Garimpo ilegal usa Venezuela e Guiana para “lavar” ouro brasileiro
Com aperto da fiscalização, criminosos passaram a usar cada vez mais países vizinhos na América do Sul como interpostos para “lavagem” do ouro.
Até 2022, o ouro extraído ilegalmente no Brasil era embarcado clandestinamente em portos no Pará e em São Paulo, de onde partia para mercados como os Estados Unidos e a Europa. Mas, no governo Lula, com o aumento da fiscalização e o combate ao garimpo ilegal, as práticas de “lavagem” do metal vêm mudando.
Os criminosos se adaptaram ao cerco das autoridades e passaram a usar países vizinhos na América do Sul como interpostos para “lavar” o ouro ilegal. O ouro é transportado por rodovias, aeronaves e rotas clandestinas para Venezuela, Guiana e Suriname, e só então é exportado para outros continentes.
É o que relataram à Folha cinco investigadores diretamente envolvidos em operações de combate ao garimpo ilegal. Antes, o ouro extraído ilegalmente no Brasil era lavado no próprio país, a partir da venda de notas frias a empresas nacionais, dizem os agentes. Agora, atravessa as fronteiras próximas para isso.
Roraima tornou-se um dos principais corredores desse escoamento. Desde 2024, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registra apreensões recordes de ouro nas BR-174 e BR-401, que ligam o estado às fronteiras com a Venezuela e a Guiana. Somente a PRF apreendeu 334 quilos de ouro entre 2023 e junho de 2026, a maioria no estado.
Para escapar da fiscalização, os transportadores recorrem às chamadas “cabriteiras”: rotas clandestinas abertas paralelamente às rodovias oficiais. Esses caminhos permitem cruzar e sair de algumas estradas federais para chegar ao destino.
Também mudaram os locais em Roraima de onde os criminosos extraem o ouro. Pressionado pelo reforço da fiscalização, especialmente na Terra Indígena (TI) Yanomami, o garimpo ilegal migrou para áreas menos monitoradas, adaptou seus métodos de exploração e ampliou sua capacidade de recrutamento de comunidades locais, destaca a Folha.
A TI Raposa Serra do Sol é um dos principais exemplos. Os garimpeiros migraram para o território, e sua presença aprofundou divisões nas comunidades indígenas. Enquanto uma parte defende a retirada de invasores que entraram na reserva em busca de ouro, outra apoia a exploração mineral. Em alguns casos, indígenas resistem às operações das forças de segurança contra o garimpo, como ocorreu com um comboio da PRF em maio.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/08/09/garimpo-ilegal-usa-venezuela-e-guiana-para-lavar-ouro-brasileiro/
Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello
