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Europa registra onda de calor em julho de 2026

No final de junho e início de julho de 2026, a Europa enfrentou altas temperaturas, com destaque para as regiões oeste e sul do continente. Especialistas apontam que o fenômeno é temporário e faz parte da variabilidade climática histórica, lembrando que meses antes o Hemisfério Norte havia registrado quedas bruscas de temperatura devido a anticiclones polares móveis.

Na última semana de junho e na segunda semana de julho, notícias destacaram as altas temperaturas na Europa. Como sempre, o alarmismo vem antes das explanações reais sobre o que aconteceu e como isso é altamente temporário, fazendo parte do histórico climatológico de boa parte do oeste e do sul do continente. Ademais, parece que a memória recente foi apagada, pois, há poucos meses, vários Anticiclones Polares Móveis (APM) tomaram o Hemisfério Norte por completo, derrubando as temperaturas vertiginosamente e atingindo marcas recordes.

Primeiramente, é preciso lembrar que o Hemisfério Norte tinha acabado de entrar em seu verão. Portanto, essa era a condição sazonal climática da Europa. Isso significa que havia mais horas possível de brilho solar, pois os dias eram os mais longos do seu calendário. O que importava, a seguir, eram as condições dos quadros meteorológicos que surgem no decorrer do período. Em geral, as duas primeiras semanas de verão em algumas regiões da Europa são marcadas pela presença de um sistema de alta pressão atmosférica em superfície.

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A região geográfica tomada por um sistema anticiclonal é seca. Portanto, não tem umidade disponível para a formação de nuvens. O processo de subsidência do ar inerente ao próprio sistema também inibe a evolução de qualquer tipo de nebulosidade. Assim, a combinação de um dia longo com alto brilho solar ocasionado pela ausência de nuvens permite que a carga de radiação oriundas do Sol de ondas curtas incidente sobre a superfície seja colossal. A resposta na troposfera (a primeira camada da atmosfera de baixo para cima) é o aquecimento do ar, elevando as temperaturas. Como o anticiclone é muito extenso, a circulação de ventos na escala sinóptica ocorre somente na periferia do sistema. Internamente há uma calmaria ou ventos muito fracos locais, o que favorece a formação de bolsões quentes continentais.

"Houve um número crescente de incêndios criminosos, os quais são desprezados pela grande mídia desde 2019"

A primeira região a sentir os impactos do calor elevado é a Península Ibérica. O Anticiclone dos Açores (ou Aglutinação Anticiclônica do Atlântico Norte, pela Escola Francesa) estende-se sobre a área continental. Seus efeitos imediatos refletem na subida da temperatura e queda da umidade disponível. A secura do ar faz com que a vegetação ibérica, especialmente a arbustiva de menor porte, seque rapidamente, tornando-se facilmente material combustível.

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Vale lembrar que, embora existam incêndios florestais que ocorram de forma espontânea, pois fazem parte do ciclo natural, nos últimos houve um número crescente de incêndios criminosos, os quais são desprezados pela grande mídia desde 2019. Exemplo foi o caso australiano, quando dezenas de incendiários foram presos, mas liberados a seguir. O mesmo já ocorreu no Canadá, nos Estados Unidos e na própria Europa, toda vez que as regiões entram em seu período de estiagem. Curioso.

Altas temperaturas na Europa além da Península Ibérica

Saindo da Península Ibérica, a segunda região que amplia a ação anticiclônica, especialmente com a modificação rápida dos APM “velhos” pela alta insolação, segue do Reino Unido até a Itália, passando pelos Países Baixos, pela França e pela Alemanha. Não foi à toa que foram justamente esses países que marcaram os valores mais altos de temperatura na entrada do verão europeu, em junho. Esse efeito ainda é mais marcante conforme se adentra ao continente, pois um dos fatores climáticos é justamente o efeito da continentalidade. Quanto mais a região estiver longe do mar ou oceano, maiores serão as temperaturas durante a estação sazonal de verão, onde a grande carga de radiação solar incidente potencializa seus efeitos em elevar as temperaturas do ar. Isto também ocorreu neste período.

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Quanto às medições realizadas pela turma da agência europeia Copernicus, programa espacial totalmente imerso em ideologia ambiental-climática, vale lembrar que eles só se “esqueceram” de dizer que o satélite infere temperatura do ar pelos processos da troposfera, incluindo radiativo e a agitação de moléculas. O que eles mediram não foi “aquecimento global” causado por “mudança climática” de CO2, mas um saldo positivo mais alto de radiação de onda longa e maior agitação molecular porque entrou primeiramente uma carga imensa de radiação de onda curta. É consequência, não a causa. Por isto, ver “mapas térmicos” com hotspots (pontos quentes que incluem a superfície emissora) de 50oC em pleno dia é pura malandragem.

