Ex-agente de atacante do Vasco é preso em apartamento do jogador
Édson Vander da Silva Júnior, de 32 anos, apontado pela Polícia Civil do Espírito Santo como chefe do tráfico de drogas no bairro Serra Dourada 3, na Serra, Grande Vitória, foi preso em um apartamento de luxo pertencente ao atacante David Corrêa, do Vasco. Mensagens encontradas no celular do suspeito levaram os investigadores à chamada Operação A Tropa, que teve o jogador e o lateral Hayner Cor
Édson Vander da Silva Júnior, de 32 anos, apontado pela Polícia Civil do Espírito Santo como chefe do tráfico de drogas no bairro Serra Dourada 3, na Serra, Grande Vitória, foi preso em um apartamento de luxo pertencente ao atacante David Corrêa, do Vasco. Mensagens encontradas no celular do suspeito levaram os investigadores à chamada Operação A Tropa, que teve o jogador e o lateral Hayner Cordeiro, do Vila Nova, entre os alvos.
Segundo a polícia, Édson exercia simultaneamente a função de agente de David Corrêa. Ele seria responsável por negociar contratos, administrar as finanças e cuidar da carreira do atleta. As investigações também apontam que ele comandava atividades relacionadas ao tráfico de drogas e armas em Serra Dourada 3.
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Édson havia sido preso em agosto de 2024, acusado de participar de uma tentativa de homicídio ocorrida em março daquele ano. O crime, segundo a investigação, estaria relacionado à disputa pelo controle do tráfico na região, onde também cresceram os jogadores David Corrêa e Hayner Cordeiro.
A vítima foi sequestrada no bairro e colocada em um carro clonado. O veículo seria de propriedade de Ruan de Freitas Camargo Cruz, de 27 anos, que estava no banco do passageiro. Um terceiro suspeito dirigia o automóvel, enquanto um adolescente vigiava o homem sequestrado, segundo a polícia.
A investigação sustenta que o ataque foi planejado por Édson. Os suspeitos desconfiavam que a vítima, próxima do ex-agente e de Ruan, teria repassado informações a uma facção rival.
Durante o trajeto, o homem tentou fugir quando os criminosos se distraíram. Ele foi atingido por tiros e levou ainda um disparo nas costas. Ferido, sobreviveu ao fingir estar morto.
Édson foi localizado meses depois no imóvel de David Corrêa, em Vila Velha, na Grande Vitória. Ruan também foi preso. Conforme a polícia, os dois assumiram o controle do tráfico em Serra Dourada 3 com a morte de um antigo chefe, conhecido como Leleto, em 2024.
“O Edson Júnior era o agente que movimentava todo o controle financeiro do investigado ali [...] Está mais do que comprovado que o agente do investigado à época e o Ruan assumiram o controle do tráfico de drogas do bairro Serra Dourada 3”, afirmou Rodrigo Sandi Mori, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa da Serra, segundo o jornal O Globo.
Diálogos entre jogador do Vasco e ex-agente citam armas e dinheiro
Mensagens encontradas no telefone de Édson também indicam, segundo os investigadores, uma possível relação financeira de David Corrêa com o grupo criminoso. Em uma conversa, o ex-agente informou ao jogador sobre o estado de saúde da vítima no hospital, dias depois da tentativa de homicídio.
“Ele mereceu tomar uns tiros mesmo”, respondeu o atacante, de acordo com a investigação. Em outro diálogo, Édson enviou a David uma fotografia de uma pistola de grosso calibre. O jogador respondeu: “Tem que matar um para ver de qual é”.
Três dias depois da tentativa de homicídio, Édson encaminhou ao atacante um áudio de Ruan. Na gravação, segundo os investigadores, Ruan pedia dinheiro em espécie para substituir o veículo utilizado no crime.
A Operação A Tropa foi deflagrada nesta semana pelas polícias civis do Espírito Santo e do Rio de Janeiro, com diligências também em Goiás e no Distrito Federal. Cerca de 100 policiais participaram da ação, que teve como alvo uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
No Rio, os agentes fizeram buscas no apartamento de David Corrêa, na Barra da Tijuca, e em Vargem Grande. Também houve cumprimento de mandado no Centro de Treinamento do Vasco, em Jacarepaguá.
Quatro pessoas foram presas, nenhuma delas jogador de futebol. Dois mandados foram cumpridos contra suspeitos que estavam em liberdade, sendo que um deles também foi detido em flagrante por posse de arma. Outros dois mandados tiveram como alvo pessoas que já estavam presas.
Segundo os investigadores, outros atletas profissionais e empresários também são analisados por possíveis vínculos com a organização. Os clubes de futebol onde foram realizadas buscas, contudo, não são investigados e colaboraram com as autoridades.
A operação cumpriu quatro mandados de prisão temporária e 15 de busca e apreensão em municípios da Grande Vitória, Afonso Cláudio (ES), Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal. O nome A Tropa faz referência à expressão usada pelos próprios investigados para denominar o grupo criminoso.
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