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Flávio Bolsonaro pede impeachment de Moraes e cobra ação do Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, cobrou do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a abertura de processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), cobrou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), dê início a um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

+ Flávio diz que Moraes atuou como ‘advogado de fato’ de Vorcaro

Durante discurso na tribuna, o parlamentar afirmou que, diante das novas revelações envolvendo o magistrado e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, “não dá mais para se omitir” e acusou o Senado de fechar os olhos para a crise institucional: “A democracia está podre no Brasil”.

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que vieram a público novas informações extraídas do celular de Vorcaro. Entre elas estão mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a Moraes às vésperas de sua prisão, nas quais Vorcaro tratava do avanço das investigações e chegou a perguntar se deveria deixar o país.

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Também foi revelado que Moraes revisou uma versão do contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Master e o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. As respostas do ministro às mensagens de Vorcaro foram apagadas e não foram recuperadas pela Polícia Federal.

Para Flávio, o conjunto de informações exige uma reação imediata do Legislativo. O senador afirmou que o episódio representa um “dia triste” para a democracia e criticou o que chamou de “anestesia” do Senado diante das revelações.

“É muito preocupante essa espécie de anestesia que estamos vendo por parte do Poder Legislativo, em especial desta Casa”, disse. “Até quando este Senado vai tapar os olhos e fingir que nada está acontecendo no Brasil, que está tudo normal?”

O ministro do STF Alexandre de Moraes e sua mulher, Viviane Barci| Foto: Ricardo Stuckert/PR

Flávio afirmou que os senadores têm o dever de defender as instituições, e não individualmente seus integrantes. Na avaliação do parlamentar, a falta de reação do Congresso contribuiu para a situação atual.

“Chegamos a esse ponto porque este Senado, em que muitos se vangloriam de ter trabalhado pela defesa da democracia, agora não enxerga que a democracia está podre no Brasil”, ressaltou.

O senador também acusou Moraes de interferir na política e afirmou que parlamentares passaram a trabalhar sob uma espécie de ameaça permanente de decisões judiciais.

“Todo mundo aqui sabe e, muitas vezes, finge que não vê”, prosseguiu. “Hoje, todo mundo aqui, de um jeito ou de outro, acaba vivendo sob uma espécie de ameaça, uma espada apontada para a cabeça, com o sentimento de que um senador não pode vir a esta tribuna dizer o que pensa porque pode acontecer alguma coisa com ele.”

Depois de a PGR pedir a nulidade do relatório da PF, o ministro André Mendonça, que relata o caso no STF, quer levar o relatório sobre Moraes e Vorcaro ao plenário do STF| Foto: Rosinei Coutinho/STF

Pressão sobre Alcolumbre

Na parte final do discurso, Flávio direcionou a cobrança diretamente a Alcolumbre. Nesta terça-feira, um novo pedido de impeachment de Moraes foi protocolado no Senado, e o parlamentar defendeu que o presidente da Casa dê andamento imediato ao processo.

“Não dá para fingir que ele não cometeu crime de responsabilidade”, afirmou. “A história está sendo escrita hoje por cada um que está aqui. Alexandre de Moraes precisa ter o processo de impeachment imediatamente iniciado. Imediatamente. Coloque agora em votação aqui no plenário, porque é inaceitável continuarmos aceitando esse tipo de coisa no Brasil.”

Alcolumbre estava na cadeira da presidência do Senado durante a fala de Flávio | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

O senador atribuiu parte da responsabilidade pela escalada da crise à própria Casa: “Por causa da nossa omissão, por causa da omissão do Senado Federal, é que as coisas chegaram a esse nível”.

Flávio afirmou ainda que a abertura do processo permitiria a Moraes exercer direitos que, segundo ele, não foram assegurados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Vamos iniciar imediatamente um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes e dar a ele o que ele não deu ao presidente Bolsonaro: o direito de defesa, o direito ao devido processo legal e o direito de explicar todas essas aberrações que vieram à tona.”

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Ao encerrar, o senador também cobrou uma reação do próprio Supremo diante das revelações e disse esperar que a Corte coloque a preservação da instituição acima da proteção de seus integrantes.

“Qual vai ser a decisão? Defesa do Brasil, defesa da instituição, defesa do Supremo ou proteção a um colega? Espero, sinceramente, que a maioria no Supremo cumpra a lei, respeite a Constituição e mostre ao Brasil que ainda tem alguma condição de resgatar a credibilidade do Judiciário.”

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