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Ex-secretária de Educação do Piauí vira ré em ações do MPF por supostos desvios de R$ 50 milhões em transporte escolar

O Ministério Público Federal apresentou duas denúncias contra Rejane Ribeiro Sousa Dias, ex-secretária de Educação do Piauí e esposa do ministro Wellington Dias, por supostos atos de improbidade administrativa e dano ao erário em contratos de transporte escolar firmados entre 2015 e 2018, que podem ter causado desvios superiores a R$ 50 milhões.

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou à Justiça Federal no Piauí duas denúncias contra a conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI), Rejane Ribeiro Sousa Dias, ex-secretária de Educação do Piauí e mulher do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.

As ações tratam de supostos atos de improbidade administrativa e dano ao erário relacionados a contratos de transporte escolar firmados entre 2015 e 2018, período em que Wellington governava o Estado. Segundo a investigação, as irregularidades podem ter provocado desvios superiores a R$ 50 milhões.

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As denúncias decorrem de investigações sobre a aplicação de recursos federais na Secretaria de Educação. Conforme o MPF, empresas responsáveis pelo transporte escolar eram obrigadas a pagar propina para receber os repasses do governo estadual.

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, durante o aniversário do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu - 11/3/2025 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste

Desvios de verba no governo de Wellington Dias incluíam propina

De acordo com os procuradores, o esquema se sustentava em três frentes: cobrança de propina de até 50% sobre os valores dos contratos, inserção de informações falsas nos sistemas de desembolso do Estado e desvio de finalidade de verbas federais. A denúncia afirma que recursos do Tesouro Nacional eram transferidos irregularmente para contas estaduais com o objetivo de dificultar o controle dos gastos.

O MPF atribui à então secretária papel central na suposta organização criminosa. Segundo a denúncia, Rejane Dias liderava o "núcleo de agentes públicos" e, "com pleno conhecimento do esquema, adjudicou e homologou processos licitatórios viciados".

O órgão acrescenta que, sem sua atuação, "a organização criminosa não teria logrado êxito no direcionamento dos contratos superfaturados".

A segunda ação trata de um suposto esquema de desvio de recursos federais destinados ao transporte escolar, envolvendo contratos firmados por meio de dispensa de licitação e pregões. Conforme o MPF, a Secretaria de Educação ignorou deliberadamente a aquisição de frota própria, mantendo uma estimativa de rotas e de estudantes transportados incompatível com a realidade.

Fachada do Ministério Público Federal, órgão que apresentou duas denúncias contra a conselheira do Tribunal de Contas do Piauí, Rejane Ribeiro Sousa Dias | Foto: Andrevruas/Wikimedia Commons

Ainda segundo os procuradores, as empresas contratadas atuavam apenas como intermediárias. Em vez de utilizar veículos e funcionários próprios, terceirizavam integralmente o serviço para motoristas particulares. Esses profissionais recebiam valores até 44,38% inferiores aos pagos pelo Estado, o que permitia às empresas reter parte significativa dos recursos públicos.

A denúncia também aponta falhas na execução do transporte escolar. Conforme o MPF, inspeções identificaram veículos inadequados para o serviço, incluindo carros de passeio e caminhonetes adaptadas do tipo "pau de arara", utilizados no lugar de ônibus e vans previstos nos contratos.

"Equipes de inspeção flagraram o uso de veículos de passeio e caminhonetes adaptadas", registra o documento.

Rafael Fonteles (PT), atual governador do Estado do Piauí | Foto: Gabriel Paulino/Governo do Piauí

Os procuradores afirmam ainda que foram encontrados veículos com pneus desgastados e sem equipamentos obrigatórios de segurança, além de motoristas sem a categoria de Carteira Nacional de Habilitação exigida para o transporte de estudantes.

Outra irregularidade apontada é o pagamento por quilometragem que não correspondia aos trajetos efetivamente percorridos. "Inspeções in loco identificaram que diversas rotas eram significativamente mais curtas do que o previsto no edital e nos atestos de pagamentos", sustenta o MPF.

As investigações sobre o caso vieram a público em dezembro de 2023, quando foram reveladas suspeitas de superfaturamento em contratos firmados durante a gestão de Rejane Dias na Secretaria de Educação do Piauí. Até o momento, a defesa da conselheira não se manifestou sobre as novas denúncias.

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