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Ex-controlador da Reag negocia colaboração premiada com a PGR

O empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-controlador da Reag Investimentos, está próximo de firmar acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). As negociações avançaram nas últimas semanas.

O empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-controlador da Reag Investimentos, está próximo de fechar um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

As conversas avançaram nas últimas semanas, conforme apurou Oeste. Tanto Mansur quanto a PGR concordam com a maioria dos termos da colaboração.

Mansur está no centro de duas frentes de investigação. Uma delas envolve o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. A outra é a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para investigar um esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

A delação de Mansur

O ex-controlador da Reag discutia um acordo desde o fim de 2025. A defesa chegou a apresentar uma proposta ao Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, mas as conversas não prosperaram. Paralelamente, houve tratativas com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), no âmbito da Carbono Oculto.

Naquele momento, investigadores já consideravam a possibilidade de que uma eventual colaboração de Mansur alcançasse também o caso Master. A apuração sobre o banco está sob responsabilidade da PGR e é supervisionada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo apurou Oeste, Vorcaro seria o principal alvo das informações que poderiam ser fornecidas por Mansur.

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A relação com o Banco Master

Mansur virou alvo, em janeiro, da segunda fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura, entre outros fatos, a atuação de fundos de investimento que teriam sido usados em operações relacionadas ao patrimônio do Master.

Um relatório do Banco Central encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) apontou indícios de fraude em operações realizadas pelo Master com fundos administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Segundo o documento, as transações suspeitas somariam R$ 11,5 bilhões e apresentariam falhas graves em relação às normas do Sistema Financeiro Nacional.

Há ainda outras operações que aproximam Mansur do Master. Em abril de 2025, o ex-controlador da Reag adquiriu ações do Banco de Brasília (BRB) por meio do Celeno, fundo administrado pelo Banco Master.

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Documento enviado pelo BRB ao Banco Central registrou que o ex-controlador da Reag comprou 20.320.952 recibos de ações preferenciais e 1.817.063 ações ordinárias da instituição. As ações ordinárias são papéis que, em regra, conferem direito de voto ao acionista. Já os recibos mencionados no documento representavam ações preferenciais, categoria que normalmente dá prioridade no recebimento de dividendos, mas pode ter direitos políticos diferentes dos atribuídos às ações ordinárias.

A proximidade entre os dois empresários também apareceu quando Vorcaro buscava negociar sua própria colaboração. Em março, investigadores chegaram a trabalhar com a hipótese de depoimentos coordenados entre Mansur e Vorcaro. Os dois eram representados pelo advogado José Luís Oliveira Lima, o Juca. A ideia discutida nos bastidores era que cada investigado tivesse seu próprio acordo, com relatos que pudessem se complementar.

No entanto, as tratativas de Vorcaro encontraram obstáculos. Em julho, a PGR e a Polícia Federal descartaram novas negociações depois da rejeição de uma segunda proposta de colaboração apresentada pelo ex-controlador do Master.

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Carbono Oculto

Mansur também é investigado no caso que colocou a Reag no centro das apurações sobre o uso de fundos de investimento para ocultação de patrimônio.

A Operação Carbono Oculto foi deflagrada em agosto de 2025. As investigações atingiram estruturas financeiras relacionadas a Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco. A apuração investiga fraudes tributárias e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia formal.

Fundos administrados pela Reag aparecem nas investigações. Depois da operação, Mansur deixou o controle da companhia. Em setembro de 2025, a Reag comunicou ao mercado a venda de 87,38% do capital que estava nas mãos do empresário para a Arandu Capital Holding, controlada por executivos da própria gestora.

Em janeiro deste ano, depois da segunda fase da Compliance Zero, o Banco Central decretou a liquidação da Reag Trust DTVM. O BC justificou a medida pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição e por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

Mansur nega irregularidades. Ao depor na CPI do Crime Organizado do Senado, em 11 de março, o ex-controlador da Reag negou ligação da gestora com o PCC.

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