirmou na sexta-feira 4 que seus enviados levavam uma proposta destinada a encerrar o conflito. “Temos uma ideia para a paz”, disse o presidente americano, acrescentando que poderia haver “uma boa chance” de se chegar a um acordo.

A situação permanece complexa. O Kremlin sustenta que as exigências de Putin para que a Ucrânia abandone as quatro regiões reivindicadas pela Rússia e desista da intenção de ingressar na Otan continuam inalteradas. Ao mesmo tempo, os dois países intensificaram os ataques de longo alcance nas últimas semanas.

Witkoff e Kushner devem viajar para Kiev no domingo, depois das conversas em Moscou, segundo o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Será a primeira visita dos dois à capital ucraniana desde o início da guerra.

O post EUA retomam mediação do conflito na Ucrânia apareceu primeiro em Revista Oeste.

Leia também

VER TODAS ›