EDIÇÃO DO DIA · 13 de julho de 2026 --:--:-- COLUMBUS 19ºC
DÓLAR R$ 5,11 ▲ +0,00% EURO R$ 5,84 ▲ +0,29%
AO VIVO

BRASIL ESTADO

Expulsão de Rattín na Copa de 1966 gera polêmica

O volante argentino Antonio Rattín foi expulso pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein durante as quartas de final da Copa do Mundo de 1966. Sem cartões na época, Rattín recusou-se a sair de campo por mais de 10 minutos, exigindo um intérprete, e saiu contrariado, agredindo a bandeira de escanteio.

As cenas poderiam se contrapor. Numa delas, Antonio Rattín, volante e capitão da seleção da Argentina, é mandado se retirar do campo pelo árbitro alemão Rudolf Kreitlein. Eram as quartas de final da Copa do Mundo de 1966. De personalidade forte, Rattin gesticulava para a arbitragem, que viu aquilo como uma ofensa.

+ Leia mais notícias de Copa do Mundo em Oeste

O juiz, então, decidiu expulsar Rattín, mas não havia cartões na época. Rattín permaneceu por mais de 10 minutos, exigindo um intérprete. Depois, saiu contrariado, resvalando com agressividade na bandeira de escanteio, que era a da Inglaterra.

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Clarín (@clarincom)


Foi um prenúncio da rivalidade entre as duas seleções, intensificada pela Guerra das Malvinas, em 1982. Quando Rattín saiu, o jogo estava 0 a 0. Sem ele, a Inglaterra venceu por 1 a 0. E, desde então, foram instituídos os cartões, como uma forma de comunicação que não necessitava da linguagem.

Na outra cena, Breel Embolo, da Suíça, enfrenta a seleção da Argentina, também pelas quartas de final. Mas da Copa do Mundo de 2026, 60 anos depois. A linguagem deixou de ser um obstáculo, mas os cartões perduraram e se tornaram fontes de polêmicas tão grandes quanto as que levaram Rattín a deixar aquela partida.

Os hábitos mudam, o ser humano, nem tanto. Embolo já havia recebido o amarelo por entrada dura. E, aos 25 minutos do segundo tempo, quando sua equipe dominava, simulou uma falta de Paredes e inaugurou, em Copas do Mundo, o uso de uma nova regra do VAR, a de erro de identificação, cometido pelo juiz português, João Pinheiro, ao não ver a simulação e dar o amarelo para Paredes.

Ao ser alertado para o VAR, uma nova forma de interpretação, Pinheiro reviu o lance e deu o segundo amarelo, por simulação, a Embolo, que foi expulso. As coincidências não param: Paredes, assim como Rattín, também é volante e jogador do Boca Juniors.

A saída de Embolo foi tão épica quanto a de Rattín. Embolo saiu com as mãos no rosto, chorando. Rattín também deixou o gramado inconformado, a ponto de desafiar o público. Seu ato contra a bandeira inglesa no corner gerou manchetes revoltadas nos tabloides ingleses. “Go Home, Thugs!” (“Voltem para casa, arruaceiros!”), foi uma delas.

Leia mais: "Messi é o jogador com mais vitórias em Copas do Mundo"

Seis décadas depois, em 11 de julho, no mesmo dia em que uma nova regra foi usada, morreu Rattín, aos 89 anos. Justamente quando sua seleção venceu um jogo graças à expulsão de um adversário. Por causa do cartão amarelo ao qual ele deu origem. Rattín morreu como uma lenda. Muito acima de polêmicas. Jogadores como ele fazem história. E se perpetuam, no campo e na vida, em todas as linguagens.

O post O dia que uniu Rattín e Embolo na Copa do Mundo apareceu primeiro em Revista Oeste.

Leia também

VER TODAS ›