Assim, dizer que foram os valores mais altos registrados, como recordes, é apenas a costumeira conversa para boi dormir. Eles chegaram a dizer que o mês de junho de 2026 foi o mais quente registrado na “história” da Europa Ocidental. Contudo, se as temperaturas já estiveram mais altas que as atuais no período Minoano, Egípcio e Romano, então a “história” a que se referem deve ser a da carochinha. Para quem acompanha a coluna, não é preciso lembrar que foram nesses países, especialmente no Reino Unido, onde se encontraram as mais absurdas temperaturas de verão, registradas por aparelhos em estações que nem sequer existiam ou que apresentavam medições de 2ºC a 5oC mais elevadas que as Estações Meteorológicas de Superfície convencionais. Isso em 2024, o “ano mais quente da história”, segundo os próprios.

Verão europeu

Em resumo, eles sempre souberam onde e quando o quadro meteorológico iria se formar e suas consequências, como explanado, pois existe uma recorrência climatológica na região da Europa Ocidental que, não raro, tal formação pode se intensificar quando se une ao norte da África, tomando a área do oeste do Mediterrâneo. O resultado é o curto e aproveitável verão europeu (pelo menos, no oeste), especialmente na França, região sul e central alemã, Espanha e países um pouco mais ao norte.

A partir da Itália, a coisa fica um pouco diferente. As temperaturas podem se tornar mais amenas pela presença de nebulosidade local, cuja umidade do Mediterrâneo interfere com mais proeminência, diminuindo a incidência de alta radiação solar direta. Para os países mais centrais, como a Polônia, e a leste, como Romênia, República Tcheca e Hungria, a situação é semelhante pelo efeito do fator climático da continentalidade, agravado pela presença de sistemas de alta pressão. Isso permite um tempo com temperaturas mais elevadas na Polônia, por exemplo, podendo chegar aos 25oC.

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Para a Alemanha, a situação de alta pressão com dias totalmente desimpedidos de nuvens trouxe o benefício de aumentar a sua geração de energia elétrica fornecida pelas fazendas solares. Essa é a única época em que há um pico de geração dessa forma de energia. Contudo, os seus parques eólicos não respondem na mesma proporção porque enquanto o quadro meteorológico é favorável para a alta incidência de radiação solar direta, a calmaria dos ventos não ajuda na geração eólica. Tal fato não muda o preço da energia, que continua cara, criando um racionamento forçado velado para o uso de condicionadores de ar no sistema unificado elétrico europeu. Isso reduz drasticamente o conforto térmico das pessoas nas cidades durante o período de 15 a 30 dias.

As altas temperaturas podem provocar óbitos, especialmente das pessoas mais idosas, como ocorreu recentemente na Europa. A falta de hidratação adequada é o principal fator e não necessariamente quadros de insolação. A situação torna-se mais agravada pela alta nos preços de eletricidade que faz com que muitas pessoas também reduzam o consumo de energia destinada à refrigeração. Contudo, essa questão é mais preocupante durante o inverno, quando é o aquecimento das residências que consome uma fatia considerável do orçamento das famílias. Lembremos também que o número de óbitos por frio é bem maior que os derivados das ondas de calor.

Inverno no Brasil

Enquanto quase a metade da Europa teve seu rotineiro e curto verão aquecido, aqui no Brasil, Hemisfério Sul, o inverno vai deixando as suas marcas. Por se tratar de um país de dimensões continentais, os quadros meteorológicos característicos dessa estação sazonal destoam entre as regiões. A calha norte do país ainda recebe cargas de chuvas derivadas da Zona de Convergência Inter-Tropical, exceto a Região Nordeste. O Centro-Oeste apresenta o predomínio de sistemas de alta pressão em superfície, semelhantes ao que ocorreu na Europa no fim de junho e começo de julho. Essa situação tem elevado as temperaturas até 28oC pela incidência de radiação solar e a ausência de nebulosidade. Houve temperaturas máximas beirando aos 30oC.

Já o Sul e o Sudeste tiveram as experiências iniciais com as baixas temperaturas. As primeiras geadas de inverno ocorreram intensamente em 25 de junho no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, mas foi na primeira dezena de julho que um quadro meteorológico interessante se formou, com a presença de um ciclone extratropical bastante alongado e que beirou a costa dos Estados sulistas. Por ser muito oblongado, o seu escoamento superficial de ar frio de retaguarda seguiu desde a região fronteiriça da Argentina e do Uruguai, atingindo até o Rio de Janeiro e o sul de Minas Gerais, passando por São Paulo.

Geadas foram observadas em 8 de julho e na manhã seguinte. A região serrana de Itatiaia, divisa interiorana de São Paulo e Rio de Janeiro, registrou uma das menores temperaturas mínimas do ar, alcançando –7,7oC. Assim, embora o Sol tenha brilhado nesses dias de inverno nestas regiões, proporcionando algumas horas agradáveis, as temperaturas caem logo depois ds 16h e diminuem bastante durante as noites. Essa é uma das características mais marcantes do nosso inverno no Sul e Sudeste, que mal começou.

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O post Altas temperaturas na Europa em 2026 apareceu primeiro em Revista Oeste.

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