Fim da escala 6×1 deve encarecer carnes em janeiro, diz ABPA
O fim da escala 6x1 deve elevar os preços das carnes em janeiro, segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Ele avalia que a redução da jornada pode diminuir a produção e aumentar os custos da indústria. “Quando dá o preço final lá na prateleira, a partir de janeiro já deve sentir esse efeito, porque é um efeito inevitável”, afirmou à emissora CNN Br
O fim da escala 6x1 deve elevar os preços das carnes em janeiro, segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Ele avalia que a redução da jornada pode diminuir a produção e aumentar os custos da indústria.
“Quando dá o preço final lá na prateleira, a partir de janeiro já deve sentir esse efeito, porque é um efeito inevitável”, afirmou à emissora CNN Brasil durante a Sial Paris 2026, a maior feira profissional do setor agroalimentar do mundo.
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A mudança começa a valer em 15 de dezembro, quando termina a transição da Emenda Constitucional nº 141, promulgada na sexta-feira 16. A regra estabelece a escala 5x2, com dois dias de descanso semanal, e reduz a jornada máxima de 44 para 42 horas. A redução para 40 horas ocorrerá gradualmente em 14 meses.
6x1: dificuldades da indústria para contratar
A indústria de aves e suínos acumula mais de 20 mil vagas abertas. Empresas que não contratarem funcionários ou reorganizarem as operações podem reduzir a produção. “Essa redução em 5% retira 5% da capacidade de produção de um setor que já tem mais de 20 mil vagas em aberto de trabalho”, disse Santin.
A estimativa considera empresas que não compensarem a redução da jornada. Algumas podem recorrer a horas extras para manter o volume produzido, o que aumenta os custos. “Terão que repassar isso ao preço das prateleiras para poder compensar o custo que é pago no produto”, afirmou.
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A dificuldade para contratar levou indústrias a buscarem trabalhadores em outras regiões do Brasil e em países como Venezuela, Haiti e Bolívia. Sem reposição de funcionários, porém, a redução da jornada limita o funcionamento das linhas de produção.
Os frigoríficos também seguem exigências sanitárias, ambientais e de bem-estar animal. As empresas não podem manter animais em espera sem condições adequadas de abate. Unidades que não reorganizarem as equipes podem processar menos animais.
ABPA pede transição mais longa
Em nota divulgada na quinta-feira 15, a ABPA afirmou que cumprirá a legislação, mas alertou para possíveis impactos na produção, na oferta e nos custos. Santin defende um prazo maior de adaptação e debaterá o tema com o ministro da Agricultura, André de Paula, nos próximos dias.
O efeito nos preços dependerá da adaptação de cada empresa. Novas contratações ou turnos podem preservar a produção. Sem funcionários suficientes, as indústrias podem reduzir o volume ou pagar horas extras.
No entanto, a ABPA não apresentou estimativa consolidada do impacto sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A projeção indica pressão sobre os preços de aves e suínos em parte da indústria, sem calcular o aumento da inflação geral.
